Monthly Archives: março 2010

Sem talento para a sociedade

Será que a sociedade nos cobra talentos técnicos e operacionais ou isso é paranóia da minha cabeça?

Será que para ser bom, independente da área de atuação no mercado, pegar no pesado, seja numa planilha de excel ou sentar na máquina de costura é a prova do quão eficaz é a sua capacidade de produção?

- Eu me sinto esmagada!!!!

As cadeias necessitam de produtividade e para isso, pessoas precisam ser excelentes, seja na apresentação de projetos, fazendo com que todas as linhas paralelas combinem harmonica e geometricamente, ou na linha de produção enquanto a esteira corre e os quase-escravos não levantam a cabeça para olhar para o lado. Não é novidade que eu me sinta de fora disso tudo.
Toda vez que entrei na produção de alguma fábrica de sapato eu sentia vontade de chorar; pelos outros, pois nunca trabalhei numa produção, eu era da elite – o setor de criação.
Os estilistas não almoçam com os modelistas – fato!
Eu sentia compaixão daquela situação que me sufocava, até o dia que eu descobri que os operários amam o trabalho, pois almoçam de graça na empresa e no intervalo falam sobre a novela. Todo dia 20 tem vale e dia 5 o salário e se eles quiserem ganhar mais, fazem hora extra ganhando quase 2 reais por hora.
Agora eu trabalho numa empresa de exportação, não acompanho mais a produção das minhas criações, apenas por fotos, pois tudo é feito na China. Imaginem meu lado existencialista nesse momento?

Às vezes me questiono se é preguiça ou falta de capacidade minha, pois simplesmente NÃO CONSIGO entender, aceitar ou desejar isso para minha vida.

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Leite derramado, que nada!

Para quem não chora o leite derramado, o novo bordão é: tenho mais copos para derramar por aí.

Telephone

Não ia postar no blog, mas acho legal deixar registrado um dos clipes mais legais que já assisti – se tratando de moda; em elementos visuais e linguagem estética insana, ao retratar situações absurdas com tanto detalhismo e criatividade. O que já era de se esperar de Lady Gaga;

arrependimento textual aplicado à vida

Dizem que na vida tudo tem um aprendizado, um propósito ou um gosto bom, sei lá, às vezes repenso alguns atos e queria que não tivessem acontecido, mas não me torturo por isso – só por isso.

Essa marra de não se importar com o que os outros pensam de nós mesmos é puro fingimento, uma hora ou outra nos importamos sim! Afinal, pelo menos eu, que invento mil teorias ridículas para justificar o básico da vida, toda vez que conheço alguém eu penso involuntariamente:

” mas que droga, ele vai ler meu blog e descobrir que eu sou assim”

E daí?

Tentar aparentar aquilo que não somos é muito facil, basta pintar o cabelo, usar as roupas da moda, falar dos assuntos que todo mundo fala; isso é estar inside, mas não significa que viver assim seja ser o “você mesmo”, assim como também não quer dizer que seja fingimento. Tem gente que é essencialmente superficial e tosco, não é culpa deles, faz parte, o mundo precisa dessas pessoas para separar as agulhas da palha.

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Ilustrações e birras

Adoro desenhar desde criança. Odeio técnicas de desenho e linhas parelelas. Odeio tudo que implica técnica, eu mal pontuo e acentuo os textos. Sim, sou teimosa e insuportável para quem é diferente de mim. Dane-se, foi só um parenteses, afinal a arte exposta aqui não me pertence, pois ainda não aprendi a expressar em curvas o que vomito em textos.

 Sabine Pieper faz ilustrações de moda; e se imagens falam mais do que palavras, eu também odeio frases feitas, uso-as como deboche, mas sabe né…quem nota?

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cotidiano; notas

Cotidiano;

Nota:

Ontem tive uma reunião de quase duas horas com meu chefe. Falamos de produtividade e comportamento. Me mantive fiel ao que acredito nas formas de trabalho, porém, escorreguei no meu comportamento selvagem e sem modos herdado da roça. Quem me conhece e convive comigo sabe que não é novidade esse tipo de debate. Falo o que penso em ritmo de lambada, debocho da vida porque é assim que ela me ri.

Hoje ao contar com detalhes para meu amigo, ele me definiu e eu gostei.

Cristian diz:

querida, vc é uma manteiga, cheia de amor e carinhos, tipo a Xuxa e suas crianças, tipo a Madonna e a Africa.. só que vc percebeu que manteiga na vida derrete e é comida por margarina, então vc virou um pão duro, mas quem tem a honrra de te conhecer de verdade, sabe que existe 90% de miolo ae dentro, que é mole e acessivel;

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Entre a Arte e a Sobrevivência

Ambos com letras maiúsculas porque ocupam tamanha propriedade real – gramatical?

