Meu computador adora se auto-desligar em momentos importantes, sejam em alguma discussão online olho no olho, dente no lábio ou seja lá o que for, não importa, ele adora se auto-desligar! Ele super-aquece e então auto-desliga, assim mesmo, puro prefixo.
Estive pensando sobre o que escrever e tanta coisa inutil me vem a tona, talvez como isso agora, porém é a forma mais sincera e imediata de relatar o que eu senti. (talvez seja bom eu salvar este texto como rascunho antes quê, vocês sabem, prefiro não dizer, porque as palavras tem poder; é o que diz minha vó.)
Então eu fui começar a escrever e o computador tomou a iniciativa fatídica de auto desligar-se a si mesmo, e foi aí que eu senti a escuridão do quarto, e comecei a desenvolver o exercício besta de ouvir os vizinhos, e tentar ouvir além dos vizinhos, e além e então o que eu encontro?
Todos os sons fazem parte de alguma coisa, os risos, os gritos, os estralos do telhado de zinco do galpão ali do lado do prédio, até ele faz parte das paredes, que fazem parte do galpão todo, que abrigam, sei lá, coisas.
De repente e, dramaticamente, notei que o meu som, da minha respiração, não fazia parte de nada além de mim. Sim, foi trágico nos primeiros trinta segundos, mas depois não. Levantei e andei pelo quarto tentando (talvez inconscientemente) propagar o som dos meus passos, descalços, pelo apartamento de baixo; a vizinha misteriosamente não uivou.
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