Monthly Archives: fevereiro 2011

nonsense note

Ai dessa minha ansiedade de coisas bonitas, concretas e idealizadas. Tenho comido bananas para melhorar meu estado, afinal, quando as transformações começarem meu organismo estará preparado.

Frida Kahlo italiana

A Marie Claire Italia trouxe como editorial para a edição de março a mexicana Frida Kahlo. Com os looks de Roberto Cavali, Blumarine e Yves Saint Laurent, a produção foi completa ao retratar o estilo da artista mexicana.

As cores quentes, as estampas, os bordados, as rendas, as formas amplas das roupas com algumas peças cropped, além dos acessórios pesados como correntes prateadas e pinjentes cristãos misturados as flores e tranças, tudo tão fiel a Frida e tanto quanto com as marcas acima citadas, não acham?!

A modelo Emily Senko posa para a editora de moda Elisabetta Massari.

O Vencedor – Los Hermanos

Olha lá, quem vem do lado oposto/ Vem sem gosto de viver/ Olha lá, que os/ bravos são/ Escravos sãos e salvos de sofrer/ Olha lá, quem acha que perder/ É ser menor na vida/ Olha lá, quem sempre quer vitória/ E perde a glória de chorar/ Eu que já não quero mais ser um vencedor/ Levo a vida devagar pra não faltar amor/

Olha você e diz que não/ Vive a esconder o coração/ Não faz isso, amigo/ Já se sabe que você/ Só procura abrigo/ Mas não deixa ninguém ver/ Por que será?

Eu que já não sou assim/ Muito de ganhar/ Junto às mãos ao meu redor/ Faço o melhor que sou capaz/ Só pra viver em paz.

O tédio do Pessoa

Trecho do livro do Desassossego, do Fernando Pessoa, e aquele  seu tédio evidente!

“Há sensações que são sonos, que ocupam como uma névoa toda a extensão do espírito, que não deixam pensar que não deixam agir, que não deixam claramente ser. Como se não tivessemos dormido, sobrevive em nós qualquer coisa de sonho, e há um torpor do sol do dia a aquecer a superfície estagnada dos sentidos. É uma bebedeira de não ser nada, e a vontade é um balde despejado para o quintal por um movimento indolente do pé à passagem.

Olha-se mas não se vê. A longa rua movimentada de humanos é uma espécie de tabuleta deitada onde as letras fossem móveis e não formassem sentidos. As casas são somente casas. Perde-se a possibilidade de dar um sentido ao que se vê, mas vê-se bem o que é, sim.”

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Expressão nowhere

- Nowhere (Estrada para lugar nenhum) James Duval – 1997

Xingo muito no twitter!

Esse texto não é sobre a importância e a desimportância da sua empresa estar conectada nas redes sociais. Também não falarei sobre a destreza dos operantes dessas mídias, e nem a relação entre conteúdo e relevância das mesmas.

Falarei sobre você funcionário saturado de tanta palhaçada nessa vida e que xinga muito no twitter!

Todo-mundo-sabe que desde que o mundo se industrializou os proletários se juntam, seja na hora do cafézinho, do almoço ou nos intervalos comerciais para apontar as falhas administrativas que percebem em seus meios de trabalho. A questão é que com a internet esse singelo reclamar se transformou numa avalanche opressiva, e trouxe a censura a galope!!

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My way

“E agora que o final está próximo/ Então eu encaro a cortina final/ Meu amigo, vou dizer claramente/ Vou relatar meu caso, tenha certeza/ Eu vivi uma vida que foi cheia/ Viajei por cada uma e por todas as estradas/ E mais, mais que isso/ Eu fiz do meu jeito. Arrependimentos, tenho poucos/ Mas então, de novo, Poucos demais para mencionar/ Fiz o que tinha de fazer/ E fui até o fim, sem exceção/ Planejei cada curso projetado/ Cada passo cuidadoso do percurso/ Oh, e mais, muito mais que isso/ Eu fiz do meu jeito.

Sim, houve vezes, eu sei que você sabe/ Que abocanhei mais do que podia mastigar/ Mas apesar de tudo quando havia dúvida/ Eu comia e cuspia/ Enfrentei tudo e me mantive no alto/ E fiz do meu jeito/ Eu amei, eu ri e chorei/ Tive minhas falhas, minha parte perdida/ E agora as lágrimas cessaram/ E acho tudo tão incrível/ Pensar que fiz tudo isso/ E posso dizer sem me acanhar/ Oh, não, eu não/ Eu fiz do meu jeito.
O que é um homem, o que ele tem/ Se não for a si mesmo, então ele não tem/ Que dizer as palavras que sente/ E sim as palavras que ele exprime/ O registro mostra que tomei fôlego/ E fiz do meu jeito/ O registro mostra que tomei fôlego/ E fiz do meu jeito….”

Nina Simone – My Way.

