Você pode fugir a vida inteira dos seus problemas, mas uma hora ou outra eles vão atrás de você. Ou não, tem gente esperta que sabe se esconder bem, e até na hora da morte se livra daqueles velhos dilemas. Eu não sei, mas agora eu andava nas ruas da cidade desprovida do olhar brilhante e sonhador, não pensava em metodologias para alcançar o sucesso, a realização pessoal, ou o alívio da solidão.
Nada do que eu sentia naquelas noites quietas debruçada na janela, de cara para a imensidão da noite e o vazio da minha existência me pesavam tanto como agora. Minha vida é cheia de decepções e tentativas de felicidade, assim como a vida de todas as pessoas sob a terra. Eu andava lenta e descompassada pelas calçadas, arrastando o jeans largo pelo chão; mãos nos bolsos.
Meus olhos já não choravam mais, meus oculos escuros escondiam o rosto marcado pela noite de tormenta. Tempestades previstas. Noticias péssimas recebi, nada de novidade, tudo o que eu já esperava acontecer, porém quando o dia chega a gente sofre idiotamente.
Quem acompanha meu blog sabe que meu pai se afastou da familia após o divorcio, há dez anos atrás. Da mesma forma a familia dele também se afastou. Na época, eu era muito menina, mas já entendia e as memórias permanecem acesas na minha mente. A relação com minha mãe é normal, aquela coisa freudiana, entre desacordos nos amamos. Eu a admiro muito por toda coragem que teve nos momentos mais duros da minha infancia.




