da bailarina a trapezista (parte 1)


Mesmo que haja graça e delicadeza, a trapezista não tem requinte e nobreza. A bailarina por si só é encantada, enquanto a outra em par com sua sombrinha só pode seguir  sua saga; ela caminha tênue.

Depois de almoçar sentou na sacada, enquanto na tevê passava o programa de esportes que ninguém olhava, seu som  misturava-se ao da rua; olhava as nuvens e procurava formas – nada além de psicodélicos e surreais formatos de nuvens. Apática, permaneceu com as pernas estendidas, observando o all star cor de sujeira que contratava com suas pernas brancas e logo o vestido curto, cor de caquí que salientava a sujeira da cor do all star. Usava óculos escuros para proteger-se dos raios solares; não eram totalmente escuros, num marrom degradê, passando da cor de caquí para cor de sujeira, ela assistia a vida passar.

Terminado o cigarro, levantou, pegou a bolsa e saiu. Antes de fechar a porta sentiu um cheiro de flores. Era o resto do incenso queimando no canto do corredor. Além de tudo isso era só uma lacuna, nem clara ou escura. Contrastava, salientava e por ora um degradê aglutiando tudo.

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