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História de uma gata

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé…de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim:

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim

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gente pequena, média e grande

Passar algum tempo juntos sem obrigação; como é bom. Se a vida fosse o balanço da rede e a brisa fresca o tempo todo, para mim, não teria a mínima graça ou emoção. Se a única obrigação que temos na vida é morrer, todo o resto eu devo aos meus vinte e dois anos e a essa capacidade de resignificar o insignificante.

Nos achamos espertos demais, vejo uma galera com a auto estima elevada ao nível da falta de noção de realidade, espelho ou chão. Mulheres que pensam que um par de peitos novos podem fazê-las donas de suas próprias escolhas e leva-las ao sucesso que nunca tiveram e talvez nunca tenham mesmo. Homens que falam em carros potentes e grandes negociações como quem ejacula na cara da sociedade alguma nobreza ou relevância.

Dizer que o mundo está doente é um clichê que me dá preguiça até de pensar. Se o mundo está doente é porque sempre foi. Gente pequena existe assim como gente grande. Eu gosto dos médios, ali nos seus meios-de-caminho e suas pedras – tudo tão particular.

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sorte no amor azar na vida?

Azar no jogo é o ditado certo, quer dizer, popularmente conhecido. São essas coisas que enfiam em nossas cabeças que temos que abrir mão de uma felicidade por outra, justamente assim, como um jogo.
A vida não é um jogo de dados, é claro que sorte ou um pouco de persuasão caem bem para qualquer sujeito, porém, condicionar-se a elas não é muito inteligente.

Eu sempre tive muito azar no amor, esse sim, era azar mesmo. Agora, esse tempo é passado para mim, ainda bem. Hoje estou feliz nesse “segmento” pois, encontrei alguém especial que amo muito e há dois meses estamos morando juntos – é, acho que casei.

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memórias fotográficas

A foto não guarda apenas o registro daquele momento clicado mas também toda fantasia em torno da realidade passada.

Olhar as fotos antigas é olhar para o que já foi sentido, relembrar o que se esqueceu e assim foi escolhido apagar do presente e é por isso que se chama passado.

Abrir as pastas, os álbuns, ou stalkear é reafirmar o que negamos no agora. Relembrar é ascender as brasas num sopro estúpido e irracional – um espirro.

Eu apago as fotos, prefiro olhar para dentro, em segredo, sem deixar qualquer vestígio de fósforo riscado.

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eu e eu mesma

homenagem ao malandro

- Sempre quis ser o malandro!!!

“Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central.”

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Feras falhadas, falidas

Quem imagina o olhar de um felino selvagem assim, melancólico? Feras nasceram para a caça, para os botes e truques por sua majestosa sobrevivência nas savanas.

Quem nasceu líder não tem motivos para preocupações com os menores. Dos pequenos roedores aos gigantes elefantes, nada abala a realeza de um felino livre. Esquecemos do homem, e seu ganancioso poder armado.

Essa foto é de uma leoa enjaulada num zoologico.

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miudezinhas

Falecimento dos grandes pensamentos

“Fiz isso com grandes expectativas e convencido de que, na escola de música, me tornaria um bom aluno. Com dolorosa surpresa para mim, porém, não foi o que se deu. Custava-me esforço seguir os vários cursos, o ensino do piano, ao qual agora, devia submeter-me, constituía somente um suplício, e não tardou que eu visse nos estudos como que um monte intransponível posto na minha frente. Não estava, de certo, disposto a desistir, mas me sentia decepcionado e constrangido.Via, agora, que, apesar de toda modéstia, eu me havia, sim, considerado uma espécie de gênio, subestimando seriamente minhas fadigas e dificuldades do caminho da arte. Além dsso, tinha total perdido o gosto de compor, pois, agora, no menor dever via somente montanhas de dificuldades e de regras; passei a não ter nenhuma confiança na minha sensibilidade e já não sabia se havia em mim uma só centelha de força própria. Assim, conformei-me; sentia-me deprimido e triste, fazia meu trabalho de modo não muito diferente do que o teria feito num escritório, ou noutra escola, diligente e sem prazer. Queixar-me, não podia e, menos ainda, nas cartas que escrevia para casa; ao contrário, prossegui, em silecioso desengano, o caminho iniciado, propondo-me, ao menos, tornar-me um bom violinista. Não parava de exercitar-me, engolia grosserias e ironias do professor, via outros alunos, que não julgara capazes disso, fazer rápidos progressos e colher louvores e coloquei minhas miras cada vez mais baixo. Porque também com o violino não estavam as coisas num pé qual pudesse me orgulhar e me permitisse pensar em chegar, algum dia, a ser um virtuose. Tudo indicava que, com grande aplicação, poderia, quando muito,  tornar-me profissional aproveitável, que, sem louvor e sem opróbrio, toca seu modesto violino numa pequena orquestra, recebendo em troca, o seu pão.

