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Imagem do reflexo(ivo)

Essa imagem me lembrou aquela: “num deserto de almas também desertas uma especial reconhece a outra de imediato.”

Sobre-Homem Ilustrado

Ia usar o termo “Super-Homem” mas pensei que o Google direcionaria pessoas à procura de quadrinhos e super heróis.

[ o que não deixa de fazer sentido]

Mas vamos (eu, eu mesma, Maíra e uma imagem roubada) ilustrar o que nosso amigo Niezstche quis dizer quando esboçou o sobre-homem em sua obra.

Tá vendo a esfera em tom terroso nude? Pois é, chegar ali é transcender a banalidade.

Dont explain – Nina Simone #nowplaying

Por que eu acho que música de amor a dois é para ouvir sozinho.

Hush now, dont’ explain…

Sobre Agosto

“Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar,vinhos, conhaques – tudo isso ajuda a atravessar agosto.”

Caio “Famoso” Abreu

Foto: Purple Diary

Existencialismo meu, teu e da Beauvoir

Sou admiradora do Existencialismo de Sartre, e além disso, creio com afinco na essência das pessoas e da humanidade – num todo – assim como, creio que qualquer pessoa possa  realmente ser sujeito de seu destino.

Vejo muita gente se afirmando por aí, dizendo que é isso e aquilo, que crê nisso e naquilo. Justamente estas são as oprimidas pelas convenções que inventam para si mesmas ou as tradicionais inventadas pela sociedade. A arte do ser e parecer é uma comédia. Além dessas, tem aquelas outras que são psicologicamente dependentes das outras, naturalmente reféns.

- Sorte para eles, existe um mundo enorme ali fora, e o tempo é a eternidade.

Graças a deus ou ao destino, eu tenho o prazer de cruzar e conhecer pessoas incríveis, geradoras de idéias, seres fluidos e andantes, dignos de merecer a frase da sofrida amiga Simone de Beauvoir:

- Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.

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Bloqueio gramático-dramático

“Porque as cidades, como as pessoas ocasionais e os apartamentos alugados, foram feitas para serem abandonadas.”

- Começamos assim.

Sofri um bloqueio lírico gramático; dramático eu diria, que foram os últimos dias. Talvez a culpa seja dos hormônios, e os meus 25 dias deTPM.

Paradoxos existenciais; essas coisas que não temos coragem de externar simplesmente para manter as boas aparências. É claro que essa minha exposição indevida arrisca meu umbiguinho. Sou uma profissional que depende do próprio trabalho para sobreviver. As pessoas do meu círculo de convivência por ora passam por aqui, no Válvula, e podem me interpretar de maneira negativa, o que de certa forma, segundo julgamentos alheios e experiências vivídas, é totalmente ponderavel em relação ao meu esforço e competência.

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É dos carecas que elas gostam mais

Antes da descoberta do rock, as meninas reinavam sozinhas nos meus pensamentos.

As irmãs Célia Regina e Célia Maria, por exemplo. Minhas vizinhas da rua do Matoso, Célia Regina era um pudim de caramelo e Célia Maria, uma gelatina de framboesa. Apetitosas e vitaminadas, elas moravam no sobrado de uma serralheria. Suas presenças na janela provocavam torcicolo nos passageiros do bonde e nos transeuntes, hipnotizados pela visão daqueles doces maravilhosos. Eu tinha de 16 para 17 anos. Elas deviam ter 17 e 18, respectivamente.

Eram recatadas e intocáveis devido ao policiamento rígido e implacável dos pais. Ao saírem à rua, sempre acompanhadas por eles, andavam invariavelmente em linha reta, como militares treinados. O máximo que algum de nós conseguia era um sorriso educado como cumprimento. Mas, assim que passavam por nós, vupt!, nossos olhares se grudavam em seus corpos, ofuscados pelo volume dos pudicos vestidinhos da época, dando asas à nossa imaginação.

Numa bela noite, quando jogávamos porrinha tranquilamente, conversando alto, soltando gargalhadas exageradas e falando os palavrões costumeiros, eis que vimos, com espanto, na penumbra da esquina do Beco do Mota, uma cena impactante: a família das Célias passava por nós bem vestida como se viesse de uma festa, andando descontraidamente em zigue- zague, o que jamais tínhamos visto. E ainda havia um atordoante detalhe: o pai vinha na frente de braços dados com a mulher e com Célia Regina, enquanto Célia Maria caminhava atrás, ostensivamente feliz, como Doris Day no filme Um Pijama para Dois, de mãos dadas com um… CARECA!

