Tag Archives: esquizofrenia

Ciclos circulados

Ontem eu pensei, só ontem:

- E se todas essas teorias liberta-existenciais-super-copiadas-das-filosofias são só desculpas para justificar minha falta de tato&rebolado para entrar na roda das convenções sociais?

[crescer-casar-reproduzir-envelhecer-morrer, não necessariamente nessa ordem.]

E se essas teorias forem só argumentos meus, teus e de todos que não tiveram competência para a banalidade e disfarçaram essas fraquezas com inclinações transgressoras, chocantes, reflexivas?

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Cozinhando com Maíra no Válvula de Escape

Há tempos tenho essa categoria no Válvula “lá em casa”, apesar de publicar pouco sobre a intimidade do meu lar; já que publico demais sobre a intimidade do meu eu.

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Foto: Na sala que também é quarto e logo ali é a cozinha e na porta ao lado o banheiro. No fundo a sacada, que também é quintal. E a Hello Kitty eu resolvi nao cortar da imagem.

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Parabéns espertinhos

Dedicado a todos os espertinhos que estão resolvendo ser feliz na vidzá.

Foto: Pandora

let me go to older home

- Vou para casa, fechei a mala, comprei a passagem, peguei o cobertor e sempre esqueço o travesseiro. Esqueci. Amanhã eu vou para casa, depois da aula de tango, chaveio a porta, chamo um taxi. Compro chiclé, uma água, tomo um analgésico e a poltrona onze.

Janela.

- Não vou para casa, vou para a casa mais antiga. Casa é essa aqui, onde do sofá eu assisto a lua passando na vidraça. Nessa casa que eu faço a janta, o café, o banho quente e guardo as revistas. Essa é a casa. Vou para casa amanhã. Inevitavelmente uma angustia me invade. Hábito? Estranho, sempre acontecem as mesmas coisas. Duas opções: ou isso ou aquilo. Nunca qualquer coisa uau. Sempre isso ou aquilo. Ou o de sempre ou o de sempre mais antigo.

É sempre essa vontade que faz cócegas por dentro. Nenhum contato, nenhum plano, nenhum passeio, nenhuma esquina, nenhum acaso, só os de sempre ou os de sempre mais antigo.

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da bailarina a trapezista (parte 1)

Mesmo que haja graça e delicadeza, a trapezista não tem requinte e nobreza. A bailarina por si só é encantada, enquanto a outra em par com sua sombrinha só pode seguir  sua saga; ela caminha tênue.

Depois de almoçar sentou na sacada, enquanto na tevê passava o programa de esportes que ninguém olhava, seu som  misturava-se ao da rua; olhava as nuvens e procurava formas – nada além de psicodélicos e surreais formatos de nuvens. Apática, permaneceu com as pernas estendidas, observando o all star cor de sujeira que contratava com suas pernas brancas e logo o vestido curto, cor de caquí que salientava a sujeira da cor do all star. Usava óculos escuros para proteger-se dos raios solares; não eram totalmente escuros, num marrom degradê, passando da cor de caquí para cor de sujeira, ela assistia a vida passar.

Terminado o cigarro, levantou, pegou a bolsa e saiu. Antes de fechar a porta sentiu um cheiro de flores. Era o resto do incenso queimando no canto do corredor. Além de tudo isso era só uma lacuna, nem clara ou escura. Contrastava, salientava e por ora um degradê aglutiando tudo.

Eu colocava deus no meio

Era manhã cinza, daquelas nubladas típicas de agosto, porém não passava de abril. Girando entre os lençóis da manhã percebia os raios da tempestade lá fora iluminando todo o quarto.

Queria apenas contar uma história, inventar um enredo e colocar os personagens dentro, num misto de mistério e sedução.

- Ok, não deu certo, como tantas outras vontades já não deram. A verdade é que é novembro, bem no meio de novembro. A manhã realmente está cinza como agosto, e realmente girou entre os lençóis da manhã enquanto via os raios iluminarem o quarto. Agora tomando um café preto ouvia um blues qualquer sentada no sofá da sala pensando em falar sobre deus.

- deus?

Dormir doze horas muda a vida de uma mulher, pensei. E mais uma verdade que faltou é que  não era um blues qualquer, era Billie Holiday que jamais seria uma qualquer, pois já inclinou tantos poetas a falar de amor; não eu. Eu, que falo de mim como se fosse outra, e por ora quebro o sigilo e misturo quem escreve com quem é escrita.

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