Eu estive confusa, calada e com medo. O ano terminou assim para mim, cheio de perguntas, dúvidas e algumas feridas. Seria inteligente da minha parte aproveitar toda a bondade servida a mesa, sem que eu pudesse se quer lembrar das coisas ruins ou nem tão ruins assim, que passei nesse ano.
Reveillon é sempre isso, uma pausa etílica pra fazer novas promessas, renovar os votos e deixar a coisa andar; a vida.
Foi quase doído não ter relembrado as palavras amargas que ouvi, falei, arremessei ao mundo. Outras doces, outras líquidas, voláteis e singelas.
Me ensinam a falar das coisas boas, só para atrair novas coisas boas, porém é indispensável reavaliar, com humildade e desprendimento, não apenas o ano, mas a vida, e todos os dias, pois ocultar as sombras é promover a cegueira diante da luz.
Estou satisfeita na minha confusão bipolar, tri, quadri…embaralhando as cartas, escondendo os blefes, olhando nos olhos dos adversários, e sorrindo, afinal, apesar da maresia do meu reveillon ter balançado minhas lembranças, as ondas quebrando, uma atrás da outra, fortaleceu minha certeza de que os ciclos nunca terminam, apenas perdem seus vícios.