Monthly Archives: maio 2010

Relembrar um amor e um livro

1. E muito a animava ve-lo subir e descer ruelas, apunhalar-se pelos seus próprios tropeços.
Fazia com que ela sentisse cada vez mais acima, e além.
Acima dele, e de outros, não de todos, mas além dele, que ela tanto quis uma vez.

- E no livro empacado, não sabia se ressentia cheiro de esgoto ou pinho sol, mas tava dificil escrever alguma coisa de fundamento!
Contava suas próprias historias, pensando que seria mais facil, e era, mas não funcionava na ocasião.
Então falava dos outros e dava no mesmo, logo não queria saber mais de contos.
A escritora estava em crise, e isso significaria que ela devia escrever, porque é no fundo da dúvida que surgem as palavras, os caminhos, ou a falta deles.

1. Enquanto ele usava as iscas mais infantis, na esperança que ela o procurasse para afagar suas culpas, como se fosse a salvadora de seus proprios karmas, ela desconectava dos caminhos, cortava os cordões, botões, e amarras. Arrancara de seu pensamento, e por lá ele já nao chegaria como uma vez alcançou. E também não sabia como as coisas retornariam, porque cedo ou tarde elas retornaram, e mesmo que ele rastejasse no chão, ela ainda o ignoraria com todo sarcasmo.
Não por orgulho, ou rancor, mas por mágoa da doação que ela ofertou. Estava ressentida com as atitudes e situações criadas. E se ainda falava sobre isso, pois pensava no retorno, idealizava como seria, pois de fato uma coisa é certa – ela não cederia como antes, as armas estavam nas mãos dele agora, e ela, só quer sentir o gosto doce do amargo líquido que jorra dentre outros amores.

- E talvez esta pudesse ter sido uma bela historia, e é. E quem sabe esse caos possa contar-lhe um segredo; o gran finale nunca chega ao final realmente. São as pontas soltas, as palavras não ditas, os momentos não vivídos que fazem da poesia simplesmente poesia.
E o que ficou para ela guardar, mesmo sem ela querer eram as memórias estampadas nas páginas da sua vida. E não eram em branco, eram repletas de rabiscos, um pouco com cara de rascunho, pouco capricho, muita intensidade de sensações, desde o auge da euforia, alegria, ao ápice da tristeza. Lhe contaram que trinta dias antes de seu aniversário ela viveria seu inferno astral. Então a culpa de tudo que aconteceu nesse intervalo é culpa do céu!
- Pronto falei!
E não sei porque ela se sente tão aliviada agora que sabe quem é o vilão…vai até criar um mantra pra comemorar e atormentar a cabeça desse malvado!
Os céus é que sabem o quanto clama!

-

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Quer saber quando recebe unfollow no twitter?

Dica para quem se sente abandonado toda vez que recebe um unfollow, descubra quem foi!! Se é paranoia ou algum complexo eu não sei, mas que é uma boa dica para manter-se no controle do seu login é!

Se você seguir o @goodbyebuddy ele lhe avisará por DM (mensagem direta);

Se você seguir o @followermonitor ele lhe avisará por mensagem aberta, o informando através do seu @ mesmo.

Não se sintam desamados caso recebam um unfollow, faz parte da vida e ajuda no crescimento e na aceitação da realidade. Levo a sério os filosofismos da vida aplicados a network, mas confesso que fico puta quando me excluem.

Fragmento – Debaixo das Rodas – Hesse

Mais um dia devorando Hesse. Pela primeira vez não me senti culpada por desfrutar de uma leitura agradabilíssima dentro do onibus, enquanto ia para Porto Alegre cortar o cabelo e tomar suco de laranja no mercado público, debaixo de um sol morno de outono, até cochilei um pouco. Quarenta minutos de estrada não é tempo para  fazer muita coisa, mas o suficiente para uma tarde de sexta feira, totalmente sem rumo concreto na minha vida profissional – por enquanto. Em outros tempos seria desesperador, e confesso que ainda hoje é, porém tenho andado disciplinada, fazendo o medo ser apenas parte do processo e não tomar conta de mim e tudo a minha volta.

