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Caminhos cruzados e the red balloon

Estamos na vida para cruzar as fronteiras, percorrer as querências, ou passear pela praça. Cada um faz do seu trajeto, sua vida, o que melhor for pra si, todo mundo já sabe. Pode até usar aquele discurso altruísta, afinal por aqui tudo é permitido!

Se o teu ponto de partida, o nascimento, for exatamente onde ainda está, não se desespere. Há destinos que são assim mesmo. Se achas que para quem veio de longe, onde está ainda é pouco, se tranquilize, os dias não acabarão cedo e ainda há muita estrada por aí.

Mas é claro que tu tens razão, quem sou eu para ficar aqui falando tantas bobices soltas. Balões coloridos ao vento, ao tornado ou a brisa.

The Red Balloon é um filme francês de 1956, e ainda mexe com o imaginário infantil, além de falar sobre a leveza e a poética cotidiana.

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arquivo de fotos

Foto e produção Rafael Avancini, meu grande amigo que tanto sinto saudade desde que está morando em sampa. Essa é dos meus arquivos de 20o9/2010.

E essa outra também é dele – nossa. Em dezembro de 2009, antes da festa de formatura de um amigo nosso.

Eu curtia auto performance, sabem?

no giro da sorte

Como num jogo de cartas, quando você sente – porque é permitido sentir ao apostar – que as cartas investidas não serão as sorteadas e que o lucro não provém delas, mas de algo além, um arrepio sobe.

Como se carregássemos a certeza de que as vantagens viriam na sorte e não na lógica do raciocínio articulado, em jogadas ensaiadas pela nossa inteligência.

Essa sorte, esse acaso ou destino, ou posso chamar de “nada” é tão assustador. Não temos controle do tempo, ficamos a mercé desses desatinos, na simples espera de um telefonema, um sinal, um convite, um meteoro ou um milagre.

Talvez me falte inteligência para mexer as peças, escolher as cartas, jogar os dados… mas em algumas apostas, a lenda pessoal faz muita diferença no resultado. Eu apostei todas minhas fichas, sou desse tipo de gente que joga tudo na mesa de uma vez, que não fica esperando algo melhor aparecer, que não fica fingindo que está tudo bem quando não está, azar – digo, sorte!

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O que é tristeza para você?

Esse link veio por meio do meu namorado que já entende muito de mim. Não digo tudo, porque tudo de mim nem eu entendo. Posso dizer que não estou triste, posso até acreditar que não estou. Posso chamar tristeza de frustração ou dizer eufóricamente que está tudo bem. Posso, podemos, tantos fazem isso por aí e até acreditam que estão, ou não.

Artista: Hélio Leites
Dirigido, fotografado e editado por: André Saito & Cesar Nery
Trilha original: Fê Sztok e André Saito
Arte Gráfica: Pedro Hefs
Agradecimento: Carla D’aqui, Família Saito, Família Leites, Coletivo Soy Loco por Ti, Érico Massoli.
www.thomastristonho.com.br

sobre amar melhor

Nos decepcionamos porque idealizamos e viver sem idealizar é passar em branco, na apatia. Por isso, me decepciono e não escondo isso de mim.

Entre momentos de euforia que pouco interessam ao público, venho falar da parte debaixo da roda, quando nossas ações perdem o sentido num relacionamento a dois.

Existe um padrão de comportamento que ainda é muito usado, namorar, noivar, casar, ter filhos, envelhecer junto, essas coisas. Nem todo mundo é adepto desses processos, e também nem sempre nessa ordem. Apesar de sermos prafrentex, abertos e pós modernos, muitos desses fatores acontecem conosco.

Um amigo me disse hoje que o sacrifício é subjetivo e o outro nunca sabe o tamanho, ou o peso, que há no esforço que fazemos para manter o amor. Digo manter pois, amar não está para quantidade, mas para qualidade. Amar melhor e não amar mais.

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notas psico-astrologicas

Acho que sofri um bloqueio psico-astralógico. Digo astral pois meu horóscopo recomendou que nos próximos dias eu me recolhesse com minh’alma para analisar questões internas. E alguém acredita em horóscopos, oráculos, ou opiniões alheias?

Fico sempre tentando entender por que tem gente que não gosta de determinadas pessoas pela maneira que elas levam/encaram as suas próprias vidas, e isso não tem nada a ver com as suas. O mundo é gozado mesmo.

