Monthly Archives: novembro 2009

dos 16

Tem coisas que aconteceram na minha vida que eu só tenho consciência hoje, depois de muito auto-analise – leia-se paranóias constantes.

Lembro quando eu tinha dezesseis anos e conheci um garoto. Imediatamente eu me apaixonei. Ele era diferente sendo igual aos outros, ele era especial, único, ele era o cara dos meus dezesseis anos.

Naquela época eu ainda era virgem, apesar de todas as minhas amigas estarem em plena atividade. Naturalmente eu era estereotipada, pois pensem vocês: Cidade pequena, todos se conheciam e aquele ditado do “diga com quem andas” aplicava-se muito bem na prática.

Me lembro de estar com esse garoto numa festinha entre amigos, no tempo que as festinhas eram muito divertidas e qualquer gole de Martini era suficiente para aprontar loucuras. Não eram muitas as minhas loucuras, porém as da minha mãe…

Freud explica tudo, mas o que eu menos precisava naquela época eram explicações.

Continue reading

Volver

Filme que assisti no find entre uma parada e outra nas minhas leituras, pulando do moderno Bauman ao clássico Hegel. Amarrar estes dois foi quase um exercicio astral – e ainda não terminei!!!

Nada que Almodovar  não me faça esquecer, afinal Volver me serviu de válvula de escape, me arrastando  para a atmosfera latina. Primor caracteristico desse cara!

Dica de filme da semana.

Como fazer Sexo Oral

O título foi só para chamar atenção de leitores no google, sinto muito por essa atitude insana. Sugiro que não continuem o texto, caso não estejam abertos a outras possibilidades.

 

sartorialist

 

Esses ultimos dias têm sido fortes, creio que não só para mim, pois final de ano é realmente cruel para a maioria dos brasileiros. Os universitários como eu estão atolados em trabalhos finais, assim como os universitários em reta final de curso, como eu também, estão atolados de trabalhos finais de semestre somados a relatórios, estágios, publicações e desfiles – para os que cursam Moda – como eu. Ou como diria minha vó: ModaS.

Nas empresas a cobrança dos prazos, lançamento de pedidos e colegas atordoados com a sobrecarga também não é exclusividade da minha vida. A todos aqueles que estão mudando de apartamento e gastando mais dinheiro que o normal com despezas burocráticas e alguns móveis também sabem exatamente do que eu estou falando, porém quem é que está reclamando aqui?

Continue reading

Ciclos

Ridículo seria pouco para definir os ciclos que vivencio. Lendo antigos diarios dessas mesmas datas percebo a sincronia dos atores ao invadir esse palco e atuar nos mesmos personagens.

Há uma vaga modestia ao defini-los, porém existe um certo carinho e apego que os tornam um só: o personagem idealizado pelo criador desse teatro vulgarizado por Hesse como mágico.

Talvez a comédia comece quando os desejos renovados entram em cena. Como votos de prosperidade no ano novo, essas vontades oscilam entre o querer muito e o querer ao extremo! Nunca se soube como seria se concretizadas, talvez justamente por estas hipoteses é que se tornaram tão intensas e constantes – reproduziam-se claramente em determinadas épocas do ano.  O drama e a tragédia ocupavam seu espaço a sós. Não se pensava exatamente no que seria, era apenas um querer.

Silenciosos os desejos eram tecidos na atmosfera desses contos, que entrelaçados criavam teias e labirintos, e por ali mesmo, nossos personagens se perdiam. Ora trocavam seus papéis, por amadorismo ou intenção fazendo com que os atores viessem à tona. Súbitos e tétricos, logo vestiam seus hábitos e cerimônias, desfendo-se em argumentos e sumiam do foco.

Desligavam as câmeras e apagavam as luzes. Fecharam as cortinas, e de repente eu me vi só. Assistia branda aquele show sentada em uma das milhoes de cadeiras iguais. Estava numa fileira mediana, diferente do último lugar afinal o ano já está acabando outra vez e é hora de sentar mais perto; cada vez mais dentro do espetáculo.

Continue reading

Segmentando as prioridades

Sabe quando tu tens muitas coisas para fazer e todas são realmente importantes? Aí tu tens pouco tempo para realizar com a máxima excelência tais questões e segmenta em ordem de importancia. Ok Maíra e  suas metodologias pró-ativas! Ninguém precisa saber dessas tecnicas organizacionais, porém a minha questão é: E quando não dá?

Simplesmente não dá! O corpo não aguenta mais de cansaço, a mente já não acompanha a destreza das mãos e aí começa o sufoco: – tudo dá ERRADO.

Creio que o pior do que não ter tempo de concluir uma tarefa é refaze-la.

Ainda estou me habituando ao novo trabalho, então acabo refazendo inumeras coisas por não prestar atenção em detalhes. Enquanto isso fico pensando no projeto da faculdade que está totalmente atrasado e essa semana é a ultima data e eu ainda nao consegui fazer. Está tenso, pois ainda tenho trabalhos de mais 3 disciplinas para executar, todas no mesmo patamar de atraso. Então por favor, vamos parar o tempo por um tempo até que eu pegue o ritmo do meu descompasso e sigo ativa, produtiva e saltitante pelo mundo a fora.