Em Debaixo das Rodas, o personagem principal é um obstinado, assim como a maioria dos personagens do Hesse que tive prazer de ler.

“(…) tratou de imaginar o que seria a sua vida se não conseguisse entrar no seminário, se o pai não o deixasse ingressar numa universidade e os estudos fossem definitivamente vedados. O pai colocá-lo-ia como estagiário num escritório, ou numa loja de cutelaria, ou de laticínios, e toda sua vida estaria condenada a ser igual aquela gente simples, sem ambições, que vegetava na pequena cidade, gente que ele tanto desprezava e tão ardentemente desejava ser superior.”

Quanto a obstinação do personagem:

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Debaixo das Rodas – Hermann Hesse

Hoje a tarde precisei passar mais tempo na Feevale, o que me motivou ir até a biblioteca e procurar algum livro para mim. Costumo acreditar que os livros é que me procuram, principalmente quando me dirijo para as prateleiras de literatura alemã. Aleatoriamente fui passando os dedos, parei numa capa bordo e puxei. É Hermann Hesse, não casualmente meu preferido, o título Debaixo das rodas; nunca li.

Sentei no chão e abri o livro, notei uma marcação na página 4. Afinal, muitas pessoas esquecem seus recibos de  locação dentro do livro, e até aí tudo normal. Então eu li o recibo, era meu. Meu nome e a data seis de maio de dois mil e nove.

Costumo entender que meus ciclos são curtos e meu mundo é pequeno, as vezes parece que alguém sussurra nos meus ouvidos; e eu ouço e sei quem é, mas finjo que não sei, para não doer tanto e não alimentar loucuras, não quero acabar enchendo os bolsos de pedra, tipo Woolf né? Então li o trecho marcado do livro que eu não li.

” Poderia trocar de nome e de casa com qualquer dos seus vizinhos que ninguém daria pela mudança. No mais profundo de sua alma jazia uma não adormecida desconfiança e hostilidade contra toda  a força e personalidade que fosse reconhecidamente superior à sua; e alimentava uma aversão instintiva contra tudo o que fugisse ao cotidiano e ao rotineiro, tudo o que fosse mais livre, mais espiritual e mais sutil. Aliás, o Sr. Giebenrath compartilhava estes sentimenos com todos os demais pater familias da cidade.

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Cartolas – Cara de Vilão #nowplaying

Super hit da banda Cartolas, que volte e meia tocam aqui perto de casa, e com a banda dos meus ex vizinhos até. Adoro essa.

” Peço-te encarecidamente uma carta ou um presente para eu seguir em frente, mas só depois quero olhar denovo a sua cara de vilão, ou de canalha, outra coisa que valha… para só depois ver o meu sorriso encantador…

Peço-te um pouco de dinheiro, que dirá o meu espelho quando me vi tão cheio de opiniões. Chega de bobagem, pelo amor de deus, me dá uma dosagem para próxima viagem, para suportar, só para eu dançar mais uma vez….mas não quer dizer que eu nunca mais vou rir de tal situação com cara de vilão.”

*dançando e cantando*

Dia dos namorados – sugestão da Mundial

Como profissional da moda, não posso deixar de notar a importancia das estratégias de marketing em determinadas épocas do ano. As datas comemorativas, tal qual natal, dia das mães, dos pais e namorados são os campeões de vendas, afinal, existe um motivo para comprar; presentear.

Pensando nisso a Mundial resolveu investir num kit super fofo para o dia dos namorados. Pois é, a data está chegando, e tá na hora de ir pensando no que dar para o amado(a).

Os diferenciais desta linha são a nécessaire e a toalhinha que acompanham os utensílios auxiliando na organização, higiene e segurança ao carregar. O ar romântico dos corações torna o kit uma boa opção de presente para as namorada.