Humor em movimento

Alta Costura da míséria

“Para cada Miucha Prada e Pucci há um Giorgio Armani, que nasceu numa cidadezinha de Milão tão agressivamente bombardeada pelos aliados durante a Segunda Guerra Mundial que ele perdeu todos os seus amigos num único dia. Num outro dia um cartucho de espingarda que encontrou na rua explodiu quando ele se inclinou para dar uma olhada. Ele passou quarenta dias na ala dos queimados e ainda tem cicatrizes. Madeleine Vionnet, contemporanea de Chanel e “rainha do corte enviesado”, nasceu na sujeira e na pobreza en Chilleurs-aux-Bois, em Loiret. Sua família a fez aprender os fundamentos da costura aos 11 anos; aos 18 ela já havia casado e se divorciado, e estava trabalhando num hospital de Londres como costureira, consertando roupa de cama rasgada. Louis Vuitton veio de uma familia de agricultores nas encostas dos Alpes franceses; aos 13 anos saiu de casa e foi para Paris, onde trabalhou como ajudante de estábulo até conseguir aprender a fazer malas. Em 1854, com nada além de suas ideias sobre como se devia construir uma boa mala, ele abriu a sua primeira loja, na Rue des Capucines. Thierry Hermés ficou órfão aos 15 anos, depois de todos os seus parentes e irmãos terem morrido de diversas doenças durante as Guerras Napoleônicas. Andou vagando um pouco e depois se estabeleceu na Normandia, região que concentra criadores de cavalos da França, onde aprendeu a fazer arreios. Em 1837 ele abriu a sua própria em Paris (perto da Vuitton) e seguiu em frente, fabricando os mais belos arreios, selas e posteriormente – isso mesmo – bolsas.

Fica-se tentado a pensar que o gene da coragem de impor ao mundo uma visão pessoal da beleza é localizado no cromossomo que também determina a capacidade de criar um objeto simples, belo (uma bolsa, um chapéu, um vestido), para o qual todas as pessoas do mundo pagarão quantidades assombrosas de dinheiro.

Os biógrafos de Chanel supõem que ela era capaz de ousar tanto quanto ousou porque não tinha nada a perder, querendo com isso dizer que ela não tinha familia, marido, nome e nem dinheiro.  Outra coisa que ela não tinha era segurança. Se seu negócio fracassasse, ela perderia o patrocínio de Balsan e Capel, que não tinham a menor obrigação de ajuda-la. Ao contrario de Blanche Dubois, ela não contava com a bondade de pessoas estranhas, mas com a bondade de homens de negócios, o que envolve muito mais risco.”

Trecho do livro “O Evangélho de Coco Chanel”

espelho deturpado

Uma coisa é bem certa: a vida nos dá espelhos; pessoas incríveis que admiramos e pessoas podres que odiamos.

Com um pouco de atenção e perspicácia conseguimos notar que há algum comportamento em comum com o que já vivemos, ou sentimos em algum momento de nossa existência, ou viveremos, sentiremos, ou não.

Importante é perceber que todas essas gentes que cruzam nossos caminhos estão aí para mostrar que por mais que um dia estejamos vivenciando seus papéis nesse show, sendo os opressores ou os oprimidos, podemos usar como exemplo para refletir e inspirar:

- como agir ou como NÃO agir.

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Entre um cactos e um cachorro

Na vida tem tempo para tudo, e geralmente quem diz isso são nossos pais, avós e gente meio cansada da vida. Eu não.

Eu comprei uma violeta quando vim morar nesse apartamento, faz um ano que ela existe aqui e nunca deixou de ser verde. Claro, as vezes não tem flores, como agora, mas está cheia de novos brotos. O contrário aconteceu com a pimenteira, que secou inteira na mesma semana, e olhe que ela recebeu os mesmos cuidados. Agua, luz, passeio na sacada, no calor da cozinha, no frio do banheiro, nada. Ela não se adaptou. Agora comprei uma folhagem grande, afinal, com esse tempo que moro aqui, se dei conta de manter uma delicada violeta, uma planta de folhas largas e verdes, poderiam bem ocupar o espaço na sacada. Não me arrependo e estou cheia de orgulho, pois ela está com novas folhas, porém verdes mais claras.

Eu gosto das minhas plantas, converso com elas e isso aprendi com minha mãe. Não tenho animais de estimação, acho dificil cuidar. Creio que ter uma folhagem em casa é o interludio entre um cactos e um cachorro.

Cactos são muito melancolicos, acho muito baixo astral, e um cachorro num apartamento pequeno como o meu seria uma maldade, uma gaiola.

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O find tá aí

“Abraça tua loucura antes que seja tarde demais”

” Seus olhos tinham ar do mar. Tinham a cor exata de quem por muito tempo, todas as horas, durante todos os dias de muitos meses e anos, olhou detidamente o mar. Conquistara esse verde móvel, inquieto, esse vagar. Tocou de leve minha mão estendida. E se foi. Ainda chovia. Fechei a porta às suas costas. Por entre os roxos e amarelos da pequena vidraça vertical, podia perceber a silhueta de alguém se afastando. Dentro de uma noite de sábado, não de agosto. Era novembro. Bebi outro gole de conhaque. Fui escorregando para o fundo, no meio das almofadas. Amanhecia. Na casa em frente, os ruídos tinham silenciado. Seria um longo domingo. Não estava triste, mesmo assim recomecei a chorar enquanto ouvia outra vez o aviso guardado para sempre na memória das paredes:

— Abraça tua loucura antes que seja tarde demais.”

Trecho do conto “O Marinheiro” do Caio F. Abreu.

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O trabalho faz isso com você?