Eu me desasossego, troteando por aí chego até o lugar que estou chamando de lar. O celular toca e isso é sinal de que as pessoas gostam da minha companhia. Uma festa na casa de nem sei quem para decidir onde ir sendo que eu só iria em dois lugares, um com certeza ninguém destes desconhecidos iria e o outro, talvez. De dúvidas minha cara criou rugas, e minhas tardes tem se estendido curtas, quase invernais, mesmo que o outono mal tenha cruzado aqui.
Passei parte da tarde sentada na grama do parque da Redenção lendo um livro do Caio emprestado pelo Cristian esperando a chegada do Rafael. Minutos antes passei com um amigo, conhecendo cara a cara meu amigo mais presente de todas as manhas para me dizer bom dia neste ano de 2009. Trem , onibus, caminhadas, gramas e pela primeira vez eu resolvi dar um real para um cara que vendeu-me um cartão cujo nao olhei quando comprei. Só quis dar um real. Nunca dei nada para estes caras surdos, mudos, atores, mendigos, porém exatamente nesta tarde eu quis. Ao entrar no trem mais de duas horas depois li ” só o que é bom dura tempo bastante para se tornar inesquecivel”, uma lágrima me escapou e nem sei bem porque, na minha mente nao me veio nenhuma coisa boa para recordar. Isso estava escrito num cartao cor de rosa da Hello Kitty, personagem detestavel aos meus olhos verdes cor de boeiro. Quando meu amigo pediu para que eu falasse minhas impressoes sobre ele o comparei com uma cartilha da ditadura nos anos 80. Algo bem especifico não? Eu só queria dizer: metódico e didático.
Com o Rafael que eu não via há dias, passei pouco tempo, o suficiente para ele perceber meu ar de lesada, parece que tá chapada o tempo todo, ele me disse. Parece que ta na paz, nao esta questionando tanto as coisas, está mais pela vida do que pela própria coisa. Bingo! Hoje não há nada que tire minha paz, essa tranquilidade comigo mesma, essa auto confiança de ser o melhor que eu podia ser para a sua vida. Não do Rafael, nem do Cristian que emprestou o livro. Tão pouco para o Caio. Conheci ao acaso pela rua uma livraria linda pertinho da Redenção, um clima saudosista, ai.
Tenho obedecido por livre vontade as fantasias que eu creio, as verdades que são ilusórias. Respondi ao meu amigo com um pouco de pesar nos olhos, ele deve ter percebido: ” o que me dói é minha fantasia quando é de verdade. Me dói a utopia, a realidade é amarga, vivo minhas fantasias…” Ele disse que eu tenho cara de inocente, e eu sou. Não tenho culpa de nada, sou a mais inocente em toda essa historia, essa que eu mergulhei e nao saio mais, porque agora, esta é a mais pura verdade.