OS artistas sofreram antes de morrerem e se consagrem artistas né? As pessoas “comuns” são os maiores carrascos, dento de suas ignorancias e limitadas perspectivas, desenham barreiras e rótulos conforme conveniente. Nessas escorregam os idiotas e os artistas.

Esses comuns, confundiam o fim com o caminho. A jornada com a intenção da viagem. Aí eu me confundia entre me corromper e o fazer nada. Eu misturava ego retardado e orgulho mimado de uma sociedade classe média miserável que me criou, com o que uma mulher de verdade têm que fazer para se sustentar e sobreviver. Ou nada.

Ai que me dóia sem vírgulas ou pontos, eu só expressava aquilo que vinha de dentro e latia feroz, sem idioma. E procurava, sim procurava, com força, magnitude e todo o respeito digno que se pudesse ter diante daquelas condições – era educado demonstrar gratidão aos comuns e aos líderes, enquanto subestimados; ai que me arrastava em vida uma vontade de não sei o quê. Pagar todas as contas e esticar a fronha da ultima almofada.

E mesmo que houvesse esforço para lapidar, contornar e arrematar o que punha para fora, ainda em vão, ninguém entendia, ou entendiam conforme pensavam que entendiam. Mal sabem eles que eu nem sei que matéria é essa que escarro em forma de crônica; conto? Poesia? Verso? não sei definir algumas coisas….

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Insatisfação interpessoal

A instatisfação pode estar ligada ao alto grau de exigencia da pessoa que é sujeito da oração. A minha insatisfação é ligada a fantasia. Crio meus personagens e os procuro nas pessoas que me cercam, se não os encontro, então, as pessoas já não me servem. Descarto, sim, como qualquer pedaço de matéria.

Entre a ciência e a poesia, existe uma coisa emocional que nos agarra e permite que possamos crescer dentro de nós mesmos e no mundo. A partir da convivência e da conveniênica, vamos nos enroscando nas pessoas que nos acompanham, sejam os que nos amam, ou os que odeiam; não importa o sentimento que nos una – obrigação também se caracteriza por questões emocionais, não é uma finalidade mas um meio. Estar conectado nos permite além da interação prática e todo o bla bla blá pedagógico, descobrir que além dos personagens que inventamos para as pessoas – eu nao sou a única a criar – elas tem seus próprios, e também são criadoras de mini mundos.

A arte nessa caminhada é tecer. Nunca vi uma trama linear a ponto de não haver desvios, pontos soltos, frases mal colocadas, diálogos inexistentes. Talvez a melhor experiência nesse âmbito foi o interlúdio. Uma série de textos que exigiam diálogos entre os personagens que simplesmente não falavam, existiam dentro de si e apesar de estarem na mesma cena, foram capazes de seguir, tecer é o verbo.

Para não ficar tão ridiculo, serei ridicula ao explicar que os personagens que me refiro não são apenas os escritos, são os imaginados, o tempo todo, para cada ato que se repete nesse espetáculo-picadeiro. Mudam os atores, o roteiro, porém, ah meus personagens!

vazio na alma

Essa noite eu senti um vazio que suprimiu meu coração. Diferente dos outros vazios, que ardiam no estômago, como uma ânsia desesperada, que espera o destino na soleira da porta, hoje, pela primeira vez eu senti meu coração doer.

Está frio, o tempo levemente úmido e eu peguei meu cobertor verde, felpudo com listras brancas e cheiro de sol; o tenho desde criança. Ele tem cheiro de casa, de mãe e do sol forte que queimava nos varais do quintal da minha casa no interior. Sentei na sacada nova, enrolada no cobertor e senti vontade de chorar.

Antes resisti, dei duas voltas no meio da sala e rodopiei para cá, onde estou ainda, observando a noite, a brisa e ouvindo alguém mexer na lixeira lá embaixo, na rua. O terceiro andar me proporciona uma convivencia conivente com a realidade alheia. É como estar entre o céu e o inferno, é como estar na vida, nas coisas casuais.

Tão de repente o cheiro de sol da minha coberta foi tornando sereno e por acaso minha mãe me mandou mensagem, totalmente inesperada e fora do contexto; disse para sonhar com o principe encantado e que me ama. Não sei se ela falava do principe dela ou do meu. Pelo menos ela ainda sonha.

