Tem coisas que aconteceram na minha vida que eu só tenho consciência hoje, depois de muito auto-analise – leia-se paranóias constantes.
Lembro quando eu tinha dezesseis anos e conheci um garoto. Imediatamente eu me apaixonei. Ele era diferente sendo igual aos outros, ele era especial, único, ele era o cara dos meus dezesseis anos.
Naquela época eu ainda era virgem, apesar de todas as minhas amigas estarem em plena atividade. Naturalmente eu era estereotipada, pois pensem vocês: Cidade pequena, todos se conheciam e aquele ditado do “diga com quem andas” aplicava-se muito bem na prática.
Me lembro de estar com esse garoto numa festinha entre amigos, no tempo que as festinhas eram muito divertidas e qualquer gole de Martini era suficiente para aprontar loucuras. Não eram muitas as minhas loucuras, porém as da minha mãe…
Freud explica tudo, mas o que eu menos precisava naquela época eram explicações.
Eu era uma guria com cara de criança, bochechas coradas, cabelos compridos, olhos brilhantes. Eu me apaixonei por um garoto e logo comecei a minha vida-de-tropeços-em-relacionamentos.
Estava na festinha com o garoto e fomos para um dos quartos da casa, eu o adorava apesar de saber que ele ficava com outras amigas e conhecidas minhas – cidade pequena se sabia de tudo muito rapidamente – mesmo que eu nunca tenha sido especial para ele, eu o adorava.
Fomos para o quarto pela primeira vez e ele me perguntou se eu era virgem, e eu disse que não. Não transamos, nao fizemos nada, apenas dormimos, eu lembro. Não sabia por que tinha mentido naquela ocasião. Hoje eu sei.
- Ah, minha mãe!
Minha mãe repetia inúmeras vezes que os garotos só ficavam me procurando porque eu era diferente das minhas amigas, pois eu ainda era virgem e por isso eles queriam me comer e depois me deixariam – o que mamãe não disse é que essa regra valeria para sempre!
Hoje eu sei que eu menti para o garoto porque eu não queria que ele me deixasse. Ele me deixou, e continuou me deixando muitas outras vezes.
Eu não queria um cara para cuidar de mim como se fosse meu pai, ou um herói, apesar de hoje eu ter consciência de pequenos delitos no passado e alguns crimes banais não tão pretéritos. Naquela época e ainda agora só quero uma coisa: poder ser única e especial para alguém.
Obviamente nunca falei dos meus sentimentos adolescentes para o garoto, afinal meu orgulho e senso de realidade não permitiam, ora o cara um dia estava comigo e no outro correndo atrás das minhas amigas ou qualquer outra e assim por diante.
Isso já não mais importa, mas a minha mãe, ah a minha mãe sabia exatamente o que estava falando, e eu?
Eu menti, sorry.




