Hoje eu estava pensando no dia da minha formatura na graduação – vai demorar! Acabo fazendo poucas disciplinas por semestre e assim vou alongado meu periodo na universidade, o que por um lado é positivo, meus estágios se arrastam e posso manter minha conta universitária no banco do brasil com tarifas ” reduzidas”. Por outro lado, cada dia é mais insuportavel tolerar as pessoas do curso, principalmente o pessoal mais jovem.
Minhas colegas de escola, lá de Cruz Alta – RS, dos tempos da 5º série, já estão se formando na faculdade, elas escolheram profissões de “estudar” e não como eu, moda…. Lembro com carinho do recreio e dos sonhos, em que tudo parecia fácil, próximo e distante ao mesmo tempo. Um tempo em que os portões do colégio eram os limites que definiam status, amizades, relações, e tudo o que a vida real, aqui fora do portão, proporciona também, em maiores dimensões; sutis, ou não.
O tempo faz mudanças na gente, o tempo enruga a testa e embranquece os cabelos. Hoje fiquei pensando sobre o quanto me afastei do que eu era naquele tempo infantil e automaticamente das pessoas que compunham aquelas cenas. Um momento mágico para notar como a identidade pessoal se ressalta, desmascarando o coletivo, os grupinhos perdem valor quando conseguimos olhar para o rosto de cada um e identificar unidade.
É claro que muitos ainda precisam de seus bandos para se afirmarem, esconderem, ou sei lá, só curtirem os amigos. É natural, faz parte do pro-ces-so. Minha gangue adolescente acabou, o que ficou foram velhos amigos, pessoas que tenho muito amor, e outros não. Pessoas que me sufocam, me constrangem, me irritam, e que me proporcionam vergonha alheia por tamanha mediucridade. Isso tudo só porque eu me importo demais, cobro, exijo, invento personagens que não correspondem ao meu maravilhoso script… só que não dependo disso para existir, é um acessório, tipo uma clutchbag Chanel, coisa que pouca gente entende.
Sinto saudades, mas estou sempre esperando o novo, o melhor, a surpresa, porque eu mereço isso, todo mundo merece – tá, nem todo mundo, tem umas pessoas que podiam morrer que não fariam a menor diferença; desculpem a franqueza. Toda vez que vou para casa, porque eu ainda chamo de casa o lugar onde não vivo mais, eu sinto uma enorme alegria por estar com meus irmãos e familia, embora briguemos depois de dez minutos. Minhas amigas mudaram, eu mudei, o coletivo mudou, cada um deu vida propria ao personagem que já dava sinais de querer nascer. Eu fico muito feliz por isso, só me dá uma ânsia, uma angustia, um aperto, uma vontade de vomitar, de sair correndo, de cuspir nas pessoas, de atirar tomates, enfim, toda festa é sempre a mesma festa. Todo drama é sempre o mesmo drama. Tá na hora de eu remontar esse tal de meu script né?
ps: toda descrição é exagerada.





