Author Archives: Maíra Thums

Mãe de plantas

 

 

Sou uma boa mãe de plantas. Esses dias, uma delas floresceu linda, após um ano de cara esquisita, folhas murchas e opacas. Nunca deixei de cuidá-la. Mantive a rotina de água, poda, e conversas – sim, conversas.

A violeta que ganhei da minha mãe, quando mudei pro meu primeiro apartamento, há 3 anos atrás (após dividir com outros colegas durante 3 anos antes) sobrevive até hoje, e mais: a dividi em dois vasos, pois nesse tempo ela expandiu tanto, de um apartamento pro outro, de uma vida cheia de sol, calor, frio, chuva, casa cheia e solidão; e todas as oscilações possíveis – sobreviveu e cresceu.

Hoje, a violeta mora em dois vasos diferentes, uma na sala e outra na lavanderia, com as demais plantas. Lá, pega um solzinho diário, chuva vezenquando e ela fica junto com as outras, no mundo vegetal.

Assim como a violeta repartida, outras flores da estação habitam meu atual lar. Assim como a vida repartida, outras pessoas e interesses ocupam minha mente.

Continue reading

(…) intervalo

 

homem e máquina

Dentre tantos trechos em Macunaíma que arrancam minhas vírgulas, abaixo alguns relevantes na minha pesquisa atual:

[Até Macunaíma sabia que existe um “brasileiro falado e um português escrito”, ele estudou e foi aprendendo as duas variantes e escreveu até uma carta, quase um tratado, em português formal contando sobre a cidade de São Paulo, suas gentes e costumes. Ironia ácida (no capítulo IX).]

[Macunaíma passou então uma semana sem comer nem brincar só maquinando nas brigas sem vitória dos filhos da mandioca com a Máquina. A Máquina era que matava os homens porém os homens é que mandavam na Máquina… Constatou pasmo que os filhos da mandioca eram donos sem mistério e sem força da máquina sem mistério sem querer sem fastio, incapaz de explicar as infelicidades por si. Estava nostálgico assim. Até que uma noite, suspenso no terraço dum arranhacéu com os manos, Macunaíma concluiu:

- Os filhos da mandioca não ganham da máquina nem ela ganha deles nesta luta. Há empate.

Continue reading

na tonga da mironga do kabuletê

Eu caio de bossa/Eu sou quem eu sou/Eu saio da fossa/Xingando em nagô

Você que ouve e não fala/Você que olha e não vê/Eu vou lhe dar uma pala/Você vai ter que aprender/A tonga da mironga do kabuletê…

Você que lê e não sabe/Você que reza e não crê/Você que entra e não cabe/Você vai ter que viver/Na tonga da mironga do kabuletê…

Você que fuma e não traga/E que não paga pra ver/Vou lhe rogar uma praga/Eu vou é mandar você/Pra tonga da mironga do kabuletê

marasmo social

Não queria ser dramática – mas fazer o quê se nasci assim? – mas só acho que tô cansada de implorar que outras pessoas façam o que é obrigação delas.

claro que ninguém é obrigado a nada. eu não criei expectativas onde não existia, eu não me iludi de fantasias. essa história já passou. falo mesmo de obrigação e responsabilidade. coisa que já não existe nesse espaço.

quando um professor entra numa sala de aula a sua obrigação é dar uma aula – péssima ou ótima, mas tem de fazê-la.

quando um vidente abre as cartas na frente do cliente ele tem a obrigação de lhe dizer o futuro? nesse caso ele só tem que contar uma história, é a sua obrigação dar respostas – sejam verdades ou mentiras. só não pode ficar mudo.

Continue reading

Intervalo

O tempo não espera pra pegar um fôlego e continuar a corrida. O tempo só corre e corre sozinho. Eu queria correr na frente, mas na maioria das coisas corro atrás –  e que bom tanta disposição.

Meu namorado me disse que falar com entusiasmo é diferente de falar com prepotência. Tem gente que não difere, obvio.

To no intervalo entre um salto e outro, naquele momento que o joelho encolhe e as mãos se equilibram no ar. Salto felino.

Neguinho, macunaíma e monografia

Meu trabalho de monografia trata da identidade cultural brasileira por meio da literatura. Falo de mito, monomito e meu estudo de caso, Macunaíma: o Herói sem nenhum caráter.

O projeto já foi, a introdução também. Agora estou estruturando os capítulos e depois a conclusão, e confesso que é muito, mas muito mais simples do que imaginava - dá até uma preguiça macunaímica. Como meu método de pesquisa é bibliográfico e exploratório não vou entrar em pesquisa de campo nessa etapa.

