página primeira.


E pairava entre o querer e o não-querer desejar. No intervalo de cada pensamento; e eram dezenas de milhares e milhões, infinitos e descompassados…silêncios.

Ouvia a voz baixinho, que sussurrava lenta entre suas sinapses ora macia, ora áspera e penetrante. Misturava em outras que berravam, gemiam, alegres e bambas lhe enganavam, ou apenas apontavam o obvio. Um perfeito misto de alter ego e id, razão e obsessão vazia.

Nas sombras dos trilhos, fora de eixo, esperavapor apenas uma oportunidade. Não criava nenhuma, pois cansada ou sonolenta, queria tornar-se objeto a ser encontrado, quase como um velho baú de poucas histórias. O horario é marcado, sentada num banco na estação, observava a foligem que se movia com o vento gelado e tenso, típico.

Típico?

Nada acontecia, as folhas das árvores balançavam nervosas o dia todo, então preferia os gritos e ritos que a faziam não-sonhar. Morde um dos cantos dos lábios e se debruça sob os lençóis. Good morning heartache. Diz, pensa e reafirma o que é bem melhor nem citar. Apenas vive, ou existe assim de um jeito tão ‘sei lá’. Será?

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