Monthly Archives: maio 2009

momento didático:

” Não tenha necessidade de ser perfeito, tenha de ser Humano” Augusto Cury.

Segundo minhas crenças particulares, que inventei para mim mesma,  o que acontece no meio do caminho é de toda forma perfeito. Mesmo que nao seja aquilo que almejamos, mesmo que não tenha saído com o acabamento planejado, qualquer coisa que façamos ou sentimos é perfeito!!

Calma, explico ok?!

Se creio que atraimos tudo o que desejamos, então o universo conspira a nosso favor?!  Todavia o que nos acontece é efeito de nossa própria vontade? Consciente ou inconsciente. Minha questão particular é o tempo. Ora ele não existe, ora me custa caro. E onde entra a perfeição nesse caso todo?

Estamos automaticamente condicionados a um modelo de perfeição que nos foi imposto desde que o mundo é mundo, eu acho. (?) Dificilmente aceitamos o que recebemos da vida, chamam isso de conformismo, e naturalmente o conformismo não é tão nobre quanto a pirraça, o ser-do-contra. Talvez esteja acostumada com meu lirismo juvenil, o acreditar-num-mundo-melhor-no-futuro. Mesmo que saiba, cá com meus botões* não existe futuro, pois não há tempo. O que existe  de fato consumado é o hoje,estes minutos que dedico a escrever minhas ansiedades aqui.

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RE fazendo de frente para trás.

Hoje acordei ouvindo uma música que postei neste blog há muito tempo!

New Soul, da Yael Naim..

 

[ Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sócio político artístico filosófico existenciais e bababá em comum só podiam dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro]

um axioma quimérico

” Divirto-me, mas é à custa da minha imaginação, é uma brincadeira. É isso mesmo, uma brincadeira…”

Dostoiévski – crime e castigo.

Ao redor de sua consciência distorcida ela se enroscará.

Quase tão sutil quanto um terremoto, eu sei, meus erros foram feitos para você. E nos quartos dos fundos de um sonho ruim, ela veio e me varreu pra fora, entusiasmada. E é sólido como uma pedra rolando uma colina, o fato é que ela provavelmente atingirá alguém num terreno acidentado.

E estávamos somente seguindo a multidão, andando ao redor e entre ela, antes de nos quebrarmos em pedacinhos…
 É a fama que coloca palavras na boca dela, ela não podia ajudar, só desabafar. Inocência e arrogância intrínsecas na mente mais suja de todas. Ela foi mordida no seu aniversário, e agora ela é um rosto na multidão, e suspeito que agora, a maneira que ela veio a escapar para sempre, está esquecida!! E é muito perguntar sem atormentar, dar a ela menos do que tudo.
Ao redor de sua consciência distorcida ela se enroscará.

My mistakes were made for you – the last shadow puppets


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talvez seja amor.

Diferente de muita gente, graças a deus, acredito no destino. Seja este o que me fora antevisto, pressuposto  num entressonho qualquer…numa visão forçada do paraíso.  E por crer nessa pré-invenção afirmo que desafia-la às custas do futuro me é a diversão do hoje. Presente.

Enquanto isso no homem não posso confiar meia palavra. Um toque, talvez.  Nem em contos, discursos ou projetos. No sentir da pele, esse esforço dopado cheirando amargo quente. E já sabia antes mesmo do encontro, que seu caminho cruzava noutro… Eu aqui assistindo minhas próprias mazelas, disfarço em canto, gestos e gritos.

Deliciosamente a vida segue viva. Suando tranquila, lentamente. Os vidros da janela da sala entreabertos. O outono anuncia-se, porém hoje faz calor típico de sexta feira. Estarei sozinha vendo televisão. O canal? Minha vida. Enquanto por ora julgam as atitudes ironia. Alguém saberá que talvez seja amor.

cansei de ser sexy…

mai0140

 

[ainda sob o efeito das fotos que fiz ontem...]

Notícia do final de semana:

- Tenho Crime e Castigo para ler, uma resenha sobre modelagem para fazer, estudar para prova de tecnologia textil, tomar o resto da vodka que tá no meu quarto e esperar a segunda feira chegar.

Filmes?

Let me go à locadora!

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Flash

Nesta mesma noite andava dentro do campus da faculdade e deparei-me com uma parece branca. No centro diziam as palavras, nesta ordem:

INSONIA
INSONHO
INSIGHT

Paris!!!!

A música que eu sei cantar! Agora vou me puxar para aprender hebraico… aí ninguém me segura! ( ironia)

Uma das listas de reprodução mais ouvidas por moi. Yael Naim.

