E não restavam dúvidas, o tédio uniu-se a ânsia e dali só nasceriam demônios. Parte de um ciclo aparentemente indestrutivel, a ponderação não penetrava, ora o vento morno anunciava a chuva. E já tinham certeza, não seria leve o vendaval.
Atingiu o estágio de raiva absoluta, jogava para fora em lágrimas e murros, espalhando os cobertores pelo chão, chutou as roupas amassadas pelo sol, que mal entrava nas frestas daquelas janelas escancaradas.
Não sabia como, mas sua conexão com a água era instantanea, e sentia necessidade de lavar seu corpo. A pele irritada, os nervos, a alma. Recontorcia-se no chuveiro, deitada no chão enquanto esvaziava a raiva, e a água escorria nas costas, as lágrimas no rosto e a culpa misturada com remorço e pimenta lambiam o peito.
Amoitou-se como um feto. Partiu a narrar um canto implorando contato.
- Se tu me ouve agora, porque não responde?
Respirou fundo, enxugou o corpo e desfaleceu na cama. A noite invadiu o dia, como seu corpo fora invadido por outrem. Permaneceu em si, e o vento cessou. Agora só ouvia as gotas de chuva escorrendo nos vidros das janelas do espírito.
Durmia e esperava o súbito.





