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	<title>Válvula &#187; reading</title>
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		<title>Sobre os eruditos</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 00:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[I Quando observamos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e aprendizado, assim como o grande n&#250;mero de alunos e professores, &#233; poss&#237;vel acreditar que a esp&#233;cie humana d&#225; muita import&#226;ncia &#224; instru&#231;&#227;o e &#224; verdade. Entretanto, neste &#8230; <a href="http://mairathums.com/sobre-os-eruditos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">I</p>
<p>Quando observamos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e aprendizado, assim como o grande n&uacute;mero de alunos e professores, &eacute; poss&iacute;vel acreditar que a esp&eacute;cie humana d&aacute; muita import&acirc;ncia &agrave; instru&ccedil;&atilde;o e &agrave; verdade. Entretanto, neste caso, as apar&ecirc;ncias tamb&eacute;m enganam. Os professores ensinam para ganhar dinheiro e n&atilde;o se esfor&ccedil;am pela sabedoria, mas pelo cr&eacute;dito que ganham dando a impress&atilde;o de possu&iacute;-la. E os alunos n&atilde;o aprendem para ganhar conhecimentos e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes. A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova gera&ccedil;&atilde;o, pessoas que n&atilde;o sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante mil&ecirc;nios, de modo sum&aacute;rio e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. &Eacute; com esse objetivo que tal gera&ccedil;&atilde;o frequenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua pr&oacute;pria &eacute;poca e pr&oacute;prios para sua idade. S&oacute; o que &eacute; breve e novo!Assim como &eacute; nova a gera&ccedil;&atilde;o, que logo passa a emitir ju&iacute;zos. &#8211; Quanto aos estudos feitos simplesmente para ganhar o p&atilde;o de cada dia, nem os levei em conta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">II</p>
<p>Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade t&ecirc;m em mira apenas a  <em>informa&ccedil;&atilde;o,</em> n&atilde;o a <em>instru&ccedil;&atilde;o</em>. Sua honra &eacute; baseada no fato de terem informa&ccedil;&atilde;o sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experi&ecirc;ncias sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. N&atilde;o ocorre a eles que a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um mero <strong>meio</strong> pra a instru&ccedil;&atilde;o, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma, no entanto &eacute; essa maneira de pensar que caracteriza uma cabe&ccedil;a filos&oacute;fica. Diante da importante erudi&ccedil;&atilde;o de tais sabich&otilde;es, &agrave;s vezes digo a mim mesmo &#8211; Ah, essa pessoa deve ter pensadoo muito pouco para poder ter lido tanto! At&eacute; mesmo quando se relata, a respeito de Pl&iacute;nio, O Velho, que ele lia sem parar ou mandava que lessem para ele, seja &agrave; mesa, em viagens ou no banheiro, sinto a necessidade de me perguntar se o homem tinha tanta falta de pensamentos pr&oacute;prios que era preciso um afluxo de pensamentos alheios, como &eacute; preciso dar a quem sofre de tuberculose um caldo para manter sua vida. E nem sua credulidade sem crit&eacute;rios, nem o seu estilo de colet&acirc;nea, extremamente repugnante, dif&iacute;cil de entender e sem desenvolvimento contribuem para me dar um alto conceito do pensamento pr&oacute;prio desse escritor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(continua no pr&oacute;ximo post)</p>
<p>Schopenhauer &#8211; A arte de escrever 1851.</p>
<p>Qualquer semelhan&ccedil;a com a realidade atual &eacute; mera incompet&ecirc;ncia nossa. Ma&iacute;ra Thums &#8211; V&aacute;lvula 2011.</p>
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		<title>o meu pr&#237;ncipe n&#227;o &#233; o pequeno</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 12:18:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Todos ve&#234;m o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu &#233;s, e esses poucos n&#227;o se atrevem a contrariar a opini&#227;o dos muitos (&#8230;).&#8221; &#8220;&#8230; se refletir bem, ser&#225; f&#225;cil perceber que certas qualidades que parecem virtudes levam &#224; ru&#237;na, &#8230; <a href="http://mairathums.com/o-meu-principe-nao-e-o-pequeno/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/11/tumblr_lklia0i89P1qja1kao1_500.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-7629" title="tumblr_lklia0i89P1qja1kao1_500" src="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/11/tumblr_lklia0i89P1qja1kao1_500.gif" alt="" width="476" height="650" /></a></p>
<p>&#8220;Todos ve&ecirc;m o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu &eacute;s, e esses poucos n&atilde;o se atrevem a contrariar a opini&atilde;o dos muitos (&#8230;).&#8221;</p>
<p>&#8220;&#8230; se refletir bem, ser&aacute; f&aacute;cil perceber que certas qualidades que parecem virtudes levam &agrave; ru&iacute;na, e outras, que parecem v&iacute;cios, trazem como resultado o aumento da seguran&ccedil;a e do bem-estar.&#8221;</p>
<h2>&#8220;&Eacute; melhor ser temido do que amado.&#8221;</h2>
<p>O  Pr&iacute;ncipe &#8211; Maquiavel (1513)</p>
<p>&Eacute; claro que o contexto hist&oacute;rico no qual foi escrito O Pr&iacute;ncipe, dentro de uma It&aacute;lia que previa um monarca de pulso firme vai contra toda a democracia p&oacute;s moderna que conhecemos. Por&eacute;m, os cargos e as chefias existem em todas os n&iacute;veis, dos mais desprez&iacute;veis e infames aos de necessidade comum.</p>
<p>Estamos um pouco acostumados com conceitos macios que amenizam a realidade de eternos jogos de interesse e falsas palavras, contudo, reafirmar algum totalitarismo &eacute; uma hipocrisia gigantesca.</p>
