
” O drama dos excessos”, esse é o titulo da reportagem que li nessa semana, com o psicanalista Cláudio Rossi, que fez a pergunta chave para resumir todas os meus dilemas atuais:
” que liberdade tem a pessoa que é obrigada a ser livre?”
Em todos os meus relacionamentos de casal, sendo eu mulher, heterossexual, com vinte anos de idade e cabeça de 90; sempre deixei muito claro a todos os que entraram na minha vida ou nas minhas pernas, que não queria nenhum tipo de envolvimento sentimental, porque acreditava que seria um impecilio para a liberdade adolescente tao almejada por uma jovem criada entre muitas restrições.
Hoje sabemos que a sociedade pressiona uma liberdade absoluta, tanto no trabalho, entre amigos, filhos, marido, mulher.
Não há regras, não há a mesma pressão por normas e ‘ bons costumes” como era há 3 décadas atrás. Existe tanta informação que a ânsia por novas experiencias e sensações invadem as pessoas, que esquecem de si mesmas e partem para a “vida”, rumam a liberdade que é tão enfocada pelo meio.
E nem preciso citar exemplos para ir além dessa conclusão-inconclusiva, porque mesmo que a ansiedade do novo tome conta de nós, seres humanos do século 21, ao mesmo tempo o vazio depressivo nos abate em alguns momentos, é inegavel. E não é pelo querer tudo o tempo todo, é por nao saber o que se quer, incertezas e mais incertezas, afinal, estamos cercados por um mundo de possibilidades.
O amor se perdeu entre a paixão e o prazer instantaneo, e hoje eu percebo que mesmo com essas trocas incessantes de parceiro, eu devia ter aproveitado as oportunidades que a vida me apresentou, construir um sentimento ao lado de outra pessoa, talvez os frutos de hoje seriam mais compensadores que a ‘desacompanhia’ das manhas de sábado e domingo. Ou não, porque não foi.
Mas quer saber? Eu sempre estraguei todos os meus relacionamentos, ou porque o cara era bonzinho demais, ou esperto demais, ou eu nem sentia nada além de emoção pronta para usar – Tipo Coup noodles - (?)
O segredo para que eu me apaixone por duas semanas é reagir as minhas ofensas e ameaças, se o cara nao reage eu já fico de cara, mas isso tudo é vaidade, birra e orgulho meu, indo mais fundo, passo a passo além do sexo, alem das noites de festa, além da liberdade e do ócio, encontro comigo mesma, detalhadamente, aquela fagulha de alma que escorre nos meus olhos quando me desespero e começo a chorar como uma criança perdida. Aquele pedaço de mim que sabe porque veio ao mundo, e quer imediatamente chegar lá, sendo que ao mesmo tempo o mundo toma uma dimensão gigante, como uma tsunami, encharca o Ser e faz com que às vezes eu nem saiba mais quem eu sou, o que é verdade, o que é mentira.
Então: Que liberdade tem uma pessoa que é obrigada a ser livre?
Não sei.
Busco no meu auto conhecimento, aproveitar o que mundo me proporciona sem exceder meus limites, estes criados por algo muito além da sociedade, do meio, os tais limites criados pelo o que eu chamo de alma, espírito resoluto.
Ouvindo: ” O rio fica lá. A água que correu. Chega na maré,
Ele vira mar…Como se morrer, Fosse desaguar! Derramar no céu, Se purificar…”
Na foto: Meu modelo preferido, com os meus olhos e meu beiço, meu irmao Arthur.