Circular – de volta;

Estou de volta a minha vida normal. Sentirei falta da lareira, da minha familia e amigos que ficaram na minha cidade natal. Ai aquela lareira!

Cada retorno me causa transtornos emocionais. Apesar de viver no próprio caos emocional diariamente. Graças a deus! Não teria a mínima graça se na minha vida não houvessem os surtos, os pitís, as neuroses… ai a paranoia!

Com os ciclos se renovando, o que fica é simplesmente a volta. Outros entram e saem da estrada; as paradas já não são as mesmas. Pois sim, sinto falta do antes. Do que foi belo, espantoso e do que não foi.

Do que seria, se nao fosse, quem sabe teria sido..um dia chegasse. Não chegou. Quem sabe venha, ou não, despencado, arranhado ou tímido. Quem poderia avisar?  E não há tempo nem distancia. Não mensura, não têm peso.

Expreme dentro de algum órgão do corpo. Acho que é na cabeça; transtornos e-mo-ci-o-na-is… ui que maravilha sentir-se assim… ” abraça tua loucura antes que seja tarde”. Faz frio… quero a lareira.

Sagrados Laços;

Pontada fina no peito. Como um vampiro que abrisse os olhos raiados de sangue no segundo exato em que alguém desfere o golpe enterrando no fundo do coração a ponta mais aguda da estaca de carvalho bento. Ou seria bétula? Carvalho ou bétula, embora o sangue não jorrasse do buraco no peito, ele morria num estertor de porco para depois envelhecer séculos e séculos, todos os séculos de treva que atravessara até o cabelo embranquecer e cair fio por fio, a pele vincar-se em teia emaranhada de rugas, os músculos apodrecerem descolados dos ossos finalmente luzidios e nus e o vento então soprasse o pó que restaria de sua carne por todas as possibilidades dos quatro pontos cardeais, retroativa agonia. (…)

Talvez viajantes, pensariam as pessoas passando, pensou, e certamente amantes.
Mas ela, a imoral, ela deveria usar vestido vermelho justo, continuou pensando, ele gostava de ler histórias policiais baratas, e negros raybans apesar do crepúsculo, saltos altíssimos, lenço na cabeça amarrado sob o queixo. Pecado, ação escondida, vileza. Tra-i-çã-o, soletrou enquanto os carros atrás buzinavam para que andasse, porra, e acelerou lento para olhar mais atento o outro homem. Oh, deus gemeu sem maiúscula nem exclamação, o outro homem sequer parecia um cafajeste em seu sóbrio biazer azul- marinho, certa barriga, gravata cinza, vagamente calvo. Nem suíças ciganas, bigode latino, brinco na orelha, camisa aberta ao peito, corrente ou dente de ouro rebrilhando ao último sol da sexta-feira. Respeitabilíssimos, os dois canalhas, ela parada na esquina, via pelo espelho retrovisor, acenando mais uma vez para o outro homem como se procurasse memorizar-lhe os traços antes da separação. Antes da separação, repetiu incrédulo. (…)

Tão duros, ele notou, o dourado dos raios de sol, o dourado dos fios de cabelo, o dourado da superfície do rio no fim da transversal lá embaixo. A bolsa quadrada de verniz que ela agora erguia decidida no ar para chamar um táxi e ir para casa. A casa dele, do homem ilícito ao volante do carro parado no trânsito infernal, e dela, a lícita mulher das pérolas: cinco anos em maio próximo, já planejados jantar japonês, depois dançar cheek to cheek. Champanhe, caviar, veneno, buzinou frenético sem fôlego nem ordem: cinco meu deus puta anos escrota.
Bodas de papel? tentou lembrar enquanto o sinal abria, ou seriam de ametista? rubi talvez? esmeralda, jaspe quem sabe? cristal ou nácar? continuou pensando ao dobrar a esquina, oh, deus topázio? como era mesmo aquela lista dos almanaques que os noivos folheavam juntos no sofá das salas de antigamente? ágata? lápis-lazúli? água-marinha?
Cascalho, repetiu sem ponto de interrogação, acelerando mais: puro cascalho sujo. E como não tinha um revólver no porta-luvas, ligou o toca-fitas com um click seco assim pá-pum! pronto, acabou.

Ovelhas Negras – Caio Fernando Abreu

de hora em hora …

the-clock-clock

 

Houve um tempo em que o tempo era o mais importante. Não temos tempo a perder, porém temos todo o tempo do mundo para… esperar o tempo passar, dar tempo ao tempo…

No conjunto da obra, destruindo tudo que há pela frente, o tempo, emendando-se em horas, dias, eras!

