Monthly Archives: março 2011

Sólidos que me agradam

Sem enredo, só por materializar.

O vazio do Pessoa

Tudo isso está vazio, até na ideia do que é. Tudo isso está dito em outra linguagem, para nós incompreensível, meros sons de sílabas sem forma no entendimento. A vida é oca, a alma é oca, o mundo é oco. Todos os deuses morrem de morte maior que a morte. Tudo está mais vazio que o vácuo. É tudo um caos de coisas nenhumas.

Se penso isto e olho, para ver se a realidade me mata a sede, vejo casas inexpressivas, caras inexpressivas, gestos inexpressivos. Pedras, corpos, ideias – está tudo morto. Todos os movimentos são paragens, a mesma paragem todos eles. Nada me diz nada. Nada é conhecido, não porque o estranhe mas porque não sei o que é. Perdeu-se o mundo. E no fundo da minha alma – como unica realidade deste momento – há uma mágoa intensa e invisível, uma tristeza com o som de quem chora num quarto escurto.

Fernando Pessoa, op. cit, seção 196, p.203

notas psico-astrologicas

Acho que sofri um bloqueio psico-astralógico. Digo astral pois meu horóscopo recomendou que nos próximos dias eu me recolhesse com minh’alma para analisar questões internas. E alguém acredita em horóscopos, oráculos, ou opiniões alheias?

Fico sempre tentando entender por que tem gente que não gosta de determinadas pessoas pela maneira que elas levam/encaram as suas próprias vidas, e isso não tem nada a ver com as suas. O mundo é gozado mesmo.

Se recolhimento é necessário, respeitarei o sol na casa doze e a lua na casa oito. Pois se o senhor é meu pastor e nada me faltará, acho que posso relaxar ali na sacada enquanto bebo um café e conto estrelas. O tempo é tão incrível, ainda mais o meu, que séculos duram meses e esse é quase um fardo pesado demais para tolerar, se me comparar com os outros, os banais.

Viva ao bloqueio psico-astrologico da semana! Viva a indiferença e a apatia! Viva ao que você quiser nomear.

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Suaves mudanças

Quando eu já acreditava que nada seria diferente do que já foi, veio uma surpresa envelopada na minha caixa de correio. Sem deslumbramentos, fireworks ou coisas assim, simplesmente aconteceu. Aconteceu diferente, suave como uma pétala na brisa.

Foram passando os dias e surgiram as divergencias, mas como podíamos usar da nossa lucidez para todo o enigma, superamos os becos do labirinto cotidiano. E assim tem sido. Meus dias diferentes, com afeto que eu nem imaginava ser possível vivenciar, ainda mais de maneira assim, tão genuina.

Tudo pode mudar do lado de fora, as paisagens mudam conforme as estações, mas o melhor fica aqui dentro, e muda. Ainda mais agora que sente o quão promissor é desapegar de velhos padrões e acreditar na transmutação. Ainda bem!

Street Style lá em casa

Tenho atentado meu olhar às casas; digamos que meu olhar fashion saiu do street e entrou num ponto de partida – literalmente. Há tempos venho divagando sobre a origem dos lifestyles e a cada dia vou chegando mais perto de argumentos convincentes, aliás, eu mesma tenha vivido esses momentos naminha humilde vida e por isso me convenço de suas veracidades banais.

Apartament Therapy

Para quem aderiu o hábito de visitar blogs de streetstyle, e além de olhar, mas também se inspirar – para não dizer copiar – looks e estilos vistos por ali, sabe do que estou falando. Tudo absolutamente normal, minha psicologia de banca de revista confirma que essas inspirações e admirações são até saudáveis em algumas fases da vida.

Conforme vamos crescendo [ não necessariamente envelhecendo, mas naturalmente sim] e encontrando nossa individualidade, alguns traços vão se tornando mais firmes em nossos visuais e claro que é mais perceptível no vestuário.

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Não-Humor

Poderia inventar uma história e chamar de conto, crônica ou poema e aí desandar todas minhas angustias, mas prefiro não seguir esse caminho agora.

Chegar no estado de inércia requer motivos profundos, não são fatores superficiais que nos deixam assim, com gosto de isopor e sem medo do ridículo. É muito mais fácil um dia de cão, daquele mal humor brabo, nojo e repulsa de qualquer coisa do que esse gosto de nada, cheiro de nada, vontade de nada.

