Daily Archives: 01/03/2010

da bailarina a trapezista (parte 2)

Excetuando a estética, ambas atuam a fim da mesma cena, seja na graça da ponta dos pés ou bamba de uma perna.

Retorna a casa e senta no mesmo lugar. Tudo escurecido e uma montanha de informações sobre o mundo e teorias da vida. O vestir, o que comer, o fim do mundo e o que pensar? Deixa para lá, o que ela quer ainda não revela, nem para si ou para o sereno leve que vem fresco pela janela.

Entre músicas, poemas e telefonemas afetuosos, busca uma história não muito inventada; mais perto de uma  legenda que transcende no alto das palavras banais: espírito, alma. Inclina-se a tortura das coisas reais. Assiste a uma programação intensa de ex amores e suas selvagens buscas casuais. Troca o canal e retorna ao degradê do acaso, silenciosamente falando besteiras, aguarda a surpresas do que já era de se esperar. Serena, finge que continua fingindo.

E na platéia…

da bailarina a trapezista (parte 1)

Mesmo que haja graça e delicadeza, a trapezista não tem requinte e nobreza. A bailarina por si só é encantada, enquanto a outra em par com sua sombrinha só pode seguir  sua saga; ela caminha tênue.

Depois de almoçar sentou na sacada, enquanto na tevê passava o programa de esportes que ninguém olhava, seu som  misturava-se ao da rua; olhava as nuvens e procurava formas – nada além de psicodélicos e surreais formatos de nuvens. Apática, permaneceu com as pernas estendidas, observando o all star cor de sujeira que contratava com suas pernas brancas e logo o vestido curto, cor de caquí que salientava a sujeira da cor do all star. Usava óculos escuros para proteger-se dos raios solares; não eram totalmente escuros, num marrom degradê, passando da cor de caquí para cor de sujeira, ela assistia a vida passar.

Terminado o cigarro, levantou, pegou a bolsa e saiu. Antes de fechar a porta sentiu um cheiro de flores. Era o resto do incenso queimando no canto do corredor. Além de tudo isso era só uma lacuna, nem clara ou escura. Contrastava, salientava e por ora um degradê aglutiando tudo.