Se recolhimento é necessário, respeitarei o sol na casa doze e a lua na casa oito. Pois se o senhor é meu pastor e nada me faltará, acho que posso relaxar ali na sacada enquanto bebo um café e conto estrelas. O tempo é tão incrível, ainda mais o meu, que séculos duram meses e esse é quase um fardo pesado demais para tolerar, se me comparar com os outros, os banais.

Viva ao bloqueio psico-astrologico da semana! Viva a indiferença e a apatia! Viva ao que você quiser nomear.

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Suaves mudanças

Quando eu já acreditava que nada seria diferente do que já foi, veio uma surpresa envelopada na minha caixa de correio. Sem deslumbramentos, fireworks ou coisas assim, simplesmente aconteceu. Aconteceu diferente, suave como uma pétala na brisa.

Foram passando os dias e surgiram as divergencias, mas como podíamos usar da nossa lucidez para todo o enigma, superamos os becos do labirinto cotidiano. E assim tem sido. Meus dias diferentes, com afeto que eu nem imaginava ser possível vivenciar, ainda mais de maneira assim, tão genuina.

Tudo pode mudar do lado de fora, as paisagens mudam conforme as estações, mas o melhor fica aqui dentro, e muda. Ainda mais agora que sente o quão promissor é desapegar de velhos padrões e acreditar na transmutação. Ainda bem!

Não-Humor

Poderia inventar uma história e chamar de conto, crônica ou poema e aí desandar todas minhas angustias, mas prefiro não seguir esse caminho agora.

Chegar no estado de inércia requer motivos profundos, não são fatores superficiais que nos deixam assim, com gosto de isopor e sem medo do ridículo. É muito mais fácil um dia de cão, daquele mal humor brabo, nojo e repulsa de qualquer coisa do que esse gosto de nada, cheiro de nada, vontade de nada.

Silencio sepulcral, olhos desorientados, e uma brisa de mudanças; será que estamos tão desacostumados às transformações ou nos apegamos rápido em qualquer circunstância para nos agarrarmos a lama do vazio?

As vezes eu penso que esse suposto vazio é o lugar mais seguro, onde só cabe nós mesmos e mais nada. Um nada cheio de coisas particulares, sombras e quietude. Um lugar no tempo onde ficamos mudos, onde olhamos em volta e vemos com mais clareza que realmente não estamos prontos para os súbitos, os sustos, os nadas cheios de coisas dos outros.

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Sem asfalto, só estrada

Ouvimos o rio, a montanha, o silêncio e nossa conversa.

Foi assim que vivenciei meu feriado de carnaval, indo, como todos os gauchos da região metropolitana, para o litoral norte. Porém meu namorado sugeriu um roteiro e eu acatei pela surpresa…

- Eram tantas borboletas, azuis, brancas, celestes. Faziam estripulia em frente aos nossos olhos, e eu só queria tocá-las, colocava as mãos para fora da janela enquanto andávamos montanha a cima, não queria capturar alguma, mas talvez por um despeito em querer para mim um pouquinho daquele ritmo, uma sincronia divina.

Me senti em outro mundo – Um mundo mais livre, solto, sincero. Não precisei ir longe, apenas mudamos a rota da Freeway por uma montanha escondida – esquecida?

Nesse caminho encontramos coisas estranhas, outras já conhecidas, imaginadas ou deduzidadas. Nesse andar entre terra e cascalho balançamos nossas vontades e coisas assim… Ali estão as fotos que não representam nenhuma gotinha das sensações que vivemos no caminho. Nosso destino não mudou, mas a nova estrada me encheu de fôlego… Entendam como quiserem.

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nonsense note

Ai dessa minha ansiedade de coisas bonitas, concretas e idealizadas. Tenho comido bananas para melhorar meu estado, afinal, quando as transformações começarem meu organismo estará preparado.

O tédio do Pessoa

Trecho do livro do Desassossego, do Fernando Pessoa, e aquele  seu tédio evidente!

“Há sensações que são sonos, que ocupam como uma névoa toda a extensão do espírito, que não deixam pensar que não deixam agir, que não deixam claramente ser. Como se não tivessemos dormido, sobrevive em nós qualquer coisa de sonho, e há um torpor do sol do dia a aquecer a superfície estagnada dos sentidos. É uma bebedeira de não ser nada, e a vontade é um balde despejado para o quintal por um movimento indolente do pé à passagem.