No kit constam:

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anti opinião, racismo, gremistas, gaúchos, terroristas…

Se tem uma coisa que me deixa irritada é gente sem opinião própria. E vim aqui relatar esse desatino, porque me coloquei a analisar ontem, após o jogo Grêmio e Santos, pela copa do Brasil.

Sim, vou usar o futebol como exemplo, ok?

Hoje de manhã vi em vários lugares da internet provocações dos colorados; para quem não entende de futebol e não é gaúcho, são os típicos torcedores do rival Internacional, eles faziam piadinhas e comemoram a derrota gremista no jogo de ontem como se ELES tivessem ganhado.

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nota – monólogo 2 Thelema

Esse é em tempo real. Biblioteca da universidade, silenciosa e grande, lotada de livros como deveria ser; em cinco anos é a primeira vez que me sinto completamente “acadêmica”.

Teoricamente, metodologicamente, hipotéticamente, e por aí andam os acadêmicos.

Tem gente que não tem a oportunidade de análise, ou auto análise, que seja. Ficam por aí, respirando e inspirando sonhos, pensamentos descompassados que não transformam, não evoluem, não potencializam o ser.

Eu acho engraçado quando ouço discursos decorados de páginas do google, pois foi-se o tempo que se copiava os impressos. Repetem sem elaborar, dão respostas prontas, como se na vida real nossas opções fossem “de marcar” ou “de completar”. Verdadeiro e falso, apartir de conceitos pré estabelecidos por outros autores, enfim, seja na vida academica ou na espiritualidade ou filosofia, vejo as coisas assim; rotuladas.

Já me disseram que eu desacreditei de deus e da minha espiritualidade descomprometida de religiões, só porque parei de procurar nos módulos estabelecidos por outros alguma verdade que eu mentirosamente “me encaixe”. Estou deixando a vida acontecer, rompendo os laços e fortalecendo meus desejos. Sou Thelemita sim, mesmo que totalmente desvinculada de qualquer  segmento, ordem, ou grupo.

Mas não sou uma thelemita acadêmica. Posso ser e ter uma vida agitada, viver constantemente numa montanha russa de sentimentos, mas quem não vive? Uns mais outros menos, mas todo mundo ali, para cima e para baixo. Apesar disso, sou silenciosa e grande, como essa biblioteca da universidade.

Foi-se o tempo dos Malditos?

A geração Y tão comentada por aí, em revistas e sites, é um público estudado por muitos antropólogos, e coisa tal. Nós.

Toda a galera que nasceu entre os anos 80 e 90 e poucos, dominados e supostamente dominadores da internet, e outras tantas tecnologias que nos prendem em casa, são considerados pelos estudiosos como os Y.

Olhando para trás, não muito, víamos jovens mais atuantes na sociedade. Essa é uma afirmação clichê, mas não deixa de ser verdade. Hoje são pessoas individualistas, egocêntricas, e sem nenhum ideal comum. Movimentam-se conforme as modinhas; as mega tendências de comportamento ditam não só o que vestir, mas o que ouvir, o que ler, o que comer. Exatamente assim, massacrados pelas aparências e status, estamos buscando a identificação comum no “diferente”.

Assim, queremos ser diferente da maioria mas muito igual ao grupo que nos interessa, mesmo que esse grupo não passe de uma mera ilusão irreal, mesmo assim, queremos nos identificar. Só isso?

Uma juventude sem valores filosóficos, abandonados por deus, descrentes do próprio futuro, e insanamente correndo atrás do próprio rabo, como cães sem rumo.

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meu vestido bege tem poder.

