Li um paragrafo do livro e o arremessei em direção a cabeceira da cama. Não quis fazer muito barulho para que as pessoas do condominio notassem meu desequilibrio emocional. Escrevi um email ao amigo Carlos, que entre tantos comentarios importantes para meu crescimento pessoal teve que levar o brinde-surpresa: ouvir [ler] meus desabafos.
Não sei por que escrevi a ele a dor mais profunda que tenho sentido e disfarçado bravamente nos ultimos tempos. Disfarcei ouvindo a dor dos outros; desses que me cercam com seus dilemas íntimos. O mais longe que pude ir foi relembrar antigas dores minhas. Do hoje, eu não falo.
A gente é obrigado a se refazer todos os dias, ou permanecer na podridão da morte que só corrompe até o último farelo. Eu tenho sentido os farelos. Não é melancolia de breve verão. É uma sensação terrivel que absorve minha energia, minha vida. Franzo a testa entre lágrimas de indignação.
Eu tenho um coração explodindo, que não pode mais esperar em vão. Meu corpo está adoecendo sadio. Os olhos cintilam um brilho-fosco. Paradoxo. Minha alma me avisa, e todas as circunstancias apontam o inevitavel.
- É hora de fazer as malas e partir mais uma vez. Não quero o cheiro da estrada, nem de combustivel queimando… Já não posso mais respirar, e essas palavras aqui não aliviam muito.[ talvez o suficiente para não nutrir uma noite de insonia hoje] Há momentos na vida que o chão é secundario. Eu tenho sede de chão!!
Há confusão ardendo em meus pés. Se meus braços me sustentassem a queda de um voô livre, me atiraria de um penhasco. Mas eles não me sustentam sozinhos, não por agora.