Era demais! Como suportar tamanha afronta? Estávamos preparados para tudo, menos para aquilo. Um careca… E, ainda por cima, aparentando uns 30 anos.

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Você me pediu um cigarro – Carpinejar

Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir. Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo. Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido. Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto. Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado. Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala. Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento. Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso. O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano. Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor. Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido.
Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia. Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir. Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás. Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras. Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber. Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas. Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas. Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida. O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.

Fabrício Carpinejar

-

Por que eu gosto desse texto e resolvi guarda-lo aqui, na Válvula.

RIP Saramago

Eu não sei vocês, mas José Saramago marcou alguns momentos da minha curta vida. Ele morreu hoje, aos 87 anos em casa.

É claro, que Ensaio sobre a cegueira o popularizou, principalmente após o filme dirigido pelo Fernando Meirelles. Antes disso, bem antes disso, o livro foi meu companheiro de algumas noites insones. Depois, algumas trocas com pessoas que fizeram parte do mesmo eixo de cegueira branca.

Quem nunca sentiu em algum momento da vida que todas as pessoas estavam cegas e só tu podias enxergar? – Ver o evidente, e por isso suportar até as mais duras traições justificadas por selvagens impulsos irracionais?

Pois é, certamente perceber os sinais, as sutilezas e as conspirações da vida é um dos mais torturantes sentidos, quisera eu que todos fossem cegos e só seguissem impulsos, como animais sem consideração alheia ou sentimento, acima do bem e do mal,  para compartilhar além do gozo indispensável e grotesco. Acho dramático demais isso tudo.

“Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.” Saramago.

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Eu sou Egoísta

Vontade de sublinhar tu-do! Simplesmente essa letra diz tu-do que eu tenho para dizer…por enquanto.

Eu sou Egoísta – Raul Seixas / Marcelo Motta

Se você acha que tem pouca sorte/ Se lhe preocupa a doença ou a morte/ Se você sente receio do inferno/ Do fogo eterno, de Deus, do mal /Eu sou estrela no abismo do espaço/ O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço /Onde eu tô não há bicho-papão/ Eu vou sempre avante no nada infinito/ Flamejando meu rock, o meu grito/ Minha espada é a guitarra na mão/ Se o que você quer em sua vida é só paz /Muitas doçuras, seu nome em cartaz/ E fica arretado se o açúcar demora/ E você chora, cê reza, cê pede… implora…/ Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho/ Eu quero é ter tentação no caminho/ Pois o homem é o exercício que faz/ Eu sei… sei que o mais puro gosto do mel/ É apenas defeito do fel/ E que a guerra é produto da paz/ O que eu como a prato pleno/ Bem pode ser o seu veneno/ Mas como vai você saber… sem provar? / Se você acha o que eu digo fascista /Mista, simplista ou anti-socialista /Eu admito, você tá na pista /Eu sou ista, eu sou ego/ Eu sou egoísta, eu sou, /Eu sou egoísta, eu sou, Por que não…

O declínio das Balzaquianas

Adorei a abordagem do texto do meu amigo Marcello, (Santa Maria – RS) e decidi publicar por aqui por três motivos. 1. Me sinto precocemente balzaquiana. 2. Não passo de uma pirralha de 21, mas se tudo der certo, um dia chego lá – nos trinta. 3. Alguns rapazes precisam repensar suas escolhas…!!!!!!

O passar dos anos e a maturidade sentimental da preferência nacional

Não entendo o motivo que convencionamos a chamar de experientes as pessoas mais velhas. Obviamente, se formos considerar o fato de terem vivido maior quantidade de situações adversas o adjetivo pode ser até bem aplicado, mas ao considerar experiência como sinônimo de maturidade essa expressão deixa muito a desejar. Principalmente se tratando de sentimentos. Ando cansado de falar de mim mesmo – que são os únicos sentimentos de homem que entendo. Então tratarei das mulheres.

Algo que sempre pensei durante a adolescência era que mulheres balzaquianas (trintonas) eram bem resolvidas, sabiam o que queriam, tinham a vida encaminhada, ou seja, todas aquelas coisas que os nossos pais nos dizem que temos que ter resolvido ao chegar aos 30. Iludia-me com esse pensamento e sempre admirava as ditas trintonas. Pensava eu: “Nossa, além de ter uma baita estrada na cama, elas sabem o que querem. Já chegam por cima.” Claro que algumas delas realmente são assim, mas normalmente essas se deram bem (financeiramente falando) ou são casadas. Tratando de mulheres solteiras, a idade é inversamente proporcional à maturidade sentimental.