Continue reading

Socializando

Todo mundo muito bonito, cheio de balagandãs e sorrisos lustrosos. No começo é assim, uma mistura de cores e texturas, fumaças coloridas e risos simpáticos. No final tem os que vomitam no canto em que horas antes a moça mais bonita da festa dividia espaço com a câmera fotográfica e seu cigarro. 

As músicas não tocam no rádio, mas todos sabem cantar. Bebem e gritam, dançam e se beijam, todos entre todos, exceto os posers que existem simplesmente para fazer carão, bico e cabelo para o cara da foto.

Eu gosto muito de estar entre eles, admira-los por inúmeros motivos, não necessariamente os que eu citei. Há os  cocaínados que não tem o que comer em casa, mas tem uma boa historia e um olhar penetrante para contar com o contexto furtacor.

Eu também gosto desses, são loucos e dependentes de verdade daquilo que julgam superficial. Mesmo assim todos se misturam sem importar o sexo ou desejo sexual.  Meninos e meninas, homens machos que preferem outros homens tanto quanto para se divertir. 

Continue reading

Mulher sem razão

Dentro de tantos clássicos que todo mundo já conhece, fica essa música que simplesmente amei. Ela traduz um pouco do que eu sou, creio. Me conquistou e eu gostei.

” Pára de fingir que não repara nas verdades que eu te falo. Dê um pouco de atenção. Parta, pegue um avião, reparta. Sonhar só não dá em nada. É uma festa na prisão”

Dilúvios Feelings

Não é falta de assunto, mas estou nesse exato momento no décimo quinto andar, na minha frente tem uma janela de vidros e vejo uma chuva de raios destruindo parte da cidade. O vento ainda não começou a tremer com tudo, como foi ontem quando sentimos – ou imaginamos coletivamente – que o prédio estava balançando.

Eu não seria tão criativa a ponto de criar uma arca submarina que protegeria todas as espécies das novas coleções spring summer 2010 às peças clássicas em museus, digo que protegeria a raça humana tão importante para a sobrevivencia do planeta e seus pensamentos muito relevantes a evolução.

O que ouço por aí são varias loucuras, desde os fins dos tempos anunciado pelos religiosos como o aquecimento global. Sei que o excesso de lixo na rua entupiu os boeiros e fez o arroio ali do centro transbordar e invadir a rua e consequentemente casas e lojas. Logo a água baixou e ficou a lama e eu segui andando e cantando em voz baixa somewhere over the rainbow e afirmando: a Terra já passou por isso antes! Lembra dos dinossauros? E eu mesma respondi que não lembrava, então fui para a outra estrofe de úúúúúúúú…somewhere over the rainbow way up high…

Esse tempo tempestuoso me lembra o cenário de outros contos; e eu gosto tanto. Queria um faz-de-verdade agora mesmo, mas acho que vai chover. Boa desculpa.

Casa de Aluminio?

Depois do momento Igreja Portatil no interior do Chile, agora é a vez da Casa de Aluminio. Sim, é alumínio! Uma boa dica para nômades como eu – até que eu estou fixa ultimamente – ou para aqueles que desejam um bela casa no campo e depois mude de ideia  a carregue para outro lugar. Acontece! Design by Blue Ant Studio do Japão.

Aluminium-Cottage

 

Aluminium-Cottage_1

Ele ainda me cabia tão bem

Então foi assim, estava fatigada de mais um dia, deitei na cama que fica ao lado da janela e por ali eu vi tudo:

Um céu azul pastel que ia esvaindo-se em lilás. Era tudo o que eu imaginava e desejava. Uma textura suave feita de nuvens assimetricamente combinadas aliando-se a melodia que saía do som do outro lado do quarto e misturando tudo na mesma atmosfera. Entardecia e àquela hora ia se aproximando, suspirei ao pensar que ele ainda me cabia.

Estava tão feliz, eram tantas coisas acontecendo por fim, tudo aquilo que por muito tempo eu desejei. Enchia os olhos de emoção ao lembrar-me como tudo era no plano abstrato, quando ainda menina olhava para esse mesmo céu e imaginava secretamente. Hoje

Minhas asas não eram de cera e eu sabia que nem asas eu tinha, eram outras coisas que ainda não sei, mas coisas que me inclinavam a sonhar, porém naquele instante eu lembrei como ele ainda me cabia. Dentro do que é hoje, e todas essas realizações, eu sei é egoísmo pensar assim: ele cabia tão bem na minha felicidade.

Não pensava em nada sobre o passado, nem nas alergias que adquirimos com o tempo e os fatos, essas coisas para mim eram poeiras num porão velho de outra casa. Preferia então afirmar que ele caberia tão perfeitamente aqui, debaixo dessa janela, ouvindo essa mesma música, vibrando com esses motivos e outros motivos nasceriam também, eu sei. E não ousava desenvolver um pensamento feminino, daqueles que vai moldando situações que não existem com doses extras de romantismo. Sim, mulheres pensam assim: situações que não existem. ( ou seriam só as desequilibradas como eu?)

