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Caminhos cruzados e the red balloon

Estamos na vida para cruzar as fronteiras, percorrer as querências, ou passear pela praça. Cada um faz do seu trajeto, sua vida, o que melhor for pra si, todo mundo já sabe. Pode até usar aquele discurso altruísta, afinal por aqui tudo é permitido!

Se o teu ponto de partida, o nascimento, for exatamente onde ainda está, não se desespere. Há destinos que são assim mesmo. Se achas que para quem veio de longe, onde está ainda é pouco, se tranquilize, os dias não acabarão cedo e ainda há muita estrada por aí.

Mas é claro que tu tens razão, quem sou eu para ficar aqui falando tantas bobices soltas. Balões coloridos ao vento, ao tornado ou a brisa.

The Red Balloon é um filme francês de 1956, e ainda mexe com o imaginário infantil, além de falar sobre a leveza e a poética cotidiana.

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Lirismo naturalista, quem quer um gole?

Esse texto faria parte da edição de outro projeto, também nomeado Válvula de Escape. Mudei de idéia. Resolvi compartilhar aqui esse lirismo exageradamente cheio de adjetivos. Assim mesmo, bastantão. Talvez por ansiedade ou hábito de não guardar muita coisa comigo. Faço o tipo coração de mãe, mas não qualquer mãe, uma mãe grega, com cara de malvada, discurso de malvada, trágica, tensa e afetuosa, meio disfarce, meio cazuza.

A primeira parte do texto (que não aparece aqui) será a raiz do novo capítulo para o então outro projeto – assim mesmo, misteriosão. Após o dia de hoje – assim mesmo, sem adjetivo, estou com a boca aberta, querendo dar uma colherada só e só, só-zi-nha assim, como é.

I

Balançava o vestido como se quisesse dançar. Ah os meus oito anos e aquele vestidinho branco de rendas e fitas mimosas. Era o preferido, porém só para ocasiões especiais. Minha mãe dizia que poderia sujar, rasgar, as rendas amarrotariam e as fitas poderiam até mesmo desfiar pelas pontas. Aquilo tudo me apavorava tanto que preferia ficar só olhando para ele enquanto secava em cima da velha cadeira de vime envernizado, debaixo da sombra morna. Ah, aquelas tardes de primavera eram mágicas. As folhas das árvores ficavam misteriosamente mais verdes. Verde claro como no fundo do mar. É claro que eu não conhecia o fundo do mar, imaginava apenas. Eram folhas verdes claras como no fundo do mar, mas nem tão fundo assim, pois eu já sabia que no fundo do mar e de todas as coisas, as cores não são tão claras.

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Antes da Parte Primeira

- Dias banais acercam a melancolia desta vaga em branco.

Afirmou-se convincente, e seguiu andando a espera de alguma surpresa que a despistasse daquele tormento particular. Buscava refugio na vã filosofia; tudo é passageiro, até mesmo este “querer” transbordando, que insiste em não morrer.
Um personagem sem nome, rosto e história. Ele não tem passado e tão pouco futuro. Seria este a soma da angustia e tédio que a habitava.

Jovem, cheia de sonhos e fugas, filha daquilo que não deu certo. Vítima das falsas escolhas e dos equívocos alheios. E era exatamente assim que se sentia dentro daquele terno lar. Sem muito enredo, ela sabia de alguma forma, fosse às conversas íntimas consigo mesma ou no riso solto entre os amigos e família, que alguma coisa muito bonita a esperava logo em frente.
Clara e mansa, quase nenhum deles percebia a imensa dor que carregava infantil dentro do corpo magro, branco, de longos cabelos castanhos. Ah os olhos eram cheios de afeto, cobertos por negros riscos de lápis de cor.

Em si crescia uma força, que justamente a expulsava daquela redoma superprotegida e privada de qualquer constrangimento ou ousadia. Morna.
Esse tal impulso vinha talvez do mesmo lugar de onde saia o tédio, a angustia, o engodo e o vazio.
Não era uma coitadinha, apesar de imensa disposição a auto-piedade, era grande dentro da sua pequenez existência.

Justamente, não foi de súbito, pois já se sabia que ela estava predestinada a explodir, assim como todos a sua volta também o sabiam, por algum motivo especial, ou simples brilho no olhar, ou a voz um tanto tremula ao tocar em certos assuntos. Ora um feto, ora uma estrela cintilando incertezas.

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