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These boots are made for walkin’ – Nancy Sinatra #nowplaying #letra

Você vive dizendo que sente alguma coisa por mim
Alguma coisa que chama de amor, mas reconhece
Você vive bangunçando onde não devia
E agora outra pessoa está recebendo todo o seu melhor
Essas botas foram feitas para andar, e isso é o que elas farão
Um dia desses essas botas andarão por cima de você…

Você continua mentindo quando deveria ser verdadeiro
E você vive perdendo quando não deveria apostar
Você continua o mesmo quando deveria estar mudando
Agora o que é certo é certo, mas você não foi certo ainda
Essas botas foram feitas para andar, e isso é o que elas farão
Um dia desses essas botas andarão por cima de você…

Você continua brincando quando não deveria brincar
E você continua achando que nunca se queimará. Ha!
Eu acabei de achar uma caixa novinha de fósforos, yeah
E o que ele sabe, você ainda não teve tempo de aprender
Essas botas foram feitas para andar, e isso é o que elas farão
Um dia desses essas botas andarão por cima de você

Estão prontas, botas? Comece a andar!

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Determinação

” Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Sonho que se sonha junto é realidade.” Prelúdio – Raul Seixas.

Não estou aqui tentando encorajar ninguém a dar um pulo para frente e acordar para vida, eu mal consigo fazer isso comigo mesma….!

Essa semana estava conversando com um amigo que me interregou diante de uma atitude minha e revelou um vício que me prejudica e gostaria de compartilhar pois muitas pessoas fazem o mesmo, porém não notam.

Ele me perguntou o motivo de eu mentir, destruindo minha imagem, e contruindo uma pessoa mimada e imatura, como se diante daquela situação tal eu tivesse enjoado ou brotasse alguma incerteza e aí então jogado tudo fora para arriscar outras coisas.

- Tu não é assim, é determinada e obstinada!!! Ele me disse.

A verdade é que eu me entreguei de alma mas fui rejeitada, por alguma falha, incompetência ou simplesmente por não ser desejada por aquela pessoa/lugar naquele momento. Senti vergonha e orgulho por ter sido tratada como um prato de comida que não se quer mais e jogada no lixo. Não quis admtir para a sociedade/amigos/familia aquelas condições.

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Faz de conta

Era claro

Espelho d’água

Perfeição que a pedra destruiu.

Uma onda

Mais uma onda

Outras ondas e já não tem fim

Agora é centro

Do movimento

A qualquer momento pode transbordar

Quando a pedra caiu na água

Quando o espelho

Foi ao chão

Quem estava ao teu lado?

Quem estava com a razão?

A pedra afundou

A onda inundou

Faz de conta que eu fui mais legal!

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Fragmento – Debaixo das Rodas – Hesse

Mais um dia devorando Hesse. Pela primeira vez não me senti culpada por desfrutar de uma leitura agradabilíssima dentro do onibus, enquanto ia para Porto Alegre cortar o cabelo e tomar suco de laranja no mercado público, debaixo de um sol morno de outono, até cochilei um pouco. Quarenta minutos de estrada não é tempo para  fazer muita coisa, mas o suficiente para uma tarde de sexta feira, totalmente sem rumo concreto na minha vida profissional – por enquanto. Em outros tempos seria desesperador, e confesso que ainda hoje é, porém tenho andado disciplinada, fazendo o medo ser apenas parte do processo e não tomar conta de mim e tudo a minha volta.

Em Debaixo das Rodas, o personagem principal é um obstinado, assim como a maioria dos personagens do Hesse que tive prazer de ler.

“(…) tratou de imaginar o que seria a sua vida se não conseguisse entrar no seminário, se o pai não o deixasse ingressar numa universidade e os estudos fossem definitivamente vedados. O pai colocá-lo-ia como estagiário num escritório, ou numa loja de cutelaria, ou de laticínios, e toda sua vida estaria condenada a ser igual aquela gente simples, sem ambições, que vegetava na pequena cidade, gente que ele tanto desprezava e tão ardentemente desejava ser superior.”

Quanto a obstinação do personagem:

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