Reclamar da vida faz parte do processo. Às vezes é cansativo ouvir, mas quase nunca é tão cansativo falar. Cada um tem seus motivos, e cada momento é único, por exemplo, podemos estar a beira de um ataque por questões financeiras, frustração no trabalho, na vida amorosa, saudade ou problemas com as pessoas da familia, ou tudo isso junto (levanto minha mão nesse instante) mas e daí? Todos os problemas dos outros nunca são tão pesados quanto os nossos!
Ninguém pode dizer que não venho tentando, afinal, eu quase nem tenho reclamado, aliás, eu nem tenho contado os fatos, pois reclamar é natural da minha existencia.Eu fico puta mesmo! E daí?
Não gosto de fazer o modelo de perfeita dama da sociedade que eu não sou, nunca fui e não quero ser nunca. Odeio gente cafona que é feliz. Principalmente com pulseiras douradas.
Isso é tudo, tchau.
“Vede, vede, é dia já… Vede o dia… Fazei tudo por reparardes só no dia, no dia real, ali fora… Vede-o, vede-o… Ele consola… Não penseis, não olheis para o que pensais… Vede-o a vir o dia… Ele brilha como ouro, numa terra de prata. As leves nuvens arredondam-se à medida que se cobrem… Se nada existisse, minhas irmãs?… Se tudo fosse, de qualquer modo, absolutamente coisa nenhuma?”
Fernando Pessoa: O marinheiro




