A gente não quer se incomodar, afinal o que todo mundo mais quer é sossego, sucesso e respeito. O preço do não-incomodo é alto.
O preço do não-incomodo é o silêncio, a cabeça baixa e a submissão.
Sabe aquela famosa do “quem cala consente”? Famosa e máxima.
Vivemos em sociedade, em rede, e não falo das redes virtuais na qual temos total domínio com apenas um clique. Um block, um unfollow, ou uma “denúncia de abuso”.
Minha mãe me ensinou que sempre precisaremos de outras pessoas, vivemos na coletividade e do que seriam nossas vidas sem o lixeiro, o padeiro, o motorista do ônibus? No trânsito é assim, gente que dorme 2 segundos na sinaleira aberta toma buzinada no ouvido e tranca a fila de carros ansiosos querendo chegar…chegar onde?
Somos ansiosos, queremos o que nos foi proposto e quando isso não acontece? – Buzinaço!! Os jovens do meu tempo estão em fúria, querem protesto, querem a inquisição e cabeças rolando – por interesses pessoais, mas e daí? Pelo menos não têm sangue de barata nas veias como tantos outros.
O preço do suposto sossego quando estamos inseridos em instituições, sejam empresas, corporações, industrias, escolas e o que for, é o jogo de interesses, a repressão individual e coletiva, naturalmente a total falta de respeito a qualquer opinião própria ou juízo de valor.
Ficar calado ou realmente ignorar falhas, abusos, ou simples ignorâncias é promover a última.
Eu sou neta de sindicalista, fui criada numa família de mulheres líderes; de suas próprias vidas ou de seus meios profissionais; e para mim esse tipo de realidade citada em todos os parágrafos anteriores é totalmente desprezível. Todas as coisas da vida para mim são preto no branco; ou a coisa é ou não é e eu desprezo puxa-sacos e manipuladores baratos (os caros eu respeito).
Não vivo em pedestais de vento para proteger qualquer certeza, cargo, aparência ou estilo – eu saio de pijama na rua [reflita], trabalho duro todos os dias para melhorar a realidade que sobrevivo, e como cidadã responsável com minhas contas também exijo todos os meus direitos.
- O que eu quero é o que eu penso e o que faço. Onde eu estou não tem bicho papão. (…) Se o que você quer em sua vida é SÓ paz, muitas doçuras e seu nome em cartaz e fica arretado se o açúcar demora, e você chora, cê reza, cê pede e implora… (Raul Seixas – Sou Egoísta)
Enquanto quisermos a tranquilidade para evitar rugas, ou por medo de sermos prejudicados por prevalecimentos – que são reais – seremos massacrados por censuras e a vida tende a ser mais corrupta. De quê adianta reclamar do governo federal, do sistema universal ou do inferno astral se quando dentro de nossas próprias vidas somos coniventes com a incompetência alheia e para justicá-las somos tomados de compaixão cristã?
- “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (CRISTO, jesus 33 d.c)
Porém, apesar de tudo isso acredito que para reivindicar qualquer coisa precisamos de duas coisinhas vitais:
1. Inteligencia e humildade suficiente para perceber nossas limitações ;
2. Bom senso e conhecimento de todos os recursos cabíveis que solucionem o caso que for.
Misture bem tudo isso com independência intelectual e corra atrás. Quer elogios? Faça por merecer, afinal, essa juventude é tão exigente, egoísta, maldosa, cruel, prepotente e uó que até parece com todas as juventudes anteriores.








