
Cabelo molhado, no meio da tarde de uma quarta feira, sentada no sofá, olhando para o céu ali, além da janela. Larguei o trabalho que um fora a razão de eu viver, porque depois desse tempo mergulhada no meu intenso desejo, descobri tão juvenil que ele não passava de uma ponte para minha “vocação” surgir. Antropologia. É, quero largar a moda para fazer antropologia, uma coisa ligada na outra, pessoas e pessoas, seus impulsos expressivos. Moda. Faltam praticamente dois anos para eu me formar em moda…
Larguei o trabalho porque enjoei, sim, enjoei e daí? A casca estava pequena, já atingia o limite da explosão. E assim foi. E assim é em tudo. Pessoas e pessoas, relações,meus enjôos e daí? Sabe como é, tenho em mim um botão ligado, piscando o tempo todo, ele diz porque não!? Ele me impulsiona ao mundo, porque eu sou o mundo, o meu e o outro, o de verdade e o de mentira, o que eu quero ser e o que eu sou, as pontes e as casas. O amor e o amado, o existente e a ausencia. O vazio no peito e a luz nos olhos.
É como o céu e a janela. O que separa também une, o que eu quero é só querer, é largar tudo, porque eu só consigo acreditar que eu tenho nada a perder, porque a única coisa valoroza que eu possuo é a mim,minha essência, que é o âmago do meu existir, meus desejos mais profundos a plenitude dentro de uma construção, mas diferente das pontes que construo, a minha essência constrói prédios, bem altos, mas ainda me falta um pedaço, que não é um tijolo, é um alicerce para reforçar o meu, e não está no meu ser esse outro pedaço que acrescenta, não falta, acrescenta. Então penso que não há ausências, pois a distancia entre minhas pontes faz-me procurar terrenos para cedo ou tarde erguer o tal prédio, sem metáforas, com nome, sobrenome e obra escancarada, mas talvez ser escritora seja isso mesmo, criar personagens, dividir o tempo, almejar a calma. Enquanto nada disso me acontece, continuo a preservar essa essência, enquanto muitos julgam mutilação, eu voz digo que é cuidado, cautela, pois é tudo e somente o que eu tenho. Eu, que não é ego, que não é querer, é amar as pessoas, as relações e os meus enjôos, não amar as coisas, as janelas e os céus. As pontes que constroem, afastam e unem. Aprendizados mais profundos quando não são ditos olhando nos olhos, sussurrados nos ouvidos são um tanto mais dolorosos, mas são escolhas, são caminhos, e aguente no osso do peito, siga em frente, volte se necessário, mas tenha sempre em mente que não há nada a perder, porque na vida não se perde nada quando se tem a si mesmo, aquela alegria de ser… da infância que nunca morre.
Só há construções, sejam pontes, sejam casas, sejam mágoas, sejam o nada. Destruir é preciso para construir, não é regra de engenharia civil, é regra da vida, e se ninguém me acompanha é porque não pode comigo.