Ele me convenceu sem tentar convencer. Decidi que ficaria em Buenos Aires e partiria com ele a Cordova, independente dos motivos, afinal, estava ali por um impulso ou necessidade, e esta razão eu não queria entender – não naquele momento.
Caminhamos pela cidade e já estava escuro, precisávamos esperar por três horas até o vôo para o destino escolhido. O Niel ligou para o aeroporto e confirmou os horários, enquanto ele falava com a atendente, recebi um telefonema no meu celular, era um conhecido de Porto Alegre, que há muito tempo não falava. Conversamos rápido e comentei que estava fora do país.
Não tínhamos para onde ir, por isso continuamos conversando, Niel e eu, agora mais descontraídos. Fomos andando sem perceber o tempo passar, até chegar a uma praça, havia algumas pessoas por lá, nada de anormal, porém o Niel percebeu uma movimentação estranha; ou uma falta de movimentação?
Uma mulher, sentada sozinha num dos bancos, o olhar dela o intrigou, segundo o próprio. Ela não representava nenhum tipo de ameaça aos olhos dos demais, afinal, era apenas uma mulher sentada num banco de uma praça ao anoitecer da bela Buenos Aires. O bravo Niel resolveu ir falar com ela sem que eu me aproximasse, ainda brinquei com ele esperando que ele tentasse seduzi-la. Rimos.
Ela entregou um pacote a ele, apesar de não se conhecerem, faziam parte da mesma Ordem Thelemita. Tudo isso pode soar incrivelmente estranho, bizarro e fictício, não para nós.
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