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Caminhos cruzados e the red balloon

Estamos na vida para cruzar as fronteiras, percorrer as querências, ou passear pela praça. Cada um faz do seu trajeto, sua vida, o que melhor for pra si, todo mundo já sabe. Pode até usar aquele discurso altruísta, afinal por aqui tudo é permitido!

Se o teu ponto de partida, o nascimento, for exatamente onde ainda está, não se desespere. Há destinos que são assim mesmo. Se achas que para quem veio de longe, onde está ainda é pouco, se tranquilize, os dias não acabarão cedo e ainda há muita estrada por aí.

Mas é claro que tu tens razão, quem sou eu para ficar aqui falando tantas bobices soltas. Balões coloridos ao vento, ao tornado ou a brisa.

The Red Balloon é um filme francês de 1956, e ainda mexe com o imaginário infantil, além de falar sobre a leveza e a poética cotidiana.

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Poesia de brasileiro para brasileiro

Para quem não curte a malemolência das curvas do lirismo, vale a mais conhecida dos brasileiros.

- Saí na rua com um bloquinho na mão e perguntei para as pessoas que andavam pelo centro: Me diz uma poesia? A resposta foi essa:

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
[...] ”

Vinícius de Moraes

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Lirismo naturalista, quem quer um gole?

Esse texto faria parte da edição de outro projeto, também nomeado Válvula de Escape. Mudei de idéia. Resolvi compartilhar aqui esse lirismo exageradamente cheio de adjetivos. Assim mesmo, bastantão. Talvez por ansiedade ou hábito de não guardar muita coisa comigo. Faço o tipo coração de mãe, mas não qualquer mãe, uma mãe grega, com cara de malvada, discurso de malvada, trágica, tensa e afetuosa, meio disfarce, meio cazuza.

A primeira parte do texto (que não aparece aqui) será a raiz do novo capítulo para o então outro projeto – assim mesmo, misteriosão. Após o dia de hoje – assim mesmo, sem adjetivo, estou com a boca aberta, querendo dar uma colherada só e só, só-zi-nha assim, como é.

I

Balançava o vestido como se quisesse dançar. Ah os meus oito anos e aquele vestidinho branco de rendas e fitas mimosas. Era o preferido, porém só para ocasiões especiais. Minha mãe dizia que poderia sujar, rasgar, as rendas amarrotariam e as fitas poderiam até mesmo desfiar pelas pontas. Aquilo tudo me apavorava tanto que preferia ficar só olhando para ele enquanto secava em cima da velha cadeira de vime envernizado, debaixo da sombra morna. Ah, aquelas tardes de primavera eram mágicas. As folhas das árvores ficavam misteriosamente mais verdes. Verde claro como no fundo do mar. É claro que eu não conhecia o fundo do mar, imaginava apenas. Eram folhas verdes claras como no fundo do mar, mas nem tão fundo assim, pois eu já sabia que no fundo do mar e de todas as coisas, as cores não são tão claras.

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Austeridade ignóbil

Talvez eu perca vários leitores com esse texto. Correri esse risco.

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Há uma lacuna morna e confortavel, praticamente uma placenta em torno do meu ser. Zona de conforto, talvez?

Há um vapor de chá de camomila e cânfora em fusão pelos meus poros. Uma preguiça de primavera gelada e colorida num balanço sonso na rede do destino. Supostamente lento e distante. Um horizonte cego e banal.

Há uma rotina que absorve um pouco de vida; faz com que as flores sequem na sacada, acumulam as poeiras pelos cantos do apartamento. Uma rotina que apaga as lembranças quando está em atividade e assim que apagam-se as luzes já acumulam-se as lágrimas de um canto sufocado e suprimido - esse cotidiano primavera antes mesmo de agosto ocupa todas as lacunas da minha vida.

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Hoje Mesmo

O jeito que você arruma seu cabelo procurando aquele efeito que o mundo não quer reparar
- Revela tanto!
E o tempo que demora para decidir se aquilo que está ouvindo é convincente para poder concordar
- E me deixa esperando.
Eu posso esperar

Assim que eu entro já no cumprimento eu reconheço as múltiplas perguntas que na ausência entram em meu lugar
Seus olhos fitam com medo.
A única certeza que eu tenho é absurda pois a dúvida sustento porque não me mudar
Pro seu apartamento
Hoje mesmo

Hoje eu vou sair por aí anunciando que o Sol não vai mais se deitar
As plantas gostam de chuva mas por você nem mesmo as nuvens teriam razão de haver em nenhum lugar
Não…
Não…

Se um gênio perguntasse quais seriam os meus três desejos o primeiro: pediria ao tempo voltar pra trás:
- pra te ver aos dezesseis anos
Não há idéia que alcance ou seja parecida com a imagem da menina esguia, a bolsa a tiracolo
- e as pedras só pesando
Pois ela nunca irá jogá-las!

O seguinte, segundo desejo, emoldurar no céu o seu sorriso que eu pensei que nunca mais pudesse reencontrar
O filho é que cria a mãe

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Porto Alegre em cena

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A dica veio de um amigo, e com certeza farei todo o possível para assistir ao espetáculo que homenageia Caio F.

- Companhia?!!! 

Resumo:

“O espetáculo Fio Invisível da Minha Cabeça, da Companhia do Ator Nu e fragmentos das peças Praiazinha e Dama da Noite, da Cênicas Companhia de Repertório, ambas de Recife, são a base dos Monólogos de Caio F. A idéia de juntar monólogos de obras distintas em uma única função partiu de Luciano Alabarse, coordenador do Em Cena, quando estava em Recife assistindo a espetáculos pernambucanos. Ao prestar esta homenagem ao autor gaúcho, amigo de uma vida inteira, e um dos mais importantes escritores do Brasil, uniu o Rio Grande do Sul ao Pernambuco. Muito bem aceita pelos atores pernambucanos, a iniciativa terá sua estréia nesta 16ª edição do Festival de Porto Alegre e deve lotar a sala de admiradores e amigos de Caio F.

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Procura-se POETAS!!

Hoje, sábado dia 14 de março é o dia nacional da poesia. Quem me conhece e lê este mero buraco injuriado, sabe que estou escrevendo um livro de contos. A obra está crescendo dentro de mim, passou da forma de embrião e agora é um feto. Mais alguns meses e ele há de nascer, com a cara da mãe é claro. Deixando minhas esquizofrenias de lado, resolvi me unir a outros escritores, que assim como eu, deságuam palavras em suas válvula de escape da rotina urbana. As vezes tenho problemas com a válvula e a água fica vazando à toa, mas em geral, funciona muito bem.

Por isso, minha escolha para celebrar este dia bonito, é o querido Pablo Neruda, o grande poeta dos meus olhos.

” Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.”

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