Olha-se mas não se vê. A longa rua movimentada de humanos é uma espécie de tabuleta deitada onde as letras fossem móveis e não formassem sentidos. As casas são somente casas. Perde-se a possibilidade de dar um sentido ao que se vê, mas vê-se bem o que é, sim.”

espelho deturpado

Uma coisa é bem certa: a vida nos dá espelhos; pessoas incríveis que admiramos e pessoas podres que odiamos.

Com um pouco de atenção e perspicácia conseguimos notar que há algum comportamento em comum com o que já vivemos, ou sentimos em algum momento de nossa existência, ou viveremos, sentiremos, ou não.

Importante é perceber que todas essas gentes que cruzam nossos caminhos estão aí para mostrar que por mais que um dia estejamos vivenciando seus papéis nesse show, sendo os opressores ou os oprimidos, podemos usar como exemplo para refletir e inspirar:

- como agir ou como NÃO agir.

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Entre um cactos e um cachorro

Na vida tem tempo para tudo, e geralmente quem diz isso são nossos pais, avós e gente meio cansada da vida. Eu não.

Eu comprei uma violeta quando vim morar nesse apartamento, faz um ano que ela existe aqui e nunca deixou de ser verde. Claro, as vezes não tem flores, como agora, mas está cheia de novos brotos. O contrário aconteceu com a pimenteira, que secou inteira na mesma semana, e olhe que ela recebeu os mesmos cuidados. Agua, luz, passeio na sacada, no calor da cozinha, no frio do banheiro, nada. Ela não se adaptou. Agora comprei uma folhagem grande, afinal, com esse tempo que moro aqui, se dei conta de manter uma delicada violeta, uma planta de folhas largas e verdes, poderiam bem ocupar o espaço na sacada. Não me arrependo e estou cheia de orgulho, pois ela está com novas folhas, porém verdes mais claras.

Eu gosto das minhas plantas, converso com elas e isso aprendi com minha mãe. Não tenho animais de estimação, acho dificil cuidar. Creio que ter uma folhagem em casa é o interludio entre um cactos e um cachorro.

Cactos são muito melancolicos, acho muito baixo astral, e um cachorro num apartamento pequeno como o meu seria uma maldade, uma gaiola.

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“Abraça tua loucura antes que seja tarde demais”

” Seus olhos tinham ar do mar. Tinham a cor exata de quem por muito tempo, todas as horas, durante todos os dias de muitos meses e anos, olhou detidamente o mar. Conquistara esse verde móvel, inquieto, esse vagar. Tocou de leve minha mão estendida. E se foi. Ainda chovia. Fechei a porta às suas costas. Por entre os roxos e amarelos da pequena vidraça vertical, podia perceber a silhueta de alguém se afastando. Dentro de uma noite de sábado, não de agosto. Era novembro. Bebi outro gole de conhaque. Fui escorregando para o fundo, no meio das almofadas. Amanhecia. Na casa em frente, os ruídos tinham silenciado. Seria um longo domingo. Não estava triste, mesmo assim recomecei a chorar enquanto ouvia outra vez o aviso guardado para sempre na memória das paredes:

— Abraça tua loucura antes que seja tarde demais.”

Trecho do conto “O Marinheiro” do Caio F. Abreu.

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notas oculares

Tenho ouvido os cds do chico que ganhei de aniversário, lido o livro sobre o mito e ensaiado ler a filosofia do tédio. Sinto que essa ultima será um desempate para a rotina. Mesmo que eu tenha refletido sobre as sutilezas nas relações, e problematizado sobre os pesos que colocamos nas coisas da vida, mal consigo estruturar um parágrafo.

Mesmo que chova, dentro de mim há um balanço de rede, com brisa morna desse verão infernal, cheio de modismos insuportaveis, mas que como afirma minha vó, vai passar. Tudo na vida se perde, inclusive os modismos e os pesos leves.

Vou insistir nas anotações do meu bloquinho, me manter offline, e alimentar a gramática. Mesmo que esse post não diga nada, pois não houve elaboração alguma, enfim.

A gente acaba o parágrafo quando percebe que ele virou texto, as mágoas quando são esquecimento.