Estou ouvindo the first day of spring, mas são os primeiros dias do outono que chegam por aqui; lentos, surgem como fumaça de chaminé, daquelas casas espalhadas; telhados distantes vão tramando entre si uma imagem aerea, uma tenue atmosfera aquecida.

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não fale de amor se não sabe falar de perdão;

Eu li esta frase hoje de manhã no twitter do Paulo Coelho, aquele escritor famosinho, sabem?

“Não falem de amor se não sabe falar de perdão”

Ui, que ardeu na alma um delírio, desses que viram martírio e alvorecem em meditação, transmutam brisa e desaparecem.

Depois de algumas escapadas alegres na vida mundana dos divertimentos noturnos que geram dor de cabeça e sono no dia seguinte, cá estou eu novamente; na vida sagrada – não muito.

Eis a rotina que me impõe horário para acordar, dormir, comer e até mesmo descansar; me disseram que ter esse ritmo proletário me atrasa muito no setor da criatividade e loucura. Pode ser que haja relação com aquela fase da vida que assumimos compromissos e nos chamam de adultos; logo falta dinheiro e sobra vontade de gastar – inclusive em divertimentos, viagens, essas coisas que nos aproximam das pessoas que amamos e de nós mesmos. Degustação.

Hoje eu abri a caixinha de correspondência e lembrei de alguns motivos que me fazem existir. Datas, prazos, vencimentos, compromissos. Sociedade organizada né?

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Preciosa

Vi o trailler hoje de tarde e chorei. Já tinha visto comentarios sobre o filme “Preciosa” e ontem, após assistir o Oscar me interessei mais ainda. Em tempos de super produções, um filme com histórias que transmitem realidade e emoção é coisa intensa; do tipo que eu gosto.

Spiritual guide – Empty

Esse é o nome de um incenso que eu tenho lá em casa: Spiritual Guide.

Na corrida da vida, faço um intervalo entre um café e outro, uma espiada nas notícias dos jornais e umas reflexões insanas.

- Quantas vezes eu não disse o que realmente queria? Quantas vezes abdiquei das minhas vontades secretas em prol do meu suposto orgulho, medo, ou as duas coisas juntas?

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The September Issue –

Hoje eu assistirei o documentário The September Issue, sobre uma das revistas mais importantes para o mundo da moda, Vogue. Relembrarei meus tempos de pré escola que eu sonhava ser editora da vogue; aí eu cresci e virei designer de moda, mas ainda tenho sonhos ok?

Anna Wintour, eu a admiro por tanta fibra diante desse mundinho que é cheio de jogos de interesse. Se aqui, no fim do mundo, já é minado de gentinhas escrotas, imaginem lá… no berço da revista que influencia VIDAS?

Confesso que estou um pouco atrasada, afinal o documentário é do ano passado e na moda, o tempo corre mais rápido que o normal.

da bailarina a trapezista (última)

E toda história, boa ou ruim, requer quebras de ritmo, paradoxos, sentimentos confusos, acasos e desastres; ítens obrigatórios que antecedem um belo desfecho.

Esse conto apático não detém tamanho envolvimento com essas regras. A bailarina não conheceu a trapezistas. Tão pouco eram a mesma pessoa. Não dançaram a mesma música, onipresentes num canto. Atonitas, seguiram sozinhas, passo a passo, num compasso particular.

Sem maiores suposições, teorias ou fantasias, o que uma quis dizer para outra, e quis falar para todos nós, é que às vezes, a história simplesmente continua, sem ninguém saber muito bem o porquê. Rodopia segurando a sombrinha;

Trapezista da rotina, tolera cambaleando as causas naturais; com graça e leveza vezenquando; raramente pode né?

da bailarina a trapezista (parte 2)

Excetuando a estética, ambas atuam a fim da mesma cena, seja na graça da ponta dos pés ou bamba de uma perna.

Retorna a casa e senta no mesmo lugar. Tudo escurecido e uma montanha de informações sobre o mundo e teorias da vida. O vestir, o que comer, o fim do mundo e o que pensar? Deixa para lá, o que ela quer ainda não revela, nem para si ou para o sereno leve que vem fresco pela janela.

Entre músicas, poemas e telefonemas afetuosos, busca uma história não muito inventada; mais perto de uma  legenda que transcende no alto das palavras banais: espírito, alma. Inclina-se a tortura das coisas reais. Assiste a uma programação intensa de ex amores e suas selvagens buscas casuais. Troca o canal e retorna ao degradê do acaso, silenciosamente falando besteiras, aguarda a surpresas do que já era de se esperar. Serena, finge que continua fingindo.

E na platéia…