É nessa maldita insonia que me aprofundo, religo o computador em busca de entreterimento, esquecimento ou um pouco de sono, leio primeiramente:
Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente…
Talvez sejas a alma, a alma doente
D’alguém que quis amar e nunca amou!
Toda a noite choraste… e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh’alma
Que chorasse perdida em tua voz!…
Florbela Espanca - Livro de Mágoas
* Mas o que me conforta, nessa noite de sexta feira, é ouvir o som da cidade lá fora, e do meu mundo aqui dentro. Calado, distante, ameno e doído. Confusa eu bem sei, florido.
(…) Sou talvez a visão que alguém sonhou
Alguém que veio ao mundo prá me ver
E que nunca na vida me encontrou. Florbela Espanca