Silencio sepulcral, olhos desorientados, e uma brisa de mudanças; será que estamos tão desacostumados às transformações ou nos apegamos rápido em qualquer circunstância para nos agarrarmos a lama do vazio?

As vezes eu penso que esse suposto vazio é o lugar mais seguro, onde só cabe nós mesmos e mais nada. Um nada cheio de coisas particulares, sombras e quietude. Um lugar no tempo onde ficamos mudos, onde olhamos em volta e vemos com mais clareza que realmente não estamos prontos para os súbitos, os sustos, os nadas cheios de coisas dos outros.

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Pomplamoose, sabe?

Não é de espantar a quantidade de views nos vídeos postados por essa dupla californiana. Pomplamoose é o nome desse casal de namorados Nataly Dawn e Jack Conte que tem feito muita gente se curvar aos covers.

O que eles fazem é uma espécie de interpretação de músicas super conhecidas, clássicas, e publicam no formato de vídeo. Sem nenhuma frescura cinematográfica – ou a não-frescura é a estética deles – e muita edição de video nas produção das gravações, o que é o inteligente do lance deles e  dá esse resultado tão bacana e digno de curtir na playlist da tarde, não acham?

aerosmith ficou tão fofo nessa versão. E que tal Little Things?

Sem asfalto, só estrada

Ouvimos o rio, a montanha, o silêncio e nossa conversa.

Foi assim que vivenciei meu feriado de carnaval, indo, como todos os gauchos da região metropolitana, para o litoral norte. Porém meu namorado sugeriu um roteiro e eu acatei pela surpresa…

- Eram tantas borboletas, azuis, brancas, celestes. Faziam estripulia em frente aos nossos olhos, e eu só queria tocá-las, colocava as mãos para fora da janela enquanto andávamos montanha a cima, não queria capturar alguma, mas talvez por um despeito em querer para mim um pouquinho daquele ritmo, uma sincronia divina.

Me senti em outro mundo – Um mundo mais livre, solto, sincero. Não precisei ir longe, apenas mudamos a rota da Freeway por uma montanha escondida – esquecida?

Nesse caminho encontramos coisas estranhas, outras já conhecidas, imaginadas ou deduzidadas. Nesse andar entre terra e cascalho balançamos nossas vontades e coisas assim… Ali estão as fotos que não representam nenhuma gotinha das sensações que vivemos no caminho. Nosso destino não mudou, mas a nova estrada me encheu de fôlego… Entendam como quiserem.

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é para isso que servem os amigos

Um dos personagens atuais que mais me identifico.

Não há motivos para surpresas

Ranço para vilões

Galliano acabou?

John Galliano foi demitido da Dior e eu devia estar trabalhando – para não ser demitida também – ao invés de estar aqui opinando.

Sabemos que Galliano é um criador nato, importante no cenário atual de moda, inspiração e referência para aspirantes dos circuitos de moda internacional e que merece todo o respeito do mundo – da moda.

Uma pessoa pública; expressão anos 90 e defasada, por que com a internet até uma creyça que xingou nordestinos em são paulo teve repercussão na mídia, lembram?; Então como é sabido Galliano supostamente xingou pessoas em um bar parisiense, rebaixando essas mesmas por serem judeus. “Xingamentos anti-semitas” foi o que a mídia divulgou. No dia seguinte, em nota, a equipe de Galliano pediu desculpas pois o estilista estava embriagado e estressado devido a pressão da pré estreia da semana de moda de Paris.

Em nota na impressa:

Galliano foi detido na noite de quinta-feira, em Paris, por agressão e por ter proferido “insultos de caráter antissemita”.

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Meu mundo é O Barro

Hoje resolvi ouvir algo bem brasileiro, atual e comum. Valeu a mensagem, acho O Rappa uma banda incrível para o momento, tem personalidade, coisa que muita gente nem isso tem.

Letra: Meu mundo é O Barro – O Rappa.

“Moço, peço licença/ Eu sou novo aqui/ Não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui/Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui/

Eu tenho fé/ Que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé/Não é noticiário de jornal, não é/Não é noticiário de jornal, não é/

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