<p>Se eu precisar escolher entre os pr&iacute;ncipes e determinar uma trajet&oacute;ria, fico com a frieza e a rusticidade de Maquiavel, afinal, de utopias po&eacute;ticas e filos&oacute;ficas me servem os romances do plano astral em que s&oacute; vivem almas. A narrativa da realidade &eacute; dura, por&eacute;m estejamos atentos. Estamos atentos!</p>
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		<title>Respeito &#233; bom e eu&#8230;qu&#233; diz&#234;</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 19:34:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O problema dos julgamentos morais s&#227;o os conceitos pr&#233; estabelecidos pela cultura do lugar. O passado medieval &#233; t&#227;o presente e todo mundo est&#225; com o saco t&#227;o cheio de pedras, prontos para atirar a qualquer alvo. O twitter, por &#8230; <a href="http://mairathums.com/respeito-e-bom-e-eu-que-dize/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/10/YMFY-lighters-are-only-available-at-Self-Edge-stores.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7481" title="YMFY lighters are only available at Self Edge stores" src="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/10/YMFY-lighters-are-only-available-at-Self-Edge-stores.jpeg" alt="" width="314" height="400" /></a></p>
<p>O problema dos julgamentos morais s&atilde;o os conceitos pr&eacute; estabelecidos pela cultura do lugar. O passado medieval &eacute; t&atilde;o presente e todo mundo est&aacute; com o saco t&atilde;o cheio de pedras, prontos para atirar a qualquer alvo.</p>
<p>O twitter, por exemplo, &eacute; uma plataforma que veio para provar o que sempre esteve na cabe&ccedil;a das pessoas. Uma m&iacute;dia super r&aacute;pida que est&aacute; a disposi&ccedil;&atilde;o da maioria da popula&ccedil;&atilde;o rica, m&eacute;dia rica, m&eacute;dia pobre e pobre, a todo e qualquer momento.</p>
<p>Em dia de jogo de futebol, big brother, final de novela, quem est&aacute; nos trend topics?</p>
<p>N&atilde;o &eacute; no twitter que se fala bobagem, mas &eacute; na vida real pessoas que verdadeiramente acreditam em seus conceitos de exist&ecirc;ncia e que d&atilde;o valor e import&acirc;ncia para tais; assim, de cora&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Se libertar desses pr&eacute; conceitos &eacute; algo muito dif&iacute;cil e poucas pessoas atingem esse grau de ilumina&ccedil;&atilde;o cristal, por&eacute;m respeitar o outro &eacute; um passo comum a toda banalidade.</p>
<p>Respeitar n&atilde;o &eacute; ignorar, mas entender que cada coisa tem o seu momento e o seu lugar e mesmo assim n&atilde;o deixar de expor o que pensa e o que &eacute; em virtude de opini&otilde;es de terceiros.</p>
<p>Olhe para sua vida, seu sucesso pessoal e equilibrio antes de vir com a moral e a cueca na m&atilde;o.</p>
<p><a href="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/10/Screen-shot-2011-08-11-at-4.30.49-PM.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-7482" title="Screen shot 2011-08-11 at 4.30.49 PM" src="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/10/Screen-shot-2011-08-11-at-4.30.49-PM.png" alt="" width="301" height="400" /></a></p>
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		<title>Apple 1984 RIPJobs</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 16:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tantas homenagens p&#243;stumas a Steve Jobs &#8211;  o cara que realmente pode dizer &#8220;meu nome &#233; trabalho&#8221; e participou ativamente da transforma&#231;&#227;o digital nas &#250;ltimas d&#233;cadas. Encontrei essa propaganda de 1984, da Apple. Eu disse 1984! Eu nem tinha nascido! &#8230; <a href="http://mairathums.com/appel-1984-ripjobs/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tantas homenagens p&oacute;stumas a Steve Jobs &#8211;  o cara que realmente pode dizer &#8220;meu nome &eacute; trabalho&#8221; e participou ativamente da transforma&ccedil;&atilde;o digital nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</p>
<p>Encontrei essa propaganda de 1984, da Apple. Eu disse 1984! Eu nem tinha nascido!</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=OYecfV3ubP8"><img src="http://img.youtube.com/vi/OYecfV3ubP8/2.jpg"></a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=OYecfV3ubP8">Click here</a> to view the video on YouTube.</p>

<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>homenagem ao malandro</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jul 2011 14:58:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[lyric]]></category>
		<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[music]]></category>
		<category><![CDATA[reading]]></category>

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		<description><![CDATA[- Sempre quis ser o malandro!!! &#8220;Eu fui fazer um samba em homenagem &#224; nata da malandragem, que conhe&#231;o de outros carnavais. Eu fui &#224; Lapa e perdi a viagem, que aquela tal malandragem n&#227;o existe mais. Agora j&#225; n&#227;o &#8230; <a href="http://mairathums.com/homenagem-ao-malandro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Sempre quis ser o malandro!!!</p>
<p>&#8220;Eu fui fazer um samba em homenagem<br />
&agrave; nata da malandragem, que conhe&ccedil;o de outros carnavais.<br />
Eu fui &agrave; Lapa e perdi a viagem,<br />
que aquela tal malandragem n&atilde;o existe mais.<br />
Agora j&aacute; n&atilde;o &eacute; normal, o que d&aacute; de malandro<br />
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,<br />
malandro candidato a malandro federal,<br />
malandro com retrato na coluna social;<br />
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se d&aacute; mal.<br />
Mas o malandro para valer, n&atilde;o espalha,<br />
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.<br />
Dizem as m&aacute;s l&iacute;nguas que ele at&eacute; trabalha,<br />
Mora l&aacute; longe chacoalha, no trem da central.&#8221;</p>

