Era para ir levando o quanto desse, porque daqui a pouco as coisas iam mudar e tudo ia acontecer. Entende assim? Não era para durar, aquilo era uma maneira de viver o que tinha para cada dia, ir levando até a oportunidade surgir, porém fui vibrando naquela energia do temporario todos os dias, e o quando vi, muitos outros dias haviam se passado, e derepente as oportunidades também passaram, junto com o vento gelado do outono que senti na pele esta manha.
Foi aí que eu percebi que “um dia” já passou, e o que era para aguentar firme até ele chegar, e ele veio e foi embora, e eu nao vi porque estava ocupada demais com o que o temporario, o definitivo ideado já não era mais ideia. Ultrapassou a utopia, e agora era o não foi. O que é? Fiquei com o temporario, vivo com ele ha anos e assim é que ele tomou a forma de ‘permantente’.
Suspiro fracassadamente, os olhos do gato mentiram para mim.
Fica aqui, um trecho do meu livro, que tem título provisório, assim como o Temporario que ficou.
“Seu dilema começava por volta das dezoito e trinta de todos os dias ensolarados. Não sabia onde começava a noite e acabava o dia, queria medir o momento exato em que os dois se misturavam num só. Queria saber qual era o gosto uno desses seres, que não são homens, que não tem gozo, porém proporcionam prazer àqueles que voltam suas consciências a eles, os dois tempos. Daniel quer nomear esse tempo em que dois é um e a coisa toda é o próprio tempo. Desde que o mundo é mundo, os dias são medidos por eles mesmos, sabe-se que um acaba quando o outro começa e aí significa que algum deste mesmo tempo já se foi.(…)”
Ahhh meu querido Daniel… meu personagem inventado.




