Monthly Archives: setembro 2011

O mundo acabou mas e daí?

A gente se perde no meio do caminho. É sério, a perdida é coletiva e o encontro é singular.

Não adianta negar, se alguém já parou para pensar… aí já foi. Alguma coisa já perdeu. Não estou falando em oportunidades perdidas, amigos, amores ou controle remoto. Quero dizer que a gente se perde em nós mesmos. É uma loucura!

Parece que o mundo está cheio de problemas, e a c-r-i-s-e matou a sanidade e sensibilidade das pessoas. A opinião individual é totalmente condicionada ao que os outros vão dizer. Tempos medievais os nossos. Eu nem acredito em crise, para mim é tudo especulação dos psicopatas que lideram o mundo – sim, o mundo. Do mesmo jeito que não dou papo pro aquecimento global. Eu separo o lixo, claro, mas é por que penso na vida dos catadores e tento facilitar as coisas para eles. É meu lado samaritano.

As vezes decidimos que vamos ser isso ou aquilo e no meio do caminho a coisa não faz mais sentido, tudo muda, a gente muda. E quantas vezes a gente insiste na tal da coisa porque aprendemos que é nobre persistir e desistir – ou mudar – é para os fracos?

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Visual Merchandising além da banalidade

Como transformar uma vitrine numa exposição de criatividade? Os exemplos abaixo me deixaram animada, ainda mais quando estou acostumada a ver folhas secas de plátanos no outono,  vasos de flores na primavera e outros “elementos naturais” atirados – literalmente atirados – nas vitrines da maioria das lojas de roupas daqui.

  
 


                  

Fotos: plenty of colour

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desorganização

algumas coisas não precisam de ordem, elas já estão na sua ordem natural, mesmo que a gente não entenda, sabe?

Foto: Ursus Wehrli

truque do fim de semana

Para quem tem sonhos….

 

McQueen – das chamas até as cinzas

McQueen  Fall 2003

 

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São tantas imagens

 São tantas imagens falantes e faltantes por essa vida real e virtual que as vezes faltam as letras, explicações demasiadas, ou desentendimentos propositais pra ilustrar poesia, ironia, e tal tal tal.

Hoje é dia dos veados, renas, bambis (?) e ovelhinhas <3

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Burberry Prorsum S/S 12

[youtube]fRR5YwDXMdY[/youtube]

acontece –

Short-movie Prada “animates”

[youtube]ZaAPJUirvX8[/youtube]

Vídeo com a coleção F/W 2012 da Prada – recortes e colagens…

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toda vez que a tosqueira entra pro mainstream eu comemoro. O mal-feito, mal-acabado, é uma das estéticas desconstruídas (ou nem construídas) que mais me identifico enquanto modista. Adoro o trash, faço o trash – disfarço minha falta de aptidão com blablabla.

White Nights

 

da série: coisas queridas, softs, e bonitas.

Obsessividade por cartazes

   

 

Via Design Sponge

 

Flecha

Tatuar-me-ei flecha, sem arco, só flecha solta, bamba, viajante.

Momento Moda NY



 Coleção decadente cigana; tecidos de cortinas e almofadas – momentos de falta de acabamento;

Clima dramático e fake.

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Eu, etiqueta

“Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome… estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente”

Carlos Dummond de Andrade; o cara da pedra no meio do caminho.

Café Gif