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<p>The video cannot be shown at the moment. Please try again later.</p>
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		<title>Onde andar&#225; Dulce Veiga</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 23:46:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu deveria cantar. Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez ent&#227;o pudesse acender uma vela, correr at&#233; a igreja da Consola&#231;&#227;o, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma Gl&#243;ria ao Pai, tudo &#8230; <a href="http://mairathums.com/onde-andara-dulce-veiga/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu deveria cantar. Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez ent&atilde;o pudesse acender uma vela, correr at&eacute; a igreja da Consola&ccedil;&atilde;o, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma Gl&oacute;ria ao Pai, tudo que eu lembrava, depois enfiar algum trocado, se tivesse, e nos &uacute;ltimos meses nunca, na caixa de metal &#8220;Para as Almas do Purgat&oacute;rio&#8221;. Agradecer, pedir luz, como nos tempos em que tinha f&eacute;.</p>
<p>Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E n&atilde;o tomei nenhuma dessas atitudes, dram&aacute;ticas como se em algum canto houvesse sempre uma c&acirc;mera cinematogr&aacute;fica &agrave; minha espreita. Ou Deus.  Sem juiz nem plat&eacute;ia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no come&ccedil;o da tarde escaldante de fevereiro, olhando o telefone que acabara e desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei os olhos para o c&eacute;u. O m&iacute;nimo, suponho, que um sujeito tem a obriga&ccedil;&atilde;o de fazer nesses casos, mesmo sem nenhuma f&eacute;, como se reagisse a uma esp&eacute;cie de reflexo condicionado m&iacute;stico.</p>
<p>Acontecera um milagre. Um milagre &agrave; toa, mas b&aacute;sico para quem, como eu, n&atilde;o tinha pais ricos, dinheiro aplicado, im&oacute;veis nem heran&ccedil;a e apenas tentava viver sozinho numa cidade infernal como aquela que trepidava l&aacute; fora, al&eacute;m da janela ainda fechada do apartamento. nada muito sensacional, tipo recuperar de s&uacute;bito a vis&atilde;o ou erguer-se da cadeira de rodas com o semblante beatificado e a leveza de quem pisa sobre as &aacute;guas. Embora a miopia ficasse cada vez mais aguda e os joelhos tremessem com freq&uuml;&ecirc;ncia, n&atilde;o sabia se fome cr&ocirc;nica ou pura tristeza, meus olhos e pernas ainda funcionavam razoavelmente. Outros &oacute;rg&atilde;os, verdade, bem menos.</p>
<p>Toquei o pesco&ccedil;o. E o c&eacute;rebro, por exemplo.</p>
<p>J&aacute; chega, disse para mim mesmo, parado nu no meio da penumbra gosmenta do meio-dia. Pense nesse milagre, homem. Singelo, quase insignificante na sua simplicidade, o pequeno milagre capaz de trazer alguma paz &agrave;quela s&eacute;rie de solavancos sem rumo nem ritmo que eu, com certa complac&ecirc;ncia e nenhuma originalidade, estava habituado a chamar de minha vida, tinha um nome. Chamava-se &#8211; um emprego.</p>
<p>Olhei minha cara no velho espelho riscado, as marcas que eu nem sabia mais se pertenciam ao vidro ou &agrave; pele, cumprimentei com uma curvatura de cabe&ccedil;a: &#8220;Muito bem, parab&eacute;ns. Voc&ecirc; agora tem um emprego&#8221;. Mas n&atilde;o conseguia sentir nenhum calafrio de dignidade, nenhum fr&ecirc;mito de esperan&ccedil;a que pudesse iluminar meus olhos vermelhos ou empurrar para fora meu fatigado peito onde &#8211; n&atilde;o queria lembrar, mas lembrei &#8211; h&aacute; menos de uma semana descobrira o primeiro fio de cabelo branco. Suspirei.</p>
<p>Verdade que s&oacute; um completo idiota ou algu&eacute;m totalmente inexperiente sentiria, nem digo &ecirc;xtase, mas qualquer esp&eacute;cie de anima&ccedil;&atilde;o por ter conseguido um trabalhinho de rep&oacute;rter no Di&aacute;rio da Cidade, talvez o pior jornal do mundo. Acho que ainda n&atilde;o tinha me transformado num idiota, n&atilde;o completamente pelo menos. E quanto &agrave; experi&ecirc;ncia &#8211; bem, aquela cara marcada, ainda inchada de sono, com barba de tr&ecirc;s dias, me observando por entre os risos do espelho, parecia t&ecirc;-la de sobra. Tudo bem, disse a cara no espelho, j&aacute; que voc&ecirc; prefere mesmo confundir experi&ecirc;ncia com devasta&ccedil;&atilde;o&#8230; Suspirei outra vez. N&atilde;o, querida cara, encher laudas e laudas nas m&aacute;quinas de escrever daquele pasquim pr&eacute;-inform&aacute;tico certamente n&atilde;o era motivo para dar pulinhos.</p>
<p>Mas eu tinha que ficar contente. E quando voc&ecirc; quer, voc&ecirc; fica. Comecei a ficar.Afinal, aquele podia ser o primeiro passo para emergir do p&acirc;ntano de depress&atilde;o e autopiedade onde refocilava h&aacute; quase um ano. Gostei tanto da express&atilde;o p&acirc;ntano-de-depress&atilde;o-&amp;-etc. que quase procurei papel para anot&aacute;-la. Perdera o v&iacute;cio paran&oacute;ico de imaginar estar sendo sempre filmado ou avaliado por um deus de olhos multifacetados, como os das moscas, mas n&atilde;o o de estar sendo escrito. Se fosse bailarino, talvez imaginasse estar constantemente, em qualquer movimento, sendo esculpido? Ah, cada gesto, uma verdadeira apologia est&eacute;tica da forma pura.</p>
<p>Era engra&ccedil;ado. E bastante esquizofr&ecirc;nico. mas de repente o real tinha-se tornado bem menos ret&oacute;rico.</p>
<p>&#8220;Voc&ecirc; come&ccedil;a hoje, cara&#8221; &#8211; dissera Castilhos no telefone. Com aquela voz no fundo da qual, para manter o velho h&aacute;bito subliter&aacute;rio, eu poderia localizar algo que chamaria de &aacute;spera-ternura-c&uacute;mplice, mas na verdade n&atilde;o passava de excesso de nicotina e saco cheio: &#8220;e v&ecirc; se n&atilde;o me faz cagada logo no primeiro dia, oqu&ecirc;i? Garanti pros homens que voc&ecirc; &eacute; da pesada&#8221;.</p>
