- Dias banais acercam a melancolia desta vaga em branco.
Afirmou-se convincente, e seguiu andando a espera de alguma surpresa que a despistasse daquele tormento particular. Buscava refugio na vã filosofia; tudo é passageiro, até mesmo este “querer” transbordando, que insiste em não morrer.
Um personagem sem nome, rosto e história. Ele não tem passado e tão pouco futuro. Seria este a soma da angustia e tédio que a habitava.
Jovem, cheia de sonhos e fugas, filha daquilo que não deu certo. Vítima das falsas escolhas e dos equívocos alheios. E era exatamente assim que se sentia dentro daquele terno lar. Sem muito enredo, ela sabia de alguma forma, fosse às conversas íntimas consigo mesma ou no riso solto entre os amigos e família, que alguma coisa muito bonita a esperava logo em frente.
Clara e mansa, quase nenhum deles percebia a imensa dor que carregava infantil dentro do corpo magro, branco, de longos cabelos castanhos. Ah os olhos eram cheios de afeto, cobertos por negros riscos de lápis de cor.
Em si crescia uma força, que justamente a expulsava daquela redoma superprotegida e privada de qualquer constrangimento ou ousadia. Morna.
Esse tal impulso vinha talvez do mesmo lugar de onde saia o tédio, a angustia, o engodo e o vazio.
Não era uma coitadinha, apesar de imensa disposição a auto-piedade, era grande dentro da sua pequenez existência.
Justamente, não foi de súbito, pois já se sabia que ela estava predestinada a explodir, assim como todos a sua volta também o sabiam, por algum motivo especial, ou simples brilho no olhar, ou a voz um tanto tremula ao tocar em certos assuntos. Ora um feto, ora uma estrela cintilando incertezas.
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