Era manhã cinza, daquelas nubladas típicas de agosto, porém não passava de abril. Girando entre os lençóis da manhã percebia os raios da tempestade lá fora iluminando todo o quarto.
Queria apenas contar uma história, inventar um enredo e colocar os personagens dentro, num misto de mistério e sedução.
- Ok, não deu certo, como tantas outras vontades já não deram. A verdade é que é novembro, bem no meio de novembro. A manhã realmente está cinza como agosto, e realmente girou entre os lençóis da manhã enquanto via os raios iluminarem o quarto. Agora tomando um café preto ouvia um blues qualquer sentada no sofá da sala pensando em falar sobre deus.
- deus?
Dormir doze horas muda a vida de uma mulher, pensei. E mais uma verdade que faltou é que não era um blues qualquer, era Billie Holiday que jamais seria uma qualquer, pois já inclinou tantos poetas a falar de amor; não eu. Eu, que falo de mim como se fosse outra, e por ora quebro o sigilo e misturo quem escreve com quem é escrita.











