Fantasmas do passado, karmas, macumbas, falecidos, assombrações, ora essa. Eu acredito nessas coisas, mas prefiro não falar a respeito para não atrair as energias; tenho corredor em casa.
Foto: misspandora.fr
Fantasmas do passado, karmas, macumbas, falecidos, assombrações, ora essa. Eu acredito nessas coisas, mas prefiro não falar a respeito para não atrair as energias; tenho corredor em casa.
Foto: misspandora.fr
Vocês viram os desfiles de moda masculina em Milão!? Aqui tem todos eles, verão 2011; e eu já tirei uma conclusão.
- O que já víamos antes nas ruas, agora se fortalece – os homens curtiram as calças curtas! Será que no Brasil vai rolar? Vamos esperar rolar um calorzinho, por enquanto aqui no sul só vejo polainas – que medo!
Não é falta de lirismo, tempo, disposição ou criatividade. É só falta de vontade para explicar, detalhar, ou entender tantos substantivos, adjetivos e coisas casuais.
Muita gente está enforcada nesse periodo, seja com trabalho, seja com culpa, seja com vontade não resumida. Pois é, isso acontece. Se o Cartola cantou que o mundo é um moinho, eu o vejo como um carrossel dinâmico – troca intensa de lugar.
Como na dança das cadeiras, um atrás do outro, a música pára e cada um senta no primeiro lugar vago. O divertido da brincadeira é ser realista – existem menos cadeiras do que pessoas querendo sentar. É claro, a graça é ver a pessoa que bobiou, demorou, não se ligou quê, sair da roda, perder a dança e o lugar na brincadeira de existir. Outro mais rápido, mais esperto, mais sensível ou perceptivel sentou-se bem.
Ontem fiquei pensando na facilidade que as pessoas tem em desmontar um preconceito ou só mudar de comportamente quando reconhecem uma caracteristica em comum com o objeto de estudo.
No meu caso, eu era o próprio objeto, num exemplo cotidiano e nada profundo. Eu era tratada com um certo desprezo por um pessoa que convivia, porém, no exato instante que ela conversou comigo e encontrou uma semelhaça supostamente tola, abriu um sorriso e passou a olhar no meu rosto quando estou por perto. Achei digno de nota. Quem sabe vamos prestar atenção nessas coisas mais sutis e casuais, dá para se divertir pelo menos, acreditem.
Quem me segue no twitter já deve ter reparado sobre o assunto NH Fashion Day né?! Então, o evento é amanhã, aqui em Novo Hamburgo, no Espaço TAO às 19 hrs.
Vão rolar desfiles, celebridades, frescurices e delícias em geral.
O bacana é que estou super inside sobre o evento pois, trabalho no núcleo de mídia social da agencia que está promovendo; J&J Comunicação. Por isso não vou me estender muito aqui sobre a noite de moda de NH. Todo mundo já para o blog NHFD e confiram o line up, celebridades confirmadas e tudo mais. O mais LEGAL é que tudo será mostrado ao vivo e online através do twitter @NHFashionDay e no blog – ou seja, eu estarei trabalhando, bjs.
Depois dos desfiles rolará uma festa, lounge da Save Club, comidinhas, champanhota e a coisa flui mais leve. Estarei no backstage e os colegas lá na frente cobrindo toda a entrada. Amanhã eu conto tudo, beijosmetuita.
Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir. Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo. Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido. Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto. Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado. Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala. Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento. Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso. O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano. Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor. Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido.
Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia. Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir. Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás. Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras. Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber. Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas. Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas. Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida. O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.
Fabrício Carpinejar
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Por que eu gosto desse texto e resolvi guarda-lo aqui, na Válvula.
Vi hoje de tarde no twitter da @nathaliagrun e quase morri rindo!!! Assistam, é sério, muito engraçado!
O que é o photoshop??? Morrién!
Para muita gente, mas muita mesmo, a vida inteira, o tempo todo, é um travesti! Eu podia ser um pouco mais filosofica e cair na linha dos personagens, mas não, minha teoria vai diretamente para avenida. Um travesti desmontado continua sendo exatamente o que é, mesmo sem as plumas, paetês, maquiagens, comportamento excêntrico. O personagem é construído por cima. Como se fosse um espírito encorporado no corpo de qualquer médium.
O personagem é, teoricamente, um ser a parte de nossas vivências, possui toda particularidade de um indivíduo, porém, naturalmente e diversas vezes combina com o que somos, ou secretamente desejamos ser.
No caso do travesti, é tudo que conscientemente queremos ser, e de salto alto! Pelo menos naquele momento de caça, em que os pavões abrem suas caudas lindas e tentam conquistar as femêas com barriga de tanquinho, ou braços fortes. Mais ou menos por aí, um misto de reino animal, travestis e personagens de Niezstche – to cada vez mais esquizofrênica, um dia desses ainda encho meus bolsos de pedra.
Eu não sei vocês, mas José Saramago marcou alguns momentos da minha curta vida. Ele morreu hoje, aos 87 anos em casa.
É claro, que Ensaio sobre a cegueira o popularizou, principalmente após o filme dirigido pelo Fernando Meirelles. Antes disso, bem antes disso, o livro foi meu companheiro de algumas noites insones. Depois, algumas trocas com pessoas que fizeram parte do mesmo eixo de cegueira branca.
Quem nunca sentiu em algum momento da vida que todas as pessoas estavam cegas e só tu podias enxergar? – Ver o evidente, e por isso suportar até as mais duras traições justificadas por selvagens impulsos irracionais?
Pois é, certamente perceber os sinais, as sutilezas e as conspirações da vida é um dos mais torturantes sentidos, quisera eu que todos fossem cegos e só seguissem impulsos, como animais sem consideração alheia ou sentimento, acima do bem e do mal, para compartilhar além do gozo indispensável e grotesco. Acho dramático demais isso tudo.
“Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.” Saramago.