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Hora de ficar no canto

Do destino, dos tempos verbais, minha vontade de não-sei-o-quê e um canto que quero ficar, a canção que cantarolei nessa manhã … talvez sonhei.

“Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente/Ou foi o mundo então que cresceu…

A gente quer ter voz ativa/No nosso destino mandar/Mas eis que chega a roda viva/ E carrega o destino prá lá …

Roda mundo, roda gigante/Roda moinho, roda pião/O tempo rodou num instante/Nas voltas do meu coração…

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Mil Perdões

Te perdôo por fazeres mil perguntas, que em vidas que andam juntas, ninguém faz.

Te perdôo por pedires perdão, por me amares demais.

Te perdôo; Te perdôo por ligares pra todos os lugares de onde eu vim.
Te perdôo por ergueres a mão, por bateres em mim.

Te perdôo quando anseio pelo instante de sair e rodar exuberante, e me perder de ti.
Te perdôo por quereres me ver, aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)

Te perdôo por contares minhas horas, nas minhas demoras por aí.
Te perdôo; Te perdôo porque choras quando eu choro de rir.
Te perdôo por te trair.

Chico Buarque

By Audrey Hepburn

Geni e o Zepelim

De tudo que é nego torto/Do mangue e do cais do porto/Ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,/Dos cegos, dos retirantes;/É de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina/Na garagem, na cantina,/Atrás do tanque, no mato.
É a rainha dos detentos,/Das loucas, dos lazarentos,/Dos moleques do internato.
E também vai amiúde/Co’os os velhinhos sem saúde/E as viúvas sem porvir.
Ela é um poço de bondade/E é por isso que a cidade/Vive sempre a repetir:

“Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!”

Um dia surgiu, brilhante/Entre as nuvens, flutuante,/Um enorme zepelim.
Pairou sobre os edifícios,/Abriu dois mil orifícios/Com dois mil canhões assim.
A cidade apavorada/Se quedou paralisada/Pronta pra virar geléia,/Mas do zepelim gigante/Desceu o seu comandante/Dizendo:

“Mudei de idéia!
Quando vi nesta cidade/Tanto horror e iniqüidade,/Resolvi tudo explodir,/Mas posso evitar o drama/Se aquela formosa dama/Esta noite me servir”.

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Ela faz cinema – Chico Buarque

Quando ela chora/Não sei se é dos olhos para fora/Não sei do que ri/Eu não sei se ela agora/Está fora de si/Ou se é o estilo de uma grande dama.

Quando me encara e desata os cabelos/Não sei se ela está mesmo aqui/Quando se joga na minha cama.

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Keyword do Válvula

“(…) ainda pensou: gosto tanto de você, baby. só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias. você me ama pelo que me mata. e se apunhalo é porque é para você, para você que escrevo — e não entende nada.”

We All Want to Be Young

De origem feicibuquiano, esse vídeo despertou em mim alguns elos…

Prelúdio

“Prelúdio
No entanto (até no-entanto dizia agora) estava ali e era assim que se via. Era dentro disso que precisava mover-se sob o risco de. Não sobreviver, por exemplo — e queria? Enumerava frases como é-assim-que-as-coisas-são ou que-se-há-de-fazer-que-se-há-de-fazer ou apenas éofinalque.importa. E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto de morangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta.”

Abreu, Caio. De Morangos Mofados.

Freak Show Sthlm

Assisti esse vídeo antes de ler a resenha sobre ele e a mensagem é coerentíssima!!
Tem tudo a ver com o Válvula, e cá está o “Freak show Sthlm”.
“Freak show Sthlm” homenageia a moda lúdica e personalidades. Nosso lema “a moda é para corajosos” é, naturalmente, também a mensagem que prevalece no filme, onde as almas corajosas saem do armário padronizado!

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Saudade, Pessoa, Amigos.

“(…) Vamos nos perder no tempo… Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão quem são aquelas pessoas? Diremos… Que eram nossos amigos. E… isso vai doer tanto! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente… Quando o nosso grupo estiver incompleto.. . nos reuniremos para um ultimo adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos.

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.

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Minha leitura infantil – O menino do dedo verde

De todo meu histórico de leitura infantil tem um livro que não me esqueço, marcou. “O menino do dedo verde”, acho que li quando eu tinha 11 anos e entendi o poder da identificação.