Design by Human Since 1982

No gerundio;vai passar…

E as luzes se apagaram por completo. Ao meu lado algumas chamas ainda queimam as lascas de lenha na lareira, chiando.

Faz muito frio nesta noite, tanto fora de casa quanto dentro de mim. Minha familia está dormindo agora. Não é muito tarde, mas aqui todos sempre dormiram muito cedo. Minhas mãos estão geladas como de costume, e me mantenho aqui, escrevendo.

Sinto um nó esmagando meu peito. Vejo uma parede de pedras escuras atravancando a estrada, mesmo que eu esteja aqui, sentada.

E continuo com a mesma doença encruada, cheia de remorços e pesares, mesmo que tenha certeza de nao ter feito a coisa errada. Humanos sao assim, querem aquilo que nao convém, e quando tentam outros sabores, no meu caso, sentem o gosto do ácido esfarelado no ceu da boca – do outro.

E ter certeza é uma das minhas mais doces ignorancias. Topar com destinos que nao eram o meu entressonhado, velado e cuidado com todas a magica da minha utopia, me deixou assim, sentada, escrevendo, sozinha.

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então eu fiz uma poesia

Um chiado mansinho anuncia o término da movimentação.
Uma onda quebrada arrastando todo o lodo de volta ao fundo de si. Mar.
Uma curva do vento invernal invadindo o outono interrompeu o velho ciclo motor das ilusões.
Interpretações erroneas e aquele velho hábito de ser o centro da bolha ao lado condenaram o velho moço.
Cujos olhos recusaram, cujas mãos nao afagaram, cuja boca disse: não.
E se estivesse escrito, não era nas telhas do destino, nem gravado como tatuagem na pele.
E se fosse infâmia, fosse maldade, se fosse o acaso.
Era só o começo do fim do que feria infinita dor.
E nao era vingança, nem provocações, nem amargo.
Era o inferno da utopia. Parecia a mais vil das infancias.Fantasia, ego, mimo.
Rutilancia daquela estrela que riscava os céus daquele velho tempo.
Hoje, outro ciclo se inicia. Inconformante segue e só.
Fazendo parte do mesmo processo, da mesma máquina.
A vida.
Se ganha, se perde, se só, assim, para sempre?

quebra-cabeça

” Pode ser para sempre, pode não ser mais, pode ter certeza e voltar atrás. Pode ser perfeito, fruto da imaginação, pode ter defeito de fabricação… tá faltando peça no quebra-cabeça…”

o marinheiro

Para olhá-lo, também eu precisava de certa loucura. Essa, que me indicava. A mesma a que me tenho negado em susto, atravessando cotidianos de monótonos côncavos deliberados, movendo-me pelos labirintos coloridos desses interiores sempre previstos, embora absurdos.

Não havia sol naquela tarde, nem cores caindo sobre os objetos. Eu não estava distraído nem tinha disfarce algum quando ele me olhou. Ele não tinha nenhum disfarce quando eu o olhei. Mas não devia me permitir escorregar naquele mergulho de peixes quem sabe vorazes, isso só compreendo agora, e com esforço, sete dias depois de sua partida, uma garrafa de vinho tinto, a chuva se foi, restaram o frio e a umidade que amolece papéis e vontades, aberta ao lado da janela escancarada para a noite enorme lá fora, onde ruge uma cidade estufada de rumores e procuras.

Preciso dizer neste momento, embora talvez não caiba aqui. Ainda que me tenha isolado assim drástico, ainda que elabore dentro de mim e da casa pacientes, irrefutáveis justificativas para ter cerrado as portas ao de fora, o humano que afastei através dos vidros coloridos, esse humano dói, palpita, ofega, tem ritmos suarentos fora de mim.
À minha frente, porta entreaberta, gotas da chuva caindo sobre sua roupa branca como se eu tivesse acendido uma vela com o pavio voltado para baixo, o marinheiro me olhava.

- O quê? – perguntei. Só compreendo agora, talvez não pudesse aceitar o convite. Perguntei como quando você diz acho que vai chover ou está frio hoje, ou me dá um cigarro, qualquer outra coisa assim sem importância, pressupondo que eu e ele nos movimentaríamos ainda segundo os ritmos mecânicos, na dança urbana dos passos ensaiados de além dos vidros pintados de roxo-amarelo. Mas ele repetiu claro:
- Abraça tua loucura antes que seja tarde demais.

Caio Fernando Abreu.