Continue reading

photography project

Dreams?

Projeto da Universidade Alemã Hochschule Rhein-Main, summer semester 2009. O conceito usado é a “Gravidade”,  alguém duvida?

DreamersDreamers-1Dreamers-2Dreamers_1

Via LikeCool

cuspir na rua?!

Estava vindo para o trabalho agora cedo e percebi uma mulher andando na minha direção. Era alta, magra, negra, belas roupas, até que de repente ela começou a tossir e a escarrar e deu um cuspe na calçada.

Não sei por que aquela cena me chocou tanto, que me deu um nojinho de pisar na calçada que por sinal já estava cheia de lama, resquícios da chuvarada de ontem à noite.

Fico pensando nos nossos maus hábitos diante da sociedade nada justa que vivemos, cheia de limitações, desigualdades e problemas banais. É claro que estamos melhorando, afinal na Idade Média atiravam a própria merda na rua, o que não é nada diferente se alguém que chega a Porto Alegre e é obrigado a passar em frente ao famoso chocolatão. Saneamento básico non equiziste na maioria das cidades brasileiras, e ainda tem gente que quer calefação em lugares públicos como na Argentina (limitando-se a alguns lugares de Buenos Aires, porque o resto não é muito diferente daqui)

É claro que não achamos bonito esse negocio cabuloso de desestrutura, e também não me seria coerente conformar-me com essa realidade, porém é uma realidade.

E quanto aos nossos hábitos que são responsabilidades nossas e não dos governos, onde fica?

Continue reading

quando eu comecei a gostar de uma menina

Eu sempre achei ela uma mulher bonita, apesar do ar de garota. Devia ter quase a minha idade, senão a mesma. Era exótica, tinha um olhar frio e meio perdido, talvez isso me atraía nela, pois isso eu identificava em mim também.

Nunca parei para pensar  muito sobre ela, pois nem eramos amigas, nem colegas nem nada. Eu a conhecia de vista; a via passar e ficava pensando rapidamente qualquer coisa sobre o cabelo e as roupas que usava. Eu a admirava.

Também nunca contei para ninguém sobre isso, principalmente para minhas amigas, pois entre mulheres a admiração é inveja. E talvez fosse.

Ela era magra e branca como eu, era misteriosa e isso me instigava a curiosidade, pois queria saber o que ela fazia, o que lia, o que pensava sobre a vida, já que aquele jeito dela  me atraía tanto. Na verdade ela não era nada muito diferente de mim. Ela andava sempre sozinha por onde eu a via, apesar de estar sempre cumprimentando pessoas aparentemente simpaticas; as mesmas pessoas que também me sorriam enquanto eu passava.

Foi aí que comecei  a me punir por esse pensamento, queria tirá-la da minha cabeça já que essa admiração estava mais para amor do que para inveja.

Continue reading

Sobre romances perdidos

Estávamos os dois dentro daquele balde de clichês! O mar nos assistia a frente enquanto eu estava escorada no capo do carro olhando em torno, e ele olhava para o vazio e não falava nada. Ele nem chegou perto de mim, e eu esperava isso é claro que esperava. Afinal estava lá por ele, por mim também, é claro, mas muito por ele e pela patética tentativa de retomar alguma coisa.

Eu sabia que tinha sido muito filha-da-puta com ele, mas agora as coisas tinham mudado, afinal um tempo já passou, e ele continuava apenas olhando em torno e falando nada.

As pessoas usavam meias, casacos e cachecóis enquanto andavam a beira mar. As crianças corriam encasacadas e eu ali, encostada no capo do carro esperando que ele falasse alguma coisa. Ele falou então:

- Por que tu não arrumas um namorado para ti?

Continue reading

insanidade de quem gosta

Então de repente tu percebes que está fazendo isso tudo, de mudar a cada instante e planejar o mundo novo para simplesmente se encontrar dentro da tua gaiola dourada outra vez. Vais-me dizer que estou mentindo agora? Que estou a inventar mais uma vez as minhas histórias, porque não passo de uma pobre coitada implorando um pouco de atenção?

O que vais fazer além de permanecer nesta postura decadente e ridícula bancando o garotão que sabe exatamente o que está fazendo da vida? Esse teu sorriso amargo não convence a quase ninguém e a acidez das tuas palavras já não são mais ironia “inteligente”. A mim soam lamentos e prantos infantis numa forma de piadas patéticas sobre a realidade que tu mesmo estás inserido. Não é ironia que há nesse teu sorriso, é só o desespero de quem não sabe mais para onde correr.

E vais investir nessa mudança de rota acreditando cegamente que retornar a linha do horizonte que deixaste frustrado em outrora é a grande salvação desse teu “redentor” ? E eu que invento histórias, afinal esse é o papel que sobraste para mim, não é?

Diferente do que pensam por aí, apesar do meu silêncio surdo, conto o que gostaria de ter sido, mas o que faço deixo aqui, muito bem guardado para usar em noites ou tardes ou manhãs de desconsolo por simplesmente não saber o que fazer com essa imagem no espelho. Relembro.

Continue reading