” E assim, mesmo agora, se me perguntam que forma tem o mundo, se perguntam ao mim mesmo que mora no interior de mim e guarda a primeira impressão das coisas, tenho de responder que o mundo está disposto sobre uma porção de sacadas que irregularmente se debruçam sobre uma única grande sacada que se abre no vazio do ar, no parapeito que é a breve tira do mar contra o imenso céu, e naquele peitoril ainda se debruça o verdadeiro de mim mesmo no interior de mim, no interior do suposto morador de formas do mundo mais complexas ou mais simples, mas derivadas, todas elas, dessa forma, bem mais complexas e ao mesmo tempo muito mais simples, na medida em que todas estão contidas naqueles desaprumos e declives iniciais ou deles podem ser deduzidas, daquele mundo de linhas quebradas e oblíquas entre as quais o horizonte é a única reta contínua.”
Ítalo Calvino.
Estou lendo ” amores dificeis” deste autor pelo qual me apaixonei. Todos os meus casos de amor são como eu: intensos em demasia. Do fundo do poço ao alto do céu. A paixão literária, em especial desperta mais ardores. Ítalo tem uma caracteristica que desperta minha admiração: A ironia escrachada.
Em especifico, “amores dificeis” fala sobre a ” dificuldade” das relações, a grande questão: a comunicação entre as pessoas, os silêncios impregnados, o tempo amargando e ensinando-nos que tem coisas, que por motivos pessoais, eticos, sociais ( ironia, ironia, ironia) não tem como ” voltar atrás”.
O amor está nas letras, nos meus olhos, nos meus sonhos.
- Alguem tem alguma coisa para me contar? ler?