Começou assim, uma musica que dizia que todo mundo já teve infância, e eu enrolada no edredom, tentando dormir, levantei e vim escrever todos os pensamentos me emaranhavam minutos antes.
O cenário do meu filme era um apartamento vazio, cheio de caixas etiquetadas, os livros, os vidros e os trapos, sem metáforas, era isso mesmo, eu e minha mudança de casa; de casca, ou pele.
Ele me encontrou quando eu vivia tranqüila no inferno que estava acostumada:
Incertezas iludiam meu lindo destino inventado pelos videntes, enquanto eu nutria esperanças ao ver meus quadros nunca postos nas paredes, cheios de fotos impressas em papel reciclado, ecologicamente antiquados e envelhecidos para meu “shape” pós-moderno e libertário – ou libertino.
Eu sentada na caixa mais rígida, a que levava os livros, e os trabalhos da faculdade, totalmente tolos e sem serventia moral, tinham a única função de sustentar minha bunda enquanto ascendia um cigarro e pensava que em algum outro lugar do mundo outras pessoas faziam o mesmo que eu: depositavam esperanças.