Assim, esse tempo pelo qual eu tanto ansiara e do qual tanto me prometera, foi o único da minha existência em que, abandonado pelo espírito da música, percorri caminhos sombrios e arrastei dias de uma vida sem sonoridade e sem ritmo. Justamente onde havia procurado prazer, enlevo, brilho e beleza, só encontrei exigências, regras, deveres, dificuldades, perigos. Se uma ideia musical me ocorria, ou era banal ou cem vezes já usada ou contrariava todas as regras da arte e não podia, portanto, ter qualquer valor. Então, pus de parte todos os grandes pensamentos e esperanças. Eu não passava de um dentre os milhares, que, com juvenil desfaçatez, chegam até a arte e cuja força falece, quando são postos seriamente a prova”.

Gertrud – Herman Hesse. Cap 2 Livro escrito em 1910.

Moral da história?

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Sobre arte, mais uma vez

Ah, se soubessemos que a verdadeira subjetividade ficou lá atrás e poucos mantém a obviedade longe das convenções, sentiríamos mais e assistiríamos menos.

E quem disse que o espetáculo projetado é a curiosidade particular do autor? Tem tantas coisas nas entrelinhas que eu já sou capaz de afirmar que na vida não existem intervalos. O interlúdio é agora o acúmulo de outras realidades.

O verdadeiro poeta está na rotina, dentro ou fora do circo, e essa questão já não tem valor mensal. Auto afirmação é habito medieval, quem existe se basta e sabe disso, sabem?

sobre amor

Alma gêmea a gente encontra por aí. Às vezes troca uma palavra, duas, um toque, um esbarrão, passa anônima no meio da multidão; coisa de história inventada nos livros, televisão. No olhar eles se entendem, se completam, multiplicam poderes.

Mas amor, amor mesmo, a gente vive todos os dias com quem nos escolhe e é escolhido. A vida pode ser um acaso, um destino, uma mentira, uma verdade. A gente escolhe o que é e, é escolhido pelo que for.

A esperança está no ar

Tem coisas na vida que ficam incubadas na gente, tipo gripe quando vira pneumonia em pleno inverno.

Tem qualidades esquecidas ou abandonadas por nós em algum meio-do-caminho, enquanto nos voltamos para o hoje. Mesmo que esse aqui-agora seja um amontoado de coisas dos outros, já pensou?

E se esse talento que você pensa ter for mera reprodução tosca do meio que vive?

Ok, melhor não irmos tão direto, com mais calma, com mais fantasia, mais elementos lúdicos.

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Sentimentos visuais

Hoje as imagens representam meus prazos corrompidos, meu café gelado, sem açucar, a ultravelocidade jamais atingida, a poesia adormecida na epiderme e minha cara apatica que economiza explicações e potencializa meu desprezo pelo que me desinteressa.

E claro, otimiza meu tempo em escrever coisismos por aqui…por enquanto.

uhum, tá.

 

Dura na queda – chicão

Perdida/Na avenida/Canta seu enredo/Fora do carnaval/Perdeu a saia/Perdeu o emprego/Desfila natural/

Esquinas

Mil buzinas/Imagina orquestras/Samba no chafariz/Viva a folia/a dor não presta/Felicidade, sim

O sol ensolarará a estrada dela/A lua alumiará o mar/A vida é bela/O sol, a estrada amarela/E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Bambeia/Cambaleia/É dura na queda/Custa a cair em si/Largou família/Bebeu veneno/E vai morrer de rir

Vagueia/Devaneia/Já apanhou à beça/Mas para quem sabe olhar/A flor também é/Ferida aberta/E não se vê chorar/

O sol ensolarará a estrada dela/A lua alumiará o mar/A vida é bela/O sol,a estrada amarela/E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas…

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Deixa a paixão passar

Tantos me disseram: deixa a paixão passar. E eu não acreditei, ri, e discordei que passaria; e nada passará!

O poeta disse que todos passarão e ele passarinho, eu vou das emoções mais trevosas às celestiais no segundo que existem. Tanto faz se passar. Enquanto existir não passou, me entendem?

Dizem que é melhor deixar o presente se ir para viver um futuro sólido a dois, e eu não entendo, afinal, o futuro será um presente daqui um tempo. Assim como olho para a estagiária e me vejo. Me repito: você é eu ontem!

[ e é igualzinha, fico complacente!]

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