Na dança das cadeiras


lolitas.se

Não é falta de lirismo, tempo, disposição ou criatividade. É só falta de vontade para explicar, detalhar, ou entender tantos substantivos, adjetivos e coisas casuais.

Muita gente está enforcada nesse periodo, seja com trabalho, seja com culpa, seja com vontade não resumida. Pois é, isso acontece. Se o Cartola cantou que o mundo é um moinho, eu o vejo como um carrossel dinâmico – troca intensa de lugar.

Como na dança das cadeiras, um atrás do outro, a música pára e cada um senta no primeiro lugar vago.  O divertido da brincadeira é ser realista – existem menos cadeiras do que pessoas querendo sentar. É claro, a graça é ver a pessoa que bobiou, demorou, não se ligou quê, sair da roda, perder a dança e o lugar na brincadeira de existir. Outro mais rápido, mais esperto, mais sensível ou perceptivel sentou-se bem.

Gosto de enumerar adjetivos, substantivos, tarefas diárias; listar a vida como quem faz lista de compras.

- Mãos para trás, um atrás do outro, recomeça a música, todos girando, quando a música parar, quem sentou, sentou, quem se distraiu, azar.

Espera a próxima encarnação se essa se perdeu. Espera nascer em outro corpo, sob outras condições, se nessa é impossível retratar qualquer pedaço, caco, caos. Abraça tua dor e a transforma em obstinação.

Se toda a sensibilidade de sentir fosse a mesma para perceber as dimensões do que o outro sente, a eternidade seria bem pouco tempo para absorver, digerir, dançar pateta no meio da pista -ô vida, quem quer brincar de roda?

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