Andei observando a paisagem ao longe enquanto o ônibus andava e balançava pela estrada. O asfalto fervia e irradiava uma energia meio morta meio viva. Assim eu me sentia.
Distante, tudo me era pequeno, singelo e indiferentemente existente. Foi quando um momento acordei e as pedras eram gigantescas, e o caule das árvores quase do tamanho dos prédios que não haviam por ali, encobrindo toda a visão do horizonte préterito. Estava dentro da visão.
Tão pouco passado, afinal só percebi depois da curva que assombrou todo o caminho que ficou para trás. Depois, mais tarde, talvez – ele me dizia em silêncio, apenas pensando do outro lado das montanhas.
E da beleza da natureza pouca coisa ficou, assim como da minha excessiva obsessão por ressaltar detalhes vivos no desprezo do cotidiano, vendo arte e poesia no meio do cactos, de flor e espinho, a vida e a roda que gira, meu mundo exaltava..
Não me canso de ser assim, mesmo que ninguém me aceite inteira, olhar de longe, até que é agradavel. Pois se não é de migalhas que se alimenta o homem, vai ser de quê?