“Tistu é um menino muito sortudo. Vive na cidade chamada Mirapólvora numa grande casa, a Casa-que-Brilha, com o Sr. Papai, Dona Mamãe e o seu querido pônei Ginástico. Eles são ricos pois o Sr Papai tem uma fábrica de canhões. Para grande decepção de todos, Tistu dorme nas aulas. Sr Papai resolve fazer com que Tistu aprenda as coisas vendo-as e vivenciando-as. As aulas serão com o jardineiro Bigode e com o gerente da fábrica de canhões, o Sr Trovões. Na primeira aula, o jardineiro bigode descobre um dom fantástico em Tistu: o menino tem o dedo verde! Isto significa que, onde ele colocar o dedo, nascerão flores! Porém as pessoas grandes não iriam entender este dom. Seria melhor mantê-lo em segredo. Bigode se transforma no conselheiro de Tistu Com o Sr Trovões Tistu conhece um pouco do lado triste do mundo: a miséria, a prisão, o hospital. Ele resolve alegrar estes ambientes colocando seu dedo lá, mas no anonimato. Para o espanto da população, o presídio ficou com tantas flores que as portas não conseguiam mais fechar. Mas os presos não queriam fugir, pois estavam maravilhados! As flores da favela absorveram o lamaçal e enfeitaram as casas, transformando a favela em atração turística. A menina do hospital, que antes contava os buraquinhos do teto para passar o tempo agora conta botões de rosas, que nascem em volta do seu leito. A cidade, e a vida das pessoas da cidade, mudaram completamente. Tistu então conhece a fábrica do Sr Papai. Ele fica inconformado com o mal que os canhões e as guerras trazem. Secretamente, coloca o dedo nos canhões que estavam sendo enviados para uma guerra. Resultado: a guerra fracassa, pois ao invés de bombas, os canhões lançaram flores. A fábrica é arruinada. Vendo o desespero do sr Papai, Tistu resolve revelar que foi ele quem colocou as flores nos canhões e prova isso fazendo nascer uma flor no quadro de seu avô, na parede. Sr Papai resolve então transformar a fábrica de canhões em fábrica de flores. A cidade passa a se chamar Miraflores. Um dia Tistu recebe a notícia de que o jardineiro Bigode tinha ido viajar, que estava dormindo. Confuso com as informações, Tistu pergunta para seu pônei o que aconteceu com Bigode. Ele revela: Bigode morreu. E este é o único mal em que as flores não podem fazer nada. – Se Bigode morreu, ele está no céu. Então, vou construir uma escada com minhas flores para ele descer! – conclui Tistu. Após construir a escala, era impossível ver onde ela estava terminando. Sumia no céu. Tistu esperou mas bigode não desce. Então ele resolve ir busca-lo. Seu pônei tenta impedi-lo sem sucesso. Tistu sobe a escada, vê sua casa diminuindo, vê as nuvens, perde seus chinelinhos e escuta a voz do Bigode: – Ah, você está aqui! Naquela manhã os moradores da Casa-que-Brilha saíram a procura de Tistu e encontraram uma relva diferente, roída pelo pônei, com botões de rosas dourados, formado a frase: Tistu era um Anjo.”

Tistou Les Pouces Verts, foi escrito em 1957 pelo escritor francês Maurice Druon.

Poema de Quirino – Hoje é dia de Maria

Alguém falou sobre a mini série da Globo e resolvi bisbilhotar; encontrei a poesia.

não-vestido

aquele vestido que comprei
e nunca usei
é corpo-fantasma da vida que não tive.
fantasia da festa para a qual não fui
nem convidada.

é vestigio do que não disse,
parte da história que não veio,
saudade de encontro que não soube acontecer.

aquele vestido que comprei
e nunca usei
fala de um eu sem ocasião.
acisa falta que espera.
traz lembrança de invenção.

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Nota: sobre paixão

“… paixão deve ser coisa discreta,
calada, centrada.
Se você começa a espalhar por sete ventos,
crau, dá errado.
Isso porque ao contar
a gente tem a tendência,
digamos, “embonitar” a coisa,
e portanto distanciar-se dela,
apaixonando-se mais pelo
supor-se apaixonado
do que pelo objeto da paixão
propriamente dito.
Sei que é complicado,
mas contar falsifica – é isso que quero dizer
- e pensando mais longe, por isso mesmo,
literatura é sempre fraude.
Quanto mais não-dita, melhor a paixão.”
(Caio Fernando Abreu, A cidade dos entretons,
do livro Pequenas Epifanias)

Sobre amizade colorida

Vi no facebook esse video hoje e chorei de rir porque o texto da Fernanda Young é simplesmente muito verdadeiro!

A interpretação da Fernanda Torres também é incrível, a forma que ela fala me lembra muito…eu. Ou será que é o texto que lembra minha vida?

“…Eu sou muito vendida para brinde, adoro brinde. Se alguém me dá um presentinho já tá limpo comigo, não tem o menor problema. No dia que amizade e sexo combinarem as mulheres vão juntas para o banheiro e não saem nunca mais.”