“Pedi que ficasse, como não ficou o outro. Sorriu. Como se nada do que eu pudesse dizer fosse capaz de modificar sua partida”
Ainda não consigo escrever sobre aquela história entre eles, aliás, entre nós três; porém posso sentir conforme as cenas desembaçam na minha lembrança e outras acontecem, meio que de repente, que além do embaraço, alguma coisa serviu para fortificar-me ali em frente.
Não convinha falar sobre a história toda; só sei que depois de tantos desencontros e uma silenciosa indiferença, carreguei comigo, apesar de ter a lógica e a prática ao meu lado, uma culpa católica por ter acabado com aquela falsa confiança e amizade que girava na nossa ciranda.
Existem beijos que tem gosto de despedida, ou saudade, outros alcool, drogas, novidade, ou nada, tipo água. Aquele foi surpresa, fora do script. Há anos eram só dois, um de cada lado da bochecha e depois a mão escorria nas costas, ou no ombro e um sorriso esboçado, seguido de um “tudo bem contigo?”
Depois de toda aquela dança, que rodava na mesma linha, alterando o compasso, eu confesso, porém adverso que eu nutria mesma melodia; apesar dos fatos, se eu fosse inescrupulosa como pareço, jamais sentiria o pesar que arrasto comigo. Sou vilã porque escolhi esse papel a dedo, vilã para mim mesma enquanto me escondo por trás da minha apática existência.