Talvez quando transformar essa teoria em produto de moda seja necessário entender como o próprio brasileiro se relaciona com esses símbolos da nossa cultura e os consome. Ah, não falo de tucanos e bananas, mas alguns signos bem mais subjetivos, como a malandragem e a preguiça e todo o arquétipo do herói brasileiro.

Trecho da introdução do TCC pra justificar a escolha de Macunaíma: “ para Haroldo de Campos, em Morfologia de Macunaíma, na segunda etapa do enredo quando Macunaíma retorna a sua cidade natal e perde o casamento com “Vei” ao se enamorar por uma varina portuguesa, de acordo com a explicação do próprio Mario de Andrade, esse momento se trata de uma alegoria dos destinos do Brasil, que abandonara as possibilidades de construir uma civilização tropical e enveredou pelos caminhos europeus.”

Continue reading

Bloqueio explicativo textual

Eu já fui dessas que tinha toda necessidade do mundo em me explicar.

Tinha amigos que por hobby discutíamos sobre qualquer coisa. Eram amizades assim, pra debate.

Eu sentia uma ampla e abusiva razão em justificar minhas atitudes e opiniões sobre a vida. Sobre a vida coletiva e sobre a minha própria vida.

Continue reading

Ode ao burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o èxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
“–Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
–Um colar… –Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!”

Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Continue reading

Moda e Literatura

Entrevista com o estilista Ronaldo Fraga (objeto de estudo do meu projeto academico) para o programa Entrelinhas da TV Cultura.

Entendam como esses dois segmentos se entrelaçam de maneira tão direta!!!

ibagens

Continue reading

Não cumprimento conhecidos chatos

like a boss

Eu não mudei, apenas desisti de gastar energia socializando com seres que nada me acrescentam. Não finjo diplomacia, esqueço nomes e rostos facilmente, minha memória anda ótima.

Minha ligação espiritual com as coisas do além me despertam pras malandragens alheias; não que eu saiba sobre todos aqueles que não simpatizam comigo, minhas origens, minhas ideias, meu shape, eu apenas sinto.

Não invisto em relações que não rendem, não desenvolvem, nunca escondi esse preceito. Se estou errada, bem, tem dado certo pra mim até hoje. Me livro dos chatos com um clique real, ignoro existências. Só me incomodo-com-o-que-me-incomoda-em-mim [e isso é entre eu e eu] e o que me incomoda nos outros eu deixo apodrecer no tempo.

Continue reading

projeto de moda tcc 1 – parte 1 o sistema falho.

Tô sofrendo um bloqueio criativo diante dos processos do momento. Acho que meu dicionário de sinônimos não é suficiente para libertar a mente e me fazer viajar nos estreitos túneis desconhecidos entre minhas sinapses.

Apesar de qualquer avaliação, nota e aprovação – coisas que são importantes e eu nem vou colocar em dúvida a capacidade dos juízes [por enquanto] – é fundamental que nesse encerramento de curso eu possa expressar minha criatividade e minhas verdades por meio das artes que sustentam minha existência prática, na vida real com desconto de INSS.

Quero curtir esse processo todo, descobrir elemento entre os sonhos, entressonho.  Então, além das normas da ABNT e das pesquisas que eu nem acredito que tenham alguma relevância na prática – as farei – quero poder aproveitar a jornada.  Essa vontade de “me tornar” por meio do que eu considero autoral é muito mais importante do que a porcentagem de peças básicas, fashion e vanguarda num quadro de coleção  (se vocês tivessem assistido a apresentação dos colegas e vissem os apontamentos das avaliadoras diante disso, seria zorra total.) e pesquisa de público alvo de qualquer marca. Se eu ainda fosse apresentar meu projeto pro senhor Ronaldo Fraga, por exemplo (marca que estou trabalhando na pesquisa) e dissesse: me contrate, eu analisei todas suas coleções e ainda fiz uma inovação incremental para sua marca, MAS NÃO, é tudo de brinks, então POR QUÊ? PRA QUÊ?

Continue reading

Abrindo os trabalhos

expliquei que meus trabalhos de conclusão de curso finalmente começaram. (redundante!)

Pois meu assunto eleito nunca foi um segredo, a literatura é meu maior encanto e talvez me sirva como fonte de renda e bordado algum dia nessa vida, mesmo que eu nem saiba como tramar ou segurar uma agulha.

confirmaram meu orientador, professor mestre em filosofia. Espero que tudo aconteça bem, afinal o prazo de entrega do anteprojeto é daqui duas semanas e não escrevi uma linha oficial. Rascunhei a vida inteira.

Tá, agora preciso de uma inspiração para tema da coleção de outra disciplina, projeto de moda 2. Tem que ser uma obra literária ou um movimento específico. Mas qual? toda hora mudo de ideia.

Sugestões, amigos?

Confio em vocês.

Continue reading

foto

Sem referencia.