E do que adianta sentar aqui, de frente para esse prédio com mais de quinze andares e descobrir que o décimo terceiro está vazio pois, não há luzes acesas? E olhar a fumaça estender seu braço fora do vidro, invadir a noite e arrastar-se densa pela penumbra dessas ideias bregas, que na prática não funcionam para nada.
Não passam de momentos reproduzidos dentro da mente, mas na verdade nunca existiram, eles só se repetem e desenham-se dentro da cabeça, num plano secreto chamado de fantasia. Vai contando as luzes que se apagam e supondo as janelas, se quarto ou banheiro ou sala e ainda imagina quem caminha por elas – as janelas. Não são lembranças, nem promessas, pois já não ousaria a tanto, eram apenas olhares diante da noite, somente até onde os olhos alcançavam beber desse líquido; pensamentos
Bem poucos, ou talvez ninguém entenda suas palavras, não queria lançar a melancolia, pois de fato nao era isso que pesava – ou faltava – era aquilo que só as palavras, quiçá muitas ou só duas ou três poderiam transmitir. Ouvia a turbina dos avioes que riscavam o mesmo céu, piscavam luzes que confundiam-se em estrelas, mas das janelas do predio ao lado, só cobiçava o décimo terceiro andar, totalmente escuro. A lua beija a aba da janela, e em mais uns minutos invadirá serena todo o quarto, aberto, para o ar circular.




