Category Archives: Eu lírico

Date: 2010.03.19 | Category: Bobagens, Eu espírito, Eu lírico, Eu mesma | Response: 4

Além da calça saruel a melancolia também está fora de série – ou de sério – da temporada. Algumas concessões precisam ser feitas, mas as escolhas são entre momentos bons e momentos muito bons, ou seja, nada para reclamar, certo?

Um pouco da minha alucinação provém das minhas limitadas possibilidades, assim como a maior parte das minhas necessidades nascem dos desejos mais profundos em tentar externar de maneira despretenciosa e natural, aquilo que realmente sou, sem forçar nada.

- Eu forço muito!

Gosto desse arrependimento banal e caricato assim como, gosto muito dessa esnobe face de indiferença que me apetece. Por ora ácida e noutra apática. É um contraste entre a decadência glamourosa dos meus sonhos dourados com a real miséria chic e fashion que vivencio todos os dias.  Entre o ser e o parecer existem milhões de aspectos congruentes, porém eu fico sempre na dúvida sobre esses hemisférios. Bobagem ou paranoia, não sei.

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Date: 2010.03.17 | Category: Eu espírito, Eu lírico, Eu mesma | Response: 1

E quando eu tentava imaginar como ele viria, logo surgiam muitas possibilidades, daquelas bem absurdas tal qual o pensamento feminino é responsável. Preenchia todas as lacunas com romantismo e poesia, pensava mais no entorno do que nele próprio. Logo as imagens esfumaçavam e eu anelava a angustia.

De tanto que clamei aquele laço, um dia alguém perguntou como eu o imaginava, e pediu que eu descrevesse. Foi então que fiz um breve silêncio; ousada me perguntou de onde e como  ele vinha, e então mantive a quietude.

Me dei conta que não era ele que eu queria, mas o fato de estar envolvida numa relação sem forçar nada. Eu queria poder amar da melhor forma alguém que ainda nem existia.

 Eu amava errado por amar o amor que em mim existia?

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Date: 2010.03.10 | Category: Eu espírito, Eu lírico, Eu mesma | Response: 3

Ambos com letras maiúsculas porque ocupam tamanha propriedade real – gramatical?

OS artistas sofreram antes de morrerem e se consagrem artistas né? As pessoas “comuns” são os maiores carrascos, dento de suas ignorancias e limitadas perspectivas, desenham barreiras e rótulos conforme conveniente. Nessas escorregam os idiotas e os artistas.

Esses comuns, confundiam o fim com o caminho. A jornada com a intenção da viagem. Aí eu me confundia entre me corromper e o fazer nada. Eu misturava ego retardado e orgulho mimado de uma sociedade classe média miserável que me criou, com o que uma mulher de verdade têm que fazer para se sustentar e sobreviver. Ou nada.

Ai que me dóia sem vírgulas ou pontos, eu só expressava aquilo que vinha de dentro e latia feroz, sem idioma. E procurava, sim procurava, com força, magnitude e todo o respeito digno que se pudesse ter diante daquelas condições – era educado demonstrar gratidão aos comuns e aos líderes, enquanto subestimados; ai que me arrastava em vida uma vontade de não sei o quê. Pagar todas as contas e esticar a fronha da ultima almofada.

E mesmo que houvesse esforço para lapidar, contornar e arrematar o que punha para fora, ainda em vão, ninguém entendia, ou entendiam conforme pensavam que entendiam. Mal sabem eles que eu nem sei que matéria é essa que escarro em forma de crônica; conto? Poesia? Verso? não sei definir algumas coisas….

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Date: 2010.03.09 | Category: Eu espírito, Eu lírico, Eu mesma | Response: 3

A instatisfação pode estar ligada ao alto grau de exigencia da pessoa que é sujeito da oração. A minha insatisfação é ligada a fantasia. Crio meus personagens e os procuro nas pessoas que me cercam, se não os encontro, então, as pessoas já não me servem. Descarto, sim, como qualquer pedaço de matéria.

Entre a ciência e a poesia, existe uma coisa emocional que nos agarra e permite que possamos crescer dentro de nós mesmos e no mundo. A partir da convivência e da conveniênica, vamos nos enroscando nas pessoas que nos acompanham, sejam os que nos amam, ou os que odeiam; não importa o sentimento que nos una – obrigação também se caracteriza por questões emocionais, não é uma finalidade mas um meio. Estar conectado nos permite além da interação prática e todo o bla bla blá pedagógico, descobrir que além dos personagens que inventamos para as pessoas – eu nao sou a única a criar – elas tem seus próprios, e também são criadoras de mini mundos.

A arte nessa caminhada é tecer. Nunca vi uma trama linear a ponto de não haver desvios, pontos soltos, frases mal colocadas, diálogos inexistentes. Talvez a melhor experiência nesse âmbito foi o interlúdio. Uma série de textos que exigiam diálogos entre os personagens que simplesmente não falavam, existiam dentro de si e apesar de estarem na mesma cena, foram capazes de seguir, tecer é o verbo.

Para não ficar tão ridiculo, serei ridicula ao explicar que os personagens que me refiro não são apenas os escritos, são os imaginados, o tempo todo, para cada ato que se repete nesse espetáculo-picadeiro. Mudam os atores, o roteiro, porém, ah meus personagens!

Date: 2010.03.08 | Category: Eu espírito, Eu lírico, Eu mesma | Response: 0

Essa noite eu senti um vazio que suprimiu meu coração. Diferente dos outros vazios, que ardiam no estômago, como uma ânsia desesperada, que espera o destino na soleira da porta, hoje, pela primeira vez eu senti meu coração doer.

Está frio, o tempo levemente úmido e eu peguei meu cobertor verde, felpudo com listras brancas e cheiro de sol; o tenho desde criança. Ele tem cheiro de casa, de mãe e do sol forte que queimava nos varais do quintal da minha casa no interior. Sentei na sacada nova, enrolada no cobertor e senti vontade de chorar.

Antes resisti, dei duas voltas no meio da sala e rodopiei para cá, onde estou ainda, observando a noite, a brisa e ouvindo alguém mexer na lixeira lá embaixo, na rua. O terceiro andar me proporciona uma convivencia conivente com a realidade alheia. É como estar entre o céu e o inferno, é como estar na vida, nas coisas casuais.

Tão de repente o cheiro de sol da minha coberta foi tornando sereno e por acaso minha mãe me mandou mensagem, totalmente inesperada e fora do contexto; disse para sonhar com o principe encantado e que me ama. Não sei se ela falava do principe dela ou do meu. Pelo menos ela ainda sonha.

Estou ouvindo the first day of spring, mas são os primeiros dias do outono que chegam por aqui; lentos, surgem como fumaça de chaminé, daquelas casas espalhadas; telhados distantes vão tramando entre si uma imagem aerea, uma tenue atmosfera aquecida.

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