Comecei a gostar do vestido bege com uma gola escrota que não abre e nem fecha, quando associei ao rufo do período gótico. Claro, são bem diferentes, porém toda gola que afasta a pessoa do meu lado e ergue minha cabeça para louvar a deus, para mim é rufo. Linguagem das roupas ora, semiótica né?!

nota – monólogo

Estávamos sentados no sofá de veludo, a meia luz. Eramos entre umas oito ou dez pessoas. No sofá apenas nós quatro. A mulher chilena, uma outra jovem com cabelo moderno, e um cara  bem vestido. Falavamos de moda, pesquisas, oportunidades, ríamos das pessoas. Falavamos descontraídos, havia vinho, cerveja, conhaque. Estava muito frio lá fora, foi quarta feira. Tocava blues, e também haviam cigarros e outros ambientes cheios de pessoas dispostas a conversar.

Não sei por que me lembrei disso agora, mas foi estranho e engraçado. De repente a chilena me pergunta se eu gostaria de ser mãe. Assim, no meio do assunto, moda, pessoas, oportunidades, trabalho, ela me pergunta e eu respondo rápido que sim. Ela insistiu perguntando: agora?

Hesitei por um segundo e reafirmei. Sacudi a cabeça e levei o cigarro a boca, disse que se caso acontecesse eu teria. Antes uma vida a mais que uma a menos. Ri. E ela disse que eu ainda era muito jovem, todos ali giravam entre os trinta e poucos anos e eu empolgada dizia radiante vinte e um.

A chilena falou com o seu sotaque bem carregado que é bonito, muito bonito ser mãe; se enrolou num encharpe de renda preto com fios prateados, pegou o copo e continuou conversando com o homem bem vestido, ele usava sapatos de couro e bico alongado.

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Não seguro karmas

Acho que foi o Niezstche que disse que felizes são os ignorantes que se contentam com qualquer coisa né? Era algo mais ou menos assim, acho.

Pois bem, sempre fui muito curiosa, e essa vontade de conhecer as coisas da vida que me impulsionou para frente, desde pequena, sempre assim. Aí o tempo passa e a gente se detém nas coisas da rotina, nas lutas diárias sem deixar o status e o conforto abalar.

Muitas vezes nem somos felizes no que estamos fazendo, apenas cumprimos com nossas tarefas por necessidade e comodidade, ou para provar para aqueles que nos importam o quanto temos capacidade de executar até o fim tal mazela que nos propomos.

É sempre assim, quem é que gosta de dar o braço a torcer? Quanto mais estivermos certos de que estamos no caminho da satisfação, mais argumentos teremos para justificar nossas idiotices.

Como um bando de crianças que se encontram no pátio da escola para a hora do recreio, medindo popularidade e desprendimento, bando de bobos. É como ser a professora do lado de dentro da janela, só observando tudo.

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Substituindo amizades?

Por vários períodos da vida acabamos nos afastando das pessoas que a gente gosta muito. Ou por motivos da vida, como quando mudamos de escola e deixamos os coleguinhas, ou mudamos de cidade ou simplesmente mudamos.

Todas as pessoas se transformam, e às vezes nem é preciso existir um motivo cruel para romper relações. Simplesmente a amizade não rende mais como rendia antes. Não rende para os dois lados. Quando a maior parte do tempo que se passa junto com a pessoa é para discutir sem ceder, para acusar sem acolher, enfim, essas coisas são tão normais.

Já me afastei de várias BFF ( best friend forever) no decorrer da minha curta vida. Algumas me decepcionaram de alguma forma imensamente maligna que conseguiram destruir qualquer fagulha de amizade ou consideração pelo passado. Deletei. Outras simplesmente tem vidas e perspectivas completamente diferentes das minhas, e naturalmente se deletaram.

Outras ainda, apesar da decepção por alguma birra ou outra, me afastei mas guardo um carinho imenso no meu coração e sei que se um dia eu vier a encontrar por acaso, vou encher de beijos; algumas, bem poucas, talvez uma.

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A adúltera

Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

Nelson Rodrigues

Feeling Good – Nina Simone #nowplaying

Porque para mim é uma das vozes mais lindas que já ouvi, afinada e melancolica sendo satisfeita.

Feeling good – letra para quem quiser.