<p>Espantoso: na noite anterior eu fora dormir como um jornalista desempregado, endividado, amargo, solit&aacute;rio e desiludido de quase quarenta anos para acordar no dia seguinte, magicamente, com aquela voz do passado me comunicando pelo telefone que eu era &#8211; da pesada.</p>
<p>A partir de hoje, uma vida feita de fatos. A&ccedil;&atilde;o, movimento, dinamismo. A claquete bate. Deus vira mais uma p&aacute;gina de seu infinito, chat&iacute;ssimo roteiro. O escultor tira outra lasca do m&aacute;rmore. Coloquei &aacute;gua para fazer caf&eacute;, cogumelos branquicentos cresciam na umidade da cozinha. Simp&aacute;ticos, at&eacute; meio buc&oacute;licos. Liguei o r&aacute;dio, entrei no chuveiro. O apartamento era t&atilde;o pequeno que a gente podia fazer todas essas coisas praticamente ao mesmo tempo. Com uma das m&atilde;os, ensaboava a cabe&ccedil;a, com a outra controlava o volume do r&aacute;dio na sala, enquanto estendia uma das pernas para apagar o fogo quando a &aacute;gua fervesse.</p>
<p>- Eia! Avante! Sus! &#8211; gritei embaixo da &aacute;gua gelada. Ai &#8211; pi &#8211; ai &#8211; &ocirc;, Silver!</p>
<p>Enquanto ouvi no r&aacute;dio uma m&uacute;sica que parecia conhecida. Dizia qualquer coisa como &#8220;a realidade n&atilde;o importa, o que importa &eacute; a ilus&atilde;o&#8221;, no que eu concordava plenamente. Pelo menos nos &uacute;ltimos meses, n&atilde;o me acontecera nada al&eacute;m de fantasias. Mas a m&uacute;sica que ressoava em algum por&atilde;o da mem&oacute;ria era antiga como um bolero, um fox, e o que sa&iacute;a do r&aacute;dio agora era um desses rocks com baixo el&eacute;trico desesperados, percuss&atilde;o envenenada e sintetizadores hist&eacute;ricos. A voz da cantora lembrava vidro mo&iacute;do num liquidificador. De qualquer forma, pensei, a letra est&aacute; certa. E todas as coisas que eu lembrava, ou achava que lembrava, porque de tanto lembrar delas acabara por transform&aacute;-las em mera &#8211; e p&eacute;ssima &#8211; literatura, j&aacute; n&atilde;o importavam mais. O resto do &uacute;ltimo sabonete escorregou entre meus dedos. Era t&atilde;o pequeno que desapareceu pelo ralo.</p>
<p>Caio Fernando Abreu</p>
<p>-</p>
<p>Ele me influencia desde os mais remotos tempos da minha adolesc&ecirc;ncia, muito antes do twitter existir.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Falecimento dos grandes pensamentos</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 14:45:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<category><![CDATA[me and my]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Fiz isso com grandes expectativas e convencido de que, na escola de m&#250;sica, me tornaria um bom aluno. Com dolorosa surpresa para mim, por&#233;m, n&#227;o foi o que se deu. Custava-me esfor&#231;o seguir os v&#225;rios cursos, o ensino do piano, &#8230; <a href="http://mairathums.com/falecimento-dos-grandes-pensamentos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Fiz isso com grandes expectativas e convencido de que, na escola de m&uacute;sica, me tornaria um bom aluno. Com dolorosa surpresa para mim, por&eacute;m, n&atilde;o foi o que se deu. Custava-me esfor&ccedil;o seguir os v&aacute;rios cursos, o ensino do piano, ao qual agora, devia submeter-me, constitu&iacute;a somente um supl&iacute;cio, e n&atilde;o tardou que eu visse nos estudos como que um monte intranspon&iacute;vel posto na minha frente. N&atilde;o estava, de certo, disposto a desistir, mas me sentia decepcionado e constrangido.Via, agora, que, apesar de toda mod&eacute;stia, eu me havia, sim, considerado uma esp&eacute;cie de g&ecirc;nio, subestimando seriamente minhas fadigas e dificuldades do caminho da arte. Al&eacute;m dsso, tinha total perdido o gosto de compor, pois, agora, no menor dever via somente montanhas de dificuldades e de regras; passei a n&atilde;o ter nenhuma confian&ccedil;a na minha sensibilidade e j&aacute; n&atilde;o sabia se havia em mim uma s&oacute; centelha de for&ccedil;a pr&oacute;pria. Assim, conformei-me; sentia-me deprimido e triste, fazia meu trabalho de modo n&atilde;o muito diferente do que o teria feito num escrit&oacute;rio, ou noutra escola, diligente e sem prazer. Queixar-me, n&atilde;o podia e, menos ainda, nas cartas que escrevia para casa; ao contr&aacute;rio, prossegui, em silecioso desengano, o caminho iniciado, propondo-me, ao menos, tornar-me um bom violinista. N&atilde;o parava de exercitar-me, engolia grosserias e ironias do professor, via outros alunos, que n&atilde;o julgara capazes disso, fazer r&aacute;pidos progressos e colher louvores e coloquei minhas miras cada vez mais baixo. Porque tamb&eacute;m com o violino n&atilde;o estavam as coisas num p&eacute; qual pudesse me orgulhar e me permitisse pensar em chegar, algum dia, a ser um virtuose. Tudo indicava que, com grande aplica&ccedil;&atilde;o, poderia, quando muito,  tornar-me profissional aproveit&aacute;vel, que, sem louvor e sem opr&oacute;brio, toca seu modesto violino numa pequena orquestra, recebendo em troca, o seu p&atilde;o.</p>
<p>Assim, esse tempo pelo qual eu tanto ansiara e do qual tanto me prometera, foi o &uacute;nico da minha exist&ecirc;ncia em que, abandonado pelo esp&iacute;rito da m&uacute;sica, percorri caminhos sombrios e arrastei dias de uma vida sem sonoridade e sem ritmo. Justamente onde havia procurado prazer, enlevo, brilho e beleza, s&oacute; encontrei exig&ecirc;ncias, regras, deveres, dificuldades, perigos. Se uma ideia musical me ocorria, ou era banal ou cem vezes j&aacute; usada ou contrariava todas as regras da arte e n&atilde;o podia, portanto, ter qualquer valor. Ent&atilde;o, pus de parte todos os grandes pensamentos e esperan&ccedil;as. Eu n&atilde;o passava de um dentre os milhares, que, com juvenil desfa&ccedil;atez, chegam at&eacute; a arte e cuja for&ccedil;a falece, quando s&atilde;o postos seriamente a prova&#8221;.</p>
<p>Gertrud &#8211; Herman Hesse. Cap 2 Livro escrito em 1910.</p>
<p>Moral da hist&oacute;ria?</p>
<p>&Eacute; uma merda pra todo mundo e faz tempo.</p>
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		<title>auto ajuda com plumas e paet&#234;s</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 14:11:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/06/tumblr_lkna7de0qE1qzshyho1_500.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-6933" title="tumblr_lkna7de0qE1qzshyho1_500" src="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/06/tumblr_lkna7de0qE1qzshyho1_500.png" alt="" width="500" height="210" /></a></p>
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		<title>Deleuze</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 14:39:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<category><![CDATA[reading]]></category>
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		<description><![CDATA[Click here to view the video on YouTube. e Click here to view the video on YouTube. Deleuze, eu te gamei!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=OlnJL4Mv1vM"><img src="http://img.youtube.com/vi/OlnJL4Mv1vM/2.jpg"></a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=OlnJL4Mv1vM">Click here</a> to view the video on YouTube.</p>
<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilles_Deleuze"></a></p>
<p>e</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=rVpS_G2B0GQ"><img src="http://img.youtube.com/vi/rVpS_G2B0GQ/2.jpg"></a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=rVpS_G2B0GQ">Click here</a> to view the video on YouTube.</p>

<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilles_Deleuze">Deleuze,</a> eu te gamei!</p>
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		<title>Genocidio brasileiro, entenda!</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 14:21:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[reading]]></category>

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		<description><![CDATA[J&#225; falei sobre isso no blog quando fiz uma compara&#231;&#227;o sobre a lingua portuguesa e a influ&#234;ncia das etnias na forma&#231;&#227;o da sociedade brasileira, assim como o desrespeito e total ignorancia nossa para com os povos ind&#237;genas. N&#227;o lembro o &#8230; <a href="http://mairathums.com/genocidio-brasileiro-entenda/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>J&aacute; falei sobre isso no blog quando fiz uma compara&ccedil;&atilde;o sobre a lingua portuguesa e a influ&ecirc;ncia das etnias na forma&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira, assim como o desrespeito e total ignorancia nossa para com os povos ind&iacute;genas. N&atilde;o lembro o nome do post, mas t&aacute; por a&iacute;&#8230;</p>
<p>Assistam, fica claro!</p>

<!-- YouTube Embed v2.3.1 | http://www.artiss.co.uk/artiss-youtube-embed -->
<!-- The YouTube ID of C2tMOyl_ehY&amp;NR is invalid. -->
<p>The video cannot be shown at the moment. Please try again later.</p>
<!-- End of YouTube Embed code -->

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		<title>O vazio do Pessoa</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 16:33:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tudo isso est&#225; vazio, at&#233; na ideia do que &#233;. Tudo isso est&#225; dito em outra linguagem, para n&#243;s incompreens&#237;vel, meros sons de s&#237;labas sem forma no entendimento. A vida &#233; oca, a alma &#233; oca, o mundo &#233; oco. &#8230; <a href="http://mairathums.com/o-vazio-do-pessoa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo isso est&aacute; vazio, at&eacute; na ideia do que &eacute;. Tudo isso est&aacute; dito em outra linguagem, para n&oacute;s incompreens&iacute;vel, meros sons de s&iacute;labas sem forma no entendimento. A vida &eacute; oca, a alma &eacute; oca, o mundo &eacute; oco. Todos os deuses morrem de morte maior que a morte. Tudo est&aacute; mais vazio que o v&aacute;cuo. &Eacute; tudo um caos de coisas nenhumas.</p>
<p>Se penso isto e olho, para ver se a realidade me mata a sede, vejo casas inexpressivas, caras inexpressivas, gestos inexpressivos. Pedras, corpos, ideias &#8211; est&aacute; tudo morto. Todos os movimentos s&atilde;o paragens, a mesma paragem todos eles. Nada me diz nada. Nada &eacute; conhecido, n&atilde;o porque o estranhe mas porque n&atilde;o sei o que &eacute;. Perdeu-se o mundo. E no fundo da minha alma &#8211; como unica realidade deste momento &#8211; h&aacute; uma m&aacute;goa intensa e invis&iacute;vel, uma tristeza com o som de quem chora num quarto escurto.</p>
<p>Fernando Pessoa, op. cit, se&ccedil;&atilde;o 196, p.203</p>
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		<title>O t&#233;dio do Pessoa</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 22:45:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Trecho do livro do Desassossego, do Fernando Pessoa, e aquele  seu t&#233;dio evidente! &#8220;H&#225; sensa&#231;&#245;es que s&#227;o sonos, que ocupam como uma n&#233;voa toda a extens&#227;o do esp&#237;rito, que n&#227;o deixam pensar que n&#227;o deixam agir, que n&#227;o deixam claramente &#8230; <a href="http://mairathums.com/o-tedio-do-pessoa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trecho do livro do Desassossego, do Fernando Pessoa, e aquele  seu t&eacute;dio evidente!</p>
<p>&#8220;H&aacute; sensa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o sonos, que ocupam como uma n&eacute;voa toda a extens&atilde;o  do esp&iacute;rito, que n&atilde;o deixam pensar que n&atilde;o deixam agir, que n&atilde;o deixam  claramente ser. Como se n&atilde;o tivessemos dormido, sobrevive em n&oacute;s  qualquer coisa de sonho, e h&aacute; um torpor do sol do dia a aquecer a  superf&iacute;cie estagnada dos sentidos. &Eacute; uma bebedeira de n&atilde;o ser nada, e a  vontade &eacute; um balde despejado para o quintal por um movimento indolente  do p&eacute; &agrave; passagem.</p>
<p>Olha-se mas n&atilde;o se v&ecirc;. A longa rua movimentada de humanos &eacute; uma  esp&eacute;cie de tabuleta deitada onde as letras fossem m&oacute;veis e n&atilde;o formassem  sentidos. As casas s&atilde;o somente casas. Perde-se a possibilidade de dar  um sentido ao que se v&ecirc;, mas v&ecirc;-se bem o que &eacute;, sim.&#8221;</p>
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		<title>My way</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 14:32:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[music]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;E agora que o final est&#225; pr&#243;ximo/ Ent&#227;o eu encaro a cortina final/ Meu amigo, vou dizer claramente/ Vou relatar meu caso, tenha certeza/ Eu vivi uma vida que foi cheia/ Viajei por cada uma e por todas as estradas/ E &#8230; <a href="http://mairathums.com/my-way/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;E agora que o final est&aacute; pr&oacute;ximo/ Ent&atilde;o eu encaro a cortina final/ Meu amigo, vou dizer claramente/ Vou relatar meu caso, tenha certeza/ Eu vivi uma vida que foi cheia/ Viajei por cada uma e por todas as estradas/ E mais, mais que isso/ Eu fiz do meu jeito. Arrependimentos, tenho poucos/ Mas ent&atilde;o, de novo, Poucos demais para mencionar/ Fiz o que tinha de fazer/ E fui at&eacute; o fim, sem exce&ccedil;&atilde;o/ Planejei cada curso projetado/ Cada passo cuidadoso do percurso/ Oh, e mais, muito mais que isso/ Eu fiz do meu jeito.</p>
<p>Sim, houve vezes, eu sei que voc&ecirc; sabe/ Que abocanhei mais do que podia mastigar/ Mas apesar de tudo quando havia d&uacute;vida/ Eu comia e cuspia/ Enfrentei tudo e me mantive no alto/ E fiz do meu jeito/ Eu amei, eu ri e chorei/ Tive minhas falhas, minha parte perdida/ E agora as l&aacute;grimas cessaram/ E acho tudo t&atilde;o incr&iacute;vel/ Pensar que fiz tudo isso/ E posso dizer sem me acanhar/ Oh, n&atilde;o, eu n&atilde;o/ Eu fiz do meu jeito.<br />
O que &eacute; um homem, o que ele tem/ Se n&atilde;o for a si mesmo, ent&atilde;o ele n&atilde;o tem/ Que dizer as palavras que sente/ E sim as palavras que ele exprime/ O registro mostra que tomei f&ocirc;lego/ E fiz do meu jeito/ O registro mostra que tomei f&ocirc;lego/ E fiz do meu jeito&#8230;.&#8221;</p>
<p>Nina Simone &#8211; My Way.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/OzQkX-IZDbQ&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/OzQkX-IZDbQ&amp;feature"></embed></object></p>
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		<title>espelho deturpado</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Feb 2011 21:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
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		<category><![CDATA[soul]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma coisa &#233; bem certa: a vida nos d&#225; espelhos; pessoas incr&#237;veis que admiramos e pessoas podres que odiamos. Com um pouco de aten&#231;&#227;o e perspic&#225;cia conseguimos notar que h&#225; algum comportamento em comum com o que j&#225; vivemos, ou &#8230; <a href="http://mairathums.com/espelho-deturpado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/02/chair03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6496" title="chair03" src="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/02/chair03.jpg" alt="" width="700" height="554" /></a>Uma coisa &eacute; bem certa: a vida nos d&aacute; espelhos; pessoas incr&iacute;veis que admiramos e pessoas podres que odiamos.</p>
<p>Com um pouco de aten&ccedil;&atilde;o e perspic&aacute;cia conseguimos notar que h&aacute; algum comportamento em comum com o que j&aacute; vivemos, ou sentimos em algum momento de nossa exist&ecirc;ncia, ou viveremos, sentiremos, ou n&atilde;o.</p>
<p>Importante &eacute; perceber que todas essas gentes que cruzam nossos caminhos est&atilde;o a&iacute; para mostrar que por mais que um dia estejamos vivenciando seus pap&eacute;is nesse show, sendo os opressores ou os oprimidos, podemos usar como exemplo para refletir e inspirar:</p>
<p>- como agir ou como N&Atilde;O agir.</p>
<p>Mas tamb&eacute;m quem sou eu para anotar esses m&eacute;todos auto-ajud&iacute;sticos?</p>
<p>&#8220;<em>O ato mais corajoso ainda &eacute; pensar pela sua pr&oacute;pria cabe&ccedil;a. Em voz alta</em>&#8221; disse Chanel.</p>
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		<title>&#8220;Abra&#231;a tua loucura antes que seja tarde demais&#8221;</title>
		<link>http://mairathums.com/abraca-tua-loucura-antes-que-seja-tarde-demais/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 15:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[lyric]]></category>
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		<category><![CDATA[Caio F. Abreu]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[individualidade]]></category>
		<category><![CDATA[loucura]]></category>
		<category><![CDATA[saudades]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8221; Seus olhos tinham ar do mar. Tinham a cor exata de quem por muito tempo, todas as horas, durante todos os dias de muitos meses e anos, olhou detidamente o mar. Conquistara esse verde m&#243;vel, inquieto, esse vagar. Tocou &#8230; <a href="http://mairathums.com/abraca-tua-loucura-antes-que-seja-tarde-demais/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8221; Seus olhos tinham ar do mar. Tinham a  cor exata de quem por muito tempo, todas as horas, durante todos os dias  de muitos meses e anos, olhou detidamente o mar. Conquistara esse verde  m&oacute;vel, inquieto, esse vagar. Tocou de leve minha m&atilde;o estendida. E se  foi. Ainda chovia. Fechei a porta &agrave;s suas costas. Por entre os roxos e  amarelos da pequena vidra&ccedil;a vertical, podia perceber a silhueta de  algu&eacute;m se afastando. Dentro de uma noite de s&aacute;bado, n&atilde;o de agosto. Era  novembro. Bebi outro gole de conhaque. Fui escorregando para o fundo, no  meio das almofadas. Amanhecia. Na casa em frente, os ru&iacute;dos tinham  silenciado. Seria um longo domingo. N&atilde;o estava triste, mesmo assim  recomecei a chorar enquanto ouvia outra vez o aviso guardado para sempre  na mem&oacute;ria das paredes:</p>
<p>— Abra&ccedil;a tua loucura antes que seja tarde  demais.&#8221;</p>
<p>Trecho do conto &#8220;O Marinheiro&#8221; do Caio F. Abreu.</p>
<p>-</p>
<p>Certamente assumir a sua loucura, a sua individualidade e aceitar que n&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m no mundo como voc&ecirc; &eacute; um pouco assustador e maravilhoso.</p>
<p>Por mais prepotente que pare&ccedil;a, voc&ecirc; n&atilde;o precisa e n&atilde;o deve se adaptar aos outros, &eacute; o mundo que tem que se adaptar a gente! As pessoas mais brilhantes e respeitadas &#8211; para o bem e para mau &#8211; foram t&atilde;o elas mesmas, que a humanidade teve que aguent&aacute;-las como eram e s&atilde;o.</p>
<p>Ent&atilde;o me diz, pra qu&ecirc; ficar insistindo no que n&atilde;o rende mais? Para qu&ecirc; inventar padroes de comportamento que n&atilde;o funcionam para ti?</p>
<p>Aceite os outros como s&atilde;o, com suas limita&ccedil;&otilde;es e ignorancias, afinal, ningu&eacute;m sabe o suficiente. Abra&ccedil;a tua loucura, nunca ser&aacute; tarde para isso.</p>
<p>Queria dedicar o post para o meu amigo <a href="http://twitter.com/#!/tiagofioravante" target="_blank">Tiago</a>, que est&aacute; indo morar em S&atilde;o Paulo amanh&atilde; e vai me deixar com o cora&ccedil;&atilde;o largo de saudade.</p>
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		<title>Hora de ficar no canto</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jan 2011 12:49:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[music]]></category>
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		<description><![CDATA[Do destino, dos tempos verbais, minha vontade de n&#227;o-sei-o-qu&#234; e um canto que quero ficar, a can&#231;&#227;o que cantarolei nessa manh&#227; &#8230; talvez sonhei. &#8220;Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente/Ou foi &#8230; <a href="http://mairathums.com/hora-de-ficar-no-canto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/01/tumblr_la7el9vizB1qbnk2jo1_500.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6445" title="tumblr_la7el9vizB1qbnk2jo1_500" src="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2011/01/tumblr_la7el9vizB1qbnk2jo1_500.jpg" alt="" width="500" height="328" /></a>Do destino, dos tempos verbais, minha vontade de n&atilde;o-sei-o-qu&ecirc; e um canto que quero ficar, a can&ccedil;&atilde;o que cantarolei nessa manh&atilde; &#8230; talvez sonhei.</p>
<p><em>&#8220;Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente/Ou foi o mundo ent&atilde;o que cresceu&#8230;</em></p>
<p><em>A gente quer ter voz ativa/No nosso destino mandar/Mas eis que chega a roda viva/ E carrega o destino pr&aacute; l&aacute; &#8230;</em></p>
<p><em>Roda mundo, roda gigante/Roda moinho, roda pi&atilde;o/O tempo rodou num instante/Nas voltas do meu cora&ccedil;&atilde;o&#8230;</em></p>
<p><em>A gente vai contra a corrente/At&eacute; n&atilde;o poder resistir/Na volta do barco &eacute; que sente/O quanto deixou de cumprir/Faz tempo que a gente cultiva<br />
A mais linda roseira que h&aacute;/Mas eis que chega a roda viva/E carrega a roseira pr&aacute; l&aacute;&#8230;</em></p>
<p><em>(&#8230;) &#8220;</em></p>
<p><em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ybSToMkgzCQ" target="_blank">roda viva &#8211; chico buarque</a></em></p>
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		<title>Mil Perd&#245;es</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Dec 2010 11:27:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[lyric]]></category>
		<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[reading]]></category>
		<category><![CDATA[soul]]></category>

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		<description><![CDATA[Te perd&#244;o por fazeres mil perguntas, que em vidas que andam juntas, ningu&#233;m faz. Te perd&#244;o por pedires perd&#227;o, por me amares demais. Te perd&#244;o; Te perd&#244;o por ligares pra todos os lugares de onde eu vim. Te perd&#244;o por ergueres &#8230; <a href="http://mairathums.com/mil-perdoes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Te perd&ocirc;o por fazeres mil perguntas, que em vidas que andam juntas, ningu&eacute;m faz.</p>
<p>Te perd&ocirc;o por pedires perd&atilde;o, por me amares demais.</p>
<p>Te perd&ocirc;o; Te perd&ocirc;o por ligares pra todos os lugares de onde eu vim.<br />
Te perd&ocirc;o por ergueres a m&atilde;o, por bateres em mim.</p>
<p>Te perd&ocirc;o quando anseio pelo instante de sair e rodar exuberante, e me perder de ti.<br />
Te perd&ocirc;o por quereres me ver, aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)</p>
<p>Te perd&ocirc;o por contares minhas horas, nas minhas demoras por a&iacute;.<br />
Te perd&ocirc;o; Te perd&ocirc;o porque choras quando eu choro de rir.<br />
Te perd&ocirc;o por te trair.</p>
<p>Chico Buarque</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TjTFU1jzuYw&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/TjTFU1jzuYw&amp;feature"></embed></object></p>
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		<title>By Audrey Hepburn</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 12:02:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[lyric]]></category>
		<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[photo]]></category>
		<category><![CDATA[reading]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2010/12/tumblr_ld36joFXWX1qb62q0o1_500.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6223" title="tumblr_ld36joFXWX1qb62q0o1_500" src="http://mairathums.com/wp-content/uploads/2010/12/tumblr_ld36joFXWX1qb62q0o1_500.jpg" alt="" width="500" height="500" /></a></p>
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		<title>Geni e o Zepelim</title>
