Monthly Archives: dezembro 2010

Queda da Burberry

Tá bom, faz tempo, mas eu ainda acho engraçado.

- ah, a desgraça alheia…

imagem de hoje

Geni e o Zepelim

De tudo que é nego torto/Do mangue e do cais do porto/Ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,/Dos cegos, dos retirantes;/É de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina/Na garagem, na cantina,/Atrás do tanque, no mato.
É a rainha dos detentos,/Das loucas, dos lazarentos,/Dos moleques do internato.
E também vai amiúde/Co’os os velhinhos sem saúde/E as viúvas sem porvir.
Ela é um poço de bondade/E é por isso que a cidade/Vive sempre a repetir:

“Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!”

Um dia surgiu, brilhante/Entre as nuvens, flutuante,/Um enorme zepelim.
Pairou sobre os edifícios,/Abriu dois mil orifícios/Com dois mil canhões assim.
A cidade apavorada/Se quedou paralisada/Pronta pra virar geléia,/Mas do zepelim gigante/Desceu o seu comandante/Dizendo:

“Mudei de idéia!
Quando vi nesta cidade/Tanto horror e iniqüidade,/Resolvi tudo explodir,/Mas posso evitar o drama/Se aquela formosa dama/Esta noite me servir”.

Continue reading

depende da minha janela…

imagem do dia

metalinguística indígena

[esse texto foi editado hoje (6.12.2010) mas existia nos rascunhos...]

Um dia desses, estava andando na rua e passei por duas crianças indígenas conversando entre elas numa linguagem totalmente desconhecida para mim.

Nem preciso salientar que eles estavam de pés descalços, corroídos pela sujeira do centro da cidade e, comercializando seus artesanatos de vime.

Me incomodou profundamente o fato de eu não compreender uma só palavra do diálogo dos dois. Me senti imensamente ignorante e desprovida de qualquer senso de realidade.

De que adianta sabermos inglês, porque o mercado de trabalho exige para as negociações internacionais, ou francês para arriscar um pseudo charme?

No Rio Grande do Sul, muitas escolas adotam o idioma alemão em seus currículos, pois a maioria das cidades colonizadas valorizam suas origens rurais e desprovidas de conhecimento intelectual entre os imigrantes, mas sabem engrandecer o trabalho duro, seja ele nas lavouras, plantando batatas, ou dentro das fabricas produzindo séries e séries de quaisquer coisas. A cultura desse povo europeu tem valor e deve permanecer viva por gerações.

Continue reading

Promessas de ano novo?

O que esperar de uma pessoa que mora há quase um ano no mesmo apartamento e ainda não pregou os quadros nas paredes e nem pintou com as cores indicadas pelo feng shui?

Promessas de ano novo assaltam os dezembros, planos de reveillon, presentes para os queridos, e uma repetição teatral e quase automática das mesmas emoções.

No ultimo mês do ano tudo passa mais rápido, ilusóriamente encerramos os ciclos repetindo os gerúndios. Temos pressa, queremos paz, somos livres e toda aquela coisa falsa e costumeira, afinal, se tudo fosse como dizemos que é, ou gostaríamos que fosse, nos detalhes da rotina superaríamos as adversidades e não nos deixaríamos corromper dramaticamente por coisas tão banais e mediucres, não é!?

Mesmo assim, não deixe de prometer que ano que vem tudo será melhor, pular sete ondas, comer lentilha, abraçar os parentes, dar presentes, ” porque é dando que se recebe”, e todo aquele clichê que nos transforma em senso comum, e aproxima as pessoas num mesmo nível de complacência e afasta as diferenças, sejam intelectuais, espirituais, ou até mesmo financeiras; no fim das contas, na rotina expressa, somos todos macacos batendo palmas pra vida.

Especial scenes

sem remorso do espelho

Aceleramos no final da adolescência, insensatos, mensuramos um futuro que jamais existirá, mesmo que seja arquitetado fio a fio, a vida irá eternamente surpreender, estragar o domingo de sol com chuva e, nesses momentos esperados, paramos para esbravejar qualquer coisa sobre o fim dos tempos.

Apesar da minha juventude iminente, meus olhos cansavam quando via meus amigos, da época que eu tinha um grupo mais sólido, casados, grávidos, e até bem empregados. Naturalmente, desde o dia do meu nascer, me sinto atrasada, como se o meu acelerar não fosse o suficiente para alcançá-los. Eles eram a minha referência de tempo e crescimento.

Com esse passar de anos, fui percebendo que eu independia desse ou qualquer grupo, apesar de ter precisado estar com eles para ter uma referência de vida e maturidade, que até então não entendia.

Minhas relações familiares apontavam um destino, enquanto com os amigos do grupinho eu aprendia que poderia encontrar outro porvir. Porém, foi quando me desprendi da coletividade que encontrei o que hoje eu sou, ou consigo ser.

Continue reading