E quando eu tentava imaginar como ele viria, logo surgiam muitas possibilidades, daquelas bem absurdas tal qual o pensamento feminino é responsável. Preenchia todas as lacunas com romantismo e poesia, pensava mais no entorno do que nele próprio. Logo as imagens esfumaçavam e eu anelava a angustia.
De tanto que clamei aquele laço, um dia alguém perguntou como eu o imaginava, e pediu que eu descrevesse. Foi então que fiz um breve silêncio; ousada me perguntou de onde e como ele vinha, e então mantive a quietude.
Me dei conta que não era ele que eu queria, mas o fato de estar envolvida numa relação sem forçar nada. Eu queria poder amar da melhor forma alguém que ainda nem existia.
Eu amava errado por amar o amor que em mim existia?
Seria errado querer dividir tudo que eu tinha sem pedir nada em troca?
Contudo, eu queria algo em troca, eu queria aquela presença, sem forçar nada. Natural, leve, por acaso, num dia cinza, um sorriso bobo, essas coisas.