		<link>http://mairathums.com/geni-e-o-zepelim/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Dec 2010 12:54:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[lyric]]></category>
		<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[music]]></category>
		<category><![CDATA[reading]]></category>

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		<description><![CDATA[De tudo que &#233; nego torto/Do mangue e do cais do porto/Ela j&#225; foi namorada. O seu corpo &#233; dos errantes,/Dos cegos, dos retirantes;/&#201; de quem n&#227;o tem mais nada. D&#225;-se assim desde menina/Na garagem, na cantina,/Atr&#225;s do tanque, no &#8230; <a href="http://mairathums.com/geni-e-o-zepelim/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De tudo que &eacute; nego torto/Do mangue e do cais do porto/Ela j&aacute; foi namorada.<br />
O seu corpo &eacute; dos errantes,/Dos cegos, dos retirantes;/&Eacute; de quem n&atilde;o tem mais nada.<br />
D&aacute;-se assim desde menina/Na garagem, na cantina,/Atr&aacute;s do tanque, no mato.<br />
&Eacute; a rainha dos detentos,/Das loucas, dos lazarentos,/Dos moleques do internato.<br />
E tamb&eacute;m vai ami&uacute;de/Co&#8217;os os velhinhos sem sa&uacute;de/E as vi&uacute;vas sem porvir.<br />
Ela &eacute; um po&ccedil;o de bondade/E &eacute; por isso que a cidade/Vive sempre a repetir:</p>
<p>&#8220;Joga pedra na Geni!<br />
Joga pedra na Geni!<br />
Ela &eacute; feita pra apanhar!<br />
Ela &eacute; boa de cuspir!<br />
Ela d&aacute; pra qualquer um!<br />
Maldita Geni!&#8221;</p>
<p>Um dia surgiu, brilhante/Entre as nuvens, flutuante,/Um enorme zepelim.<br />
Pairou sobre os edif&iacute;cios,/Abriu dois mil orif&iacute;cios/Com dois mil canh&otilde;es assim.<br />
A cidade apavorada/Se quedou paralisada/Pronta pra virar gel&eacute;ia,/Mas do zepelim gigante/Desceu o seu comandante/Dizendo:</p>
<p>&#8220;Mudei de id&eacute;ia!<br />
Quando vi nesta cidade/Tanto horror e iniq&uuml;idade,/Resolvi tudo explodir,/Mas posso evitar o drama/Se aquela formosa dama/Esta noite me servir&#8221;.</p>
<p>Essa dama era Geni!<br />
Mas n&atilde;o pode ser Geni!<br />
Ela &eacute; feita pra apanhar;<br />
Ela &eacute; boa de cuspir;<br />
Ela d&aacute; pra qualquer um;<br />
Maldita Geni!</p>
<p>Mas de fato, logo ela,/T&atilde;o coitada e t&atilde;o singela/Cativara o forasteiro.<br />
O guerreiro t&atilde;o vistoso,/T&atilde;o temido e poderoso/Era dela, prisioneiro.<br />
Acontece que a donzela/(E isso era segredo dela),/Tamb&eacute;m tinha seus caprichos<br />
E ao deitar com homem t&atilde;o nobre,/T&atilde;o cheirando a brilho e a cobre,/Preferia amar com os bichos.<br />
Ao ouvir tal heresia/A cidade em romaria/Foi beijar a sua m&atilde;o:<br />
O prefeito de joelhos,/O bispo de olhos vermelhos/E o banqueiro com um milh&atilde;o.</p>
<p>Vai com ele, vai Geni!<br />
Vai com ele, vai Geni!<br />
Voc&ecirc; pode nos salvar!<br />
Voc&ecirc; vai nos redimir!<br />
Voc&ecirc; d&aacute; pra qualquer um!<br />
Bendita Geni!</p>
<p>Foram tantos os pedidos,/T&atilde;o sinceros, t&atilde;o sentidos,/Que ela dominou seu asco.<br />
Nessa noite lancinante/Entregou-se a tal amante/Como quem d&aacute;-se ao carrasco.<br />
Ele fez tanta sujeira,/Lambuzou-se a noite inteira/At&eacute; ficar saciado.<br />
E nem bem amanhecia/Partiu numa nuvem fria/Com seu zepelim prateado.<br />
Num suspiro aliviado/Ela se virou de lado/E tentou at&eacute; sorrir,/Mas logo raiou o dia/E a cidade em cantoria/N&atilde;o deixou ela dormir:</p>
<p>&#8220;Joga pedra na Geni!<br />
Joga bosta na Geni!<br />
Ela &eacute; feita pra apanhar!<br />
Ela &eacute; boa de cuspir!<br />
Ela d&aacute; pra qualquer um!<br />
Maldita Geni!</p>
<p>Chico Buarque</p>
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		<title>Ela faz cinema &#8211; Chico Buarque</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 16:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maíra Thums</dc:creator>
				<category><![CDATA[lyric]]></category>
		<category><![CDATA[me and my]]></category>
		<category><![CDATA[music]]></category>
		<category><![CDATA[reading]]></category>
		<category><![CDATA[soul]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando ela chora/N&#227;o sei se &#233; dos olhos para fora/N&#227;o sei do que ri/Eu n&#227;o sei se ela agora/Est&#225; fora de si/Ou se &#233; o estilo de uma grande dama. Quando me encara e desata os cabelos/N&#227;o sei se ela &#8230; <a href="http://mairathums.com/ela-faz-cinema-chico-buarque/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/F_UfjPynAfw" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/F_UfjPynAfw"></embed></object></p>
<div id="div_letra">
<p>Quando ela chora/N&atilde;o sei se &eacute; dos olhos para fora/N&atilde;o sei do que ri/Eu n&atilde;o sei se ela agora/Est&aacute; fora de si/Ou se &eacute; o estilo de uma grande dama.</p>
<p>Quando me encara e desata os cabelos/N&atilde;o sei se ela est&aacute; mesmo aqui/Quando se joga na minha cama.</p>
<p>Ela faz cinema/Ela faz cinema/Ela &eacute; a tal/Sei que ela pode ser mil/Mas n&atilde;o existe outra igual.</p>
<p>Quando ela mente/N&atilde;o sei se ela deveras sente/O que mente para mim/Serei eu meramente/Mais um personagem ef&ecirc;mero/Da sua trama.<br />
Quando vestida de preto/D&aacute;-me um beijo seco/Prevejo meu fim/E a cada vez que o perd&atilde;o<br />
Me clama.</p>
<p>Ela faz cinema/Ela faz cinema/Ela &eacute; demais/Talvez nem me queira bem/Por&eacute;m faz um bem que ningu&eacute;m/Me faz.</p>
<p>Eu n&atilde;o sei/Se ela sabe o que fez/Quando fez o meu peito/Cantar outra vez.</p>
<p>Quando ela jura/N&atilde;o sei por que Deus ela jura/Que tem cora&ccedil;&atilde;o/e quando o meu cora&ccedil;&atilde;o/Se inflama.</p>
<p>Ela faz cinema/Ela faz cinema/Ela &eacute; assim/Nunca ser&aacute; de ningu&eacute;m/Por&eacute;m eu n&atilde;o sei viver sem/E fim.</p>
</div>
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