Todas as paredes – parte quatro


Era claro, muito claro e o corpo despertava lentamente, a pele estava marcada por rugas feitas durante a noite em meio aos lençóis torcidos. O inchaço dos olhos promovia uma sensação de alivio e peso ao acordar.

Alivio interior, versos o peso nas faces pelo rompimento da casca.  Outro dia invadia outra noite daquelas. Daquelas que o desespero torna-se intransferivel. E tudo isso tinha um motivo, ainda oculto em nossa história. Ligava o som e um blues animado e dançante ilustrava o cenário. Chaleira no fogão e cheiro de café novo. Mais um banho na pele,  cabelos molhados escorriam gotas d’agua pelo chão. A voz feminina cantando i got be free, agitavam o rosto demasiado exausto.

Seguido de uma canção chorosa, o cinzeiro é esvaziado, as garrafas amontoadas na lixeira, e um sorriso para a vizinha que passeava com o cachorro na rua em frente ao apartamento pequeno que vivia há alguns anos.

Anos! Parecia ontem que havia partido da outra casca..a mais fina e superficial, assim como uma cebola robusta de algum verdureiro de feira, a qual nunca frequentou.

As primeiras horas do dia eram de decisões. “ Não vou mais pensar sobre isso”, e quando percebia: cabum! Estava mergulhada em alguma fantasia, refazendo cenas que nunca houveram, enfeitando outras que talvez nem aconteceram com tanta promiscuidade. Tenso.

Entao servia o café, acendia o cigarro, olhava o amanhacer de um dia outonal. Assim como ela, as árvores também gotejavam na terra. O sol amaciava os elementos do universo. Aquecia o ser. Pássaros entrevoavam seus desejos, e falava para si, em tom de voz mediano, “vai passar”.